Placas Motoras – Pra que Servem? Onde ficam, Dicas e Muito Mais!

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As placas motoras são conexões entre as terminações nervosas e as fibras musculares, e transmitem impulsos a alta velocidade.

Neste artigo falaremos sobre Placas Motoras – Pra que Servem? Onde ficam, Dicas e Muito Mais!

Placas Motoras – Pra que Servem? Onde ficam, Dicas e Muito Mais!

PLACAS MOTORAS

A utilização de drogas que bloqueiam a contração de músculos esqueléticos – aqueles que podem ser controlados pela vontade – hoje não passa de mera rotina anestésica.

Nem sempre a anestesia chega a deixar relaxados todos os mús­culos. A rotina de que se servem atualmente as equipes operatórias somente se tornou realidade após a II Guerra Mundial – durante as guerras desenvolvem-se particularmente não só a tecnologia bé­lica, mas também diversos setores da medicina, em especial a me­dicina de urgência.

A elaboração dos bloqueadores musculares só foi possível atra­vés de duas contribuições díspares: um veneno utilizado há sécu­los pelos índios sul-americanos e o desenvolvimento da moderna técnica farmacêutica.

A ação fulminante exercida pelo curare contido nas flechas dos nativos sempre espantou o explorador do Novo Mundo. O fundar dor da moderna fisiologia. Claude Bernard, foi o primeiro cientis­ta a demonstrar que o curare impede a resposta muscular diante de estímulos nervosos.

No entanto, o grande fisiologista iria mais longe: mostrou que a contração muscular ainda é possível, nessas condições, se o estimulo for aplicado diretamente ao músculo choque elétrico, por exemplo. Concluiu então que o veneno atuava somente na junção neuromuscular.

O curare, na verdade, provoca a morte de pássaros, mamíferos e até mesmo de seres humanos, em virtude da ação bloqueadora que exerce nas ligações entre os nervos motores – que comandam a contração muscular – e os músculos voluntários. O animal morre asfixiado pela imobilização dos músculos respiratórios.

Fibra nervosa é cada um dos longos prolongamentos das célu­las nervosas, enfeixados dentro dos nervos. São fibras desse tipo que conduzem impulsos motores e terminam ao redor de uma ou mais fibras musculares. A conexão entre uma terminação nervosa e uma fibra muscular é a placa motora.

Nessa estrutura microscó­pica o impulso se transmite da fibra nervosa à fibra muscular. A exemplo das sinapses nervosas – “relês” de conexão entre duas células nervosas -, as placas motoras encarregam-se de propagar o impulso nervoso que determina a contração da célula muscular, num processo químico de alta velocidade.

Da mesma maneira que as sinapses, as placas motoras contêm numerosas estruturas que só foram descobertas com auxilio do mi­croscópio eletrônico.

A fibra nervosa motora, situada nas vizi­nhanças musculares, fica completamente descoberta, isto é, sem as bainhas de revestimento, e divide-se em ramificações terminais que estabelecem íntimo e extenso contato com uma zona especial da membrana da fibra muscular. É exatamente essa zona que rece­be a denominação de placa motora.

A QUÍMICA INTERVÊM

Ao atingir as terminações nervo­sas, o impulso determina a liberação de acetilcolina, substância química armazenada em vesículas ultramicroscópicas existentes na ponta da terminação nervosa. A acetilcolina encarrega-se de transmitir o impulso nervoso, agora sob forma química, à fibra muscular.

Para isso, após sua liberação das vesículas da extremi­dade nervosa, ela se difunde na placa motora. Liga-se quimicamen­te com receptores especiais, localizados na placa motora. Essa li­gação determina uma alteração elétrica local que desencadeará a

resposta. Quando uma quantidade suficiente de acetílcolina deter-Minou a alteração elétrica da placa motora necessária para provo­car uma modificação da fibra muscular, esta responde. Verifica-se a contração, sinal de que a alteração elétrica da placa motora foi da ordem de 120 milésimos de volt.

