Célula Reticular Primitiva e as Fases da Formação do Sangue

No organismo humano, uma célula primitiva, com característi­cas embrionárias mal definidas, serve de “matéria-prima” para a produção de sete tipos celulares diferentes. Na formação de células do sangue, a célula-mãe diferencia-se, gradativamente, formando células intermediárias “inacabadas” que, por sua vez, dão origem às células maduras que circulam no sangue.

O “molde” celular que faz com que uma mesma célula consiga dar origem a tantas células diferentes já é relativamente bem conhe­cido. Sabe-se que é constituído por ácidos nucleicos, gigantescas moléculas enroladas em espiral, que se localizam no interior de certas estruturas do núcleo das células (cromossomos). Cada por­ção da molécula, que apresenta diferentes combinações de substân­cias químicas, provoca o aparecimento de uma determinada carac­terística da célula ou do próprio organismo.

anemia

Célula reticular primitiva

No adulto, a grande maioria das células do sangue é produzida pela medula óssea, o miolo gelatinoso que preenche o interior dos ossos longos. Os tecidos linfóides, localiza­dos principalmente no baço, timo, amígdalas, gânglios linfáticos, e placas de Peyer do intestino também colaboram na tarefa. Mas a própria medula óssea contém tecido linfóide e, em situações espe­ciais, encarrega-se praticamente sozinha da produção de todas as células do sangue.

A matriz celular, existente na medula óssea e nos tecidos linfóí­des, é a chamada célula reticular primitiva. que aparece nas primei­ras fases de formação do organismo do embrião. O estoque de célu­las reticulares primitivas funciona no organismo como uma fonte permanente de células do sangue.

A célula reticular primitiva dá origem a dois tipos de células completamente distintas, com fun­ções antagónicas. Umas, chamadas reticuloendoteliais, são encon­tradas no interior de determinados órgãos e desempenham função protetora, englobando partículas estranhas; outras – os hemocito­blastos – são células produtoras de sangue: delas se originam os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas.

Linhagens Diversas

As células reticulares primitivas en­contram-se dispersas em redes no interior da medula dos ossos e nos tecidos linfóides. Libertarem-se é o primeiro passo para que possam originar células sanguíneas circulantes.

Destacam-se da rede, arredondam-se e instalam-se entre suas malhas. Logo que se libertam da rede, passam a ser denominadas hemocitoblastos. E são capazes de se diferenciar para dar origem a três linhagens diferentes de células sanguíneas: a dos glóbulos vermelhos, a dos glóbulos brancos com grânulos no citoplasma (granulócitos) e a das plaquetas.

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No entanto, admite-se que tam­bém glóbulos brancos sem grânulos no citoplasma – linfócitos e monócitos – se originem delas.

Mas, os hemocitoblastos não originam diretamente as células do sangue. Existem muitos passos intermediários: a evolução é gra­ dual. Cada etapa é constituída por uma célula um tanto diferente daquela que a precedeu, bem como da seguinte.

Normalmente, só aparecem no sangue circulante as células ma­duras. Em certas doenças, porém, as células intermediárias entre as células-mãe e os glóbulos vermelhos maduros e os granulócitos podem entrar na circulação; o exame comum de sangue (hemogra­ma) revela essa alteração. Em casos muito especiais, até os hemoci toblastos podem deixar a medula e cair na circulação, antes que a célula sangüínea esteja formada.

Linhagem Vermelha

O hemocitoblasto é uma célula vo­lumosa que apresenta um núcleo ovóide. Nas malhas da rede do interior da medula óssea, os hemocitoblastos dividem-se e originam células um pouco menores, os proerilroblastos, cujo núcleo é mais purpurino, característica que o diferencia facilmente. Essas células se dividem e originam os chamados eritroblastos (geradores de gló­bulos vermelhos).

E destes, há duas variedades: a inicial, eritroblas­lo basófilo, tem essa denominação devido à cor arroxeada do cito­plasma. Dois corantes naturais oferecem a pigmentação caracterís­tica do sangue. Os básicos conferem uma cor arroxeada: é o caso dos eritroblastos basófilos. Os ácidos determinam uma coloração avermelhada.

Na outra variedade, os eritroblastos policromatófilos, o citoplas­ma tem afinidade por vários pigmentos, ou seja, é corado pelos dois componentes dos corantes comuns do sangue. Sua afinidade por corantes ácidos decorre do aparecimento de hemoglobina no interior da célula. O pigmento vai sendo sintetizado pelo citoplas­ma e mistura-se com o material citoplasmático que era fundamen­talmente basófilo.

Continuando a dividir-se, os eritroblastos policromatófilos per­dem a afinidade por corantes básicos, ou seja, arroxeados, pelo de­saparecimento do ácido ribonucléico (um dos ácidos nucléicos), até então presente no local. Transformam-se, assim, nos chamados ci­iroblastos ortocromáticos (de cor uniforme). O passo seguinte, com a perda do núcleo, é o aparecimento dos glóbulos vermelhos madu­ros, anucleados, também chamados eritrócitos.

circulação

Linhagem Branca

Os três tipos de leucócitos granulosos (granulócitos) que se desenvolvem nas malhas do retículo da medu­la vermelha dos ossos descendem do hemocitoblasto e são produzi­dos pela diferenciação em três subclasses. Inicialmente, todas as três formam-se a partir de uma célula única, o mieloblasto. Do mieloblasto originam-se, por sua vez, os promielócitos, quase iguais ao mieloblasto, mas que se distinguem; sobretudo, pela pre­sença de grânulos no citoplasma.

Conforme os grânulos sejam violeta, azuis ou vermelhos, os promielócitos podem ser classificados em neutrófilos, eosinófllos e basófilos. O segundo grande passo na linhagem de glóbulos brancos é a formação de mielócitos, a partir de promielócitos.

menos transformações, embora apresente um contorno irregular.

PLAQUETAS E CÉLULAS GIGANTES

Os hemocitoblastos são capazes de se diferenciar numa terceira linha, a fim de forma­rem os chamados megacarlócitos (de mega, gigante; carlos, núcleo; cito, célula). Como seu nome indica, apresentam núcleos caracte­risticamente grandes.

LINFÓCITOS E MONÓCITOS

Na vida extra-uterina, o teci­do linfóide, que forma a estrutura básica do baço, dos gânglios lin­fáticos, timo e outros órgãos, encarrega-se da produção da grande maioria de linfócitos e monócitos (leucócitos sem grânulos no cito­plasma).

Células reticulares primitivas também são abundantes nos tecidos linfóides Da mesma maneira, hemocitoblastos também es­tão presentes nesses órgãos, dando origem a linfoblastos e mono­blastos. Após uma série de transformações, surgem os linfócitos e monócitos.



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