Medula Espinhal – O que é? Divisões – Anatomia Humana

Existem dois grandes grupos de animais: invertebrados e vertebrados. Este último – que inclui peixes, aves, répteis, anfíbios e mamíferos – caracteriza-se pela presença da coluna vertebral, um conjunto de mais de trinta vértebras que forma um canal ósseo, ao longo da maior parte do corpo. A coluna é responsável pela proteção da medula espinhal, continuação da porção do sistema nervoso alojada dentro do crânio.

A existência de medula espinhal nos vertebrados, juntamente com a grande especialização do encéfalo, coloca esses animais no ponto mais avançado da linha de evolução das espécies. No homem, essa especialização atingiu o grau mais elevado: determinada porção do encéfalo, que corresponde aos dois hemisférios que compõem o cérebro, evoluiu de maneira muito particular.

O aperfeiçoamento especial da estrutura nervosa humana é o principal responsável pelas características que distinguem o homem dos outros animais. A elevada especialização do encéfalo permite o controle racional e o treinamento orientado dos movimentos e ações que são comandados através da medula. Para se ter uma ideia da orientação dos reflexos, a preensão é um reflexo primitivo no homem e também em outros animais, como os macacos, por exemplo.

Mas o homem treina e orienta de tal forma a conduta motora que consegue não só controlar os movimentos executados, como chegar ao refinamento de utilizar as mãos com inúmeras outras finalidades. Desenhar, controlar máquinas, elaborar esculturas, fabricar utensílios e até mesmo executar determinados jogos e exercícios resultam da orientação e treinamento da atividade motora pelos centros superiores. A sistematização e aprendizado dos movimentos são comandados pelo cérebro, mas os centros encarregados de retransmitir ordens de movimento aos membros estão localizados na medula.
Além de funcionar como “estação retransmissora” das ordens expedidas pelo cérebro e dos estímulos exteriores até os centros do encéfalo, a medula tem outras funções. Alguns impulsos mais simples não precisam passar pelo encéfalo: são elaborados a partir da própria medula. Exemplo disso éo conhecido reflexo provocado pelo médico ao bater com um martelo especial no joelho do paciente. A perna reage, independente da vontade ou da conscientização do indivíduo. Mesmo que a pessoa tente, não consegue impedir a reação reflexa, visto que o cérebro não tem nenhuma participação nessa resposta: ela é produzida a partir dos centros da medula que controlam os movimentos dos membros inferiores.

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ESTRUTURA MEDULAR

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Com quase meio metro de comprimento (cerca de 44 centímetros), a medula espinhal do adulto é uma das mais importantes estruturas do corpo humano. Começa junto à cabeça, em conexão direta com o encéfalo. A porção mais baixa do tronco cerebral, o chamado bulbo, ou medula oblonga, liga-se diretamente à porção inicial da medula espinhal. Embora não haja limites nítidos entre uma e outra estrutura, o grande orifício occipital, na base do crânio, é considerado como limite entre as duas partes do sistema nervoso central: encéfalo e medula.

Da base do crânio, a medula se estende pelo tronco, até o nível da primeira ou segunda vértebra lombar, pouco acima da cintura. Aí, termina em forma de um cone (cone medular), que é envolvido por um tecido conjuntivo especial, meníngeo, que se estende até o cóccix. É ofliamento terminal, que liga a medula à coluna vertebral. Na porção final da medula localizam-se, além do filamento terminal, as raízes dos últimos nervos espinhais. Dispostos em torno do cone medular e do filamento terminal, esses nervos formam uma espécie de “cabeleira” nervosa, que foi comparada à cauda de um cavalo: é o trecho denominado cauda equina.

No adulto, a medula propriamente dita é mais curta que o canal vertebral e termina com os nervos dispostos de maneira muito especial. A causa disso é a diferença que existe entre o ritmo de crescimento da coluna vertebral e da medula espinhal. Durante o processo de desenvolvimento da criança, a coluna cresce mais que a medula, que não chega a ocupar toda a extensão do canal.

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Essa característica, muito importante, sempre é levada em consideração nos casos em que é necessária uma punção na espinha. Por exemplo, para aplicar a raquianestesia, a agulha é introduzida num ponto da coluna vertebral em que não há risco de atingir a medula. O líquido cefalorraquidiano, líquido especial que banha todo o sistema nervoso central, também pode ser colhido dessa maneira. Sua análise permite diagnosticar muitas infecções ao nível do sistema nervoso, como por exemplo a meningite.

Nos dois casos – da anestesia raquidiana ou da colheita de líquido cefalorraquidiano – o paciente pode sentir uma ligeira sensação de formigamento ou de choque numa das pernas, no momento em que a agulha é introduzida. Isso porque, na altura da cauda eqüina, a agulha pode encostar numa das raízes nervosas responsáveis pela sensibilidade dos membros inferiores.

NERVOS E FIBRAS NERVOSAS

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Ao longo de toda a medula, 33 pares de nervos conduzem impulsos que chegam a ela e dela partem. Para fins de estudo, a medula é dividida em segmentos e de cada segmento saem os nervos responsáveis pela inervação de uma região do corpo. Da porção cervical, trecho correspondente ao pescoço, emergem oito pares; da medula torácica emergem doze pares; da região lombar, cinco; da região sacra], cinco; e da região coccígea, porção terminal da medula, três.

As fibras nervosas que servem aos membros superiores e inferiores emergem, respectivamente, das regiões cervical e lombar. Nesses níveis, um grande agrupamento de células nervosas (neurônios) origina as fibras que, reunidas, constituem os nervos. As células responsáveis pelos nervos que se destinam aos membros sio muito numerosas; por essa razão, podem ser observadas, ao longo da coluna, duas ligeiras dilatações, que correspondem a esses aglo merados. São as chamadas intumescências cervical e lombar.

O nome de nervo só é dado ao trecho do tecido nervoso que está fora da coluna vertebral. Para que cada raiz possa emergir e o nervo possa estender-se para fora do canal ósseo que protege toda a medula, existem aberturas especiais. Entre uma e outra vértebra, há pequenos espaços destinados à passagem dos nervos. Daí, os nervos saem para distribuir-se pelo corpo.
Em linhas gerais, pode-se dizer que a medula é um longo cordão de forma aproximadamente cilíndrica mas de superfície irregular, que se estende por grande parte do corpà humano e tem funções de importância fundamental por toda a vida do homem. Para tanto, a medula tem uma estrutura interna muito especial e conta ainda com muitos recursos de proteção e sustentação, além da caixa óssea formada pelo canal vertebral.

 

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