Quando as fibras musculares estão em repouso, diz-se que estão polarizadas: a membrana celu­lar que as envolve tem carga elétrica orientada em determinado sentido. Quando ocorre a alteração elétrica, fala-se em despolari­zação da fibra muscular.

A acetilcolina, portanto, interfere no equi­líbrio elétrico da fibra muscular e atua como “despolarizante”. Por atuar como intermediário entre o impulso nervoso e a contra­ção muscular, a acetilcolina é denominada mediador químico na transmissão neuromuscular.

UMA SUBSTÂNCIA “EXPLOSIVA”

A chegada de um único impulso nervoso provoca a libertação maciça de quase 10 mi­lhões de moléculas de acetilcolina numa única terminação nervosa motora. Para difundir-se no diminuto intervalo, entre a terminação nervosa e a placa motora, a acetilcolina leva alguns décimos de se­gundo.

A ação dessa substância química liberada por um único impulso nervoso deve ser muito breve, para que a membrana da placa terminal possa ser rapidamente repolarizada e de novo tor­nar-se sensível a outro estímulo nervoso.

Somente desse modo po­de a contração muscular ser graduada delicadamente em resposta às diferentes frequências de estimulação.

Para remover a acetilcolina do local onde é liberada, o organis­mo vale-se de dois recursos: uma parte é espalhada, e o restante é destruído pela colinesterase, enzima “fabricada” exclusivamente para esse fim.

Os minúsculos ramos da fibra nervosa motora têm que excitar, sem falha nem demora, uma célula efetora, muito maior: a fibra muscular. As correntes de íons, que constituem o impulso nervoso, devem ser ampliadas consideravelmente.

A transmissão elétrica, apenas, não seria capaz disso, mas a “ajuda” da acetilcolina viabi­liza o processo. Portanto, aliado ao processo elétrico, ocorre tam­bém um processo químico, encarregado de “levar ordem” a todo o organismo.

Apesar de todos esses detalhes, um mistério ainda permanece: o mecanismo segundo o qual o impulso nervoso libera a acetilcolina nas terminações nervosas.

UM VENENO AUXILIAR

Sabe-se que a transmissão neuro­muscular pode ser bloqueada pela inibição da liberação de acetil­colina nas terminações nervosas. Ou então pode-se bloquear a ação da acetilcolina na placa motora. Placa motora em músculo de rã, fotografada com microscópio eletrônico.

No centro, é perfeitamente visível uma terminação nervosa, com vesiculas que contêm acetilcolina. Uma célula de Schwann reveste a fibra nervosa. Do lado oposto, nota-se a fenda sináptica, fissura que separa a fibra nervosa da muscular.

A toxina botulínica é um dos mais mortíferos venenos biológi­cos. Produzida por uma bactéria que se desenvolve especialmente em conservas deterioradas, combina-se irreversivelmente com as terminações nervosas motoras colinérgicas, interferindo na síntese ou na liberação da acetilcolina.

Os pacientes atacados pelo temível botulismo, se não forem socorridos a tempo, tornam-se impos­sibilitados de contrair os músculos esqueléticos. Sobrevém dessa maneira a morte.

A tubocurarina — derivado sintético do primitivo curare — é uma droga indispensável na pequena farmácia de anestesia existen­ te em toda sala cirúrgica.

Nem a droga sintética nem a natural im­pedem a liberação de acetilcolina: simplesmente competem com ela, combinando-se quimicamente com os receptores da placa mo­tora, impedindo, dessa maneira, que a química do organismo se efetue.

E claro que a ação da tubocurarina precisa ser controlada. Para isso há outra droga, a neostigmina, que exerce ação antagônica à da enzima colinesterase. Esse contraveneno estimula um acúmulo de acetilcolina suficiente para deslocar a tubocurarina dos receptores da placa motora. Restabelece-se, desse modo, a transmissão neuromuscular.

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Imagem- emagrecimentourgente.com



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