Suco Gástrico – Estômago – Função e Produção

Do mesmo modo como ocorre com a saliva, a simples imagem dos alimentos, ou mesmo a ideia deles, pode constituir estímulo suficiente para determinar o inicio da secreção gástrica; o suco gástrico já deve estar presente quando o alimento chegar ao estômago.

A primeira fase da secreção é essencialmente de natureza reflexa: a visão e odor dos alimentos estimulam os centros nervosos do vago, e a excitação se transmite através das fibras nervosas desse nervo até as glândulas que forram a mucosa do estômago. A secreção resultante é o chamado “suco psíquico” ou “do apetite”. Mas mesmo em jejum ocorre uma discreta secreção, de mecanismo ainda obscuro e que pode ser aumentada por fatores emocionais.

Quando o alimento começa a ser mastigado (ou simplesmente quando faz contato com a mucosa bucal), os estímulos reflexos aumentam de intensidade e a secreção torna-se mais abundante. Calcula-se que, no caso de o alimento ser saboroso, a secreção de suco gástrico, nessa fase, possa ser igual à metade de todo o suco produzido durante todo o processo digestivo do estômago.

As primeiras observações que se fizeram sobre a secreção de suco gástrico resultaram do aproveitamento das conseqüências de um acidente: um homem ferido acidentalmente por arma de fogo passou a viver com uma ferida aberta, ou fístula, na altura do estômago. O médico que o tratava, William Beaumont, instalou na fístula uma pequena janela de vidro e ocasionalmente fazia suas observações ao vivo. O episódio ocorreu no Canadá, em 1833.

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Também os estudos do fisiólogo russo Pavlov em animais trouxeram importante contribuição para esclarecimento do processo.

Abria-se e punha-se em contato com o exterior o esôfago de um cão (esofagostomia). A parte superior do esôfago passava a comunicar-se com o exterior por meio de uma fistula, na altura do pescoço, de modo a impossibilitar a passagem do alimento para o estômago. Também no estômago se procedia a uma abertura e comunicação com o exterior, por meio de uma cânula, que permitia recolher o suco gástrico.

Quando o animal comia, o alimento descia pelo esôfago até a fistula, onde era recolhido. Embora o alimento não fosse ingerido de fato, pois não chegava a atingir o estômago, o processo de secreção gástrica se instalava normalmente. A secreção também se mostrava tanto mais abundante quanto mais saborosos fossem os alimentos ingeridos.

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A aparência dos alimentos, o aroma e o paladar, acentuados pela maneira de prepará-los e temperá-los, exercem, portanto, influência decisiva no processo fisiológico da digestão, pois estimulam a secreção reflexa.

Meia hora depois de o último bocado ter sido engolido, termina a secreção reflexa. No entanto, como o alimento permanece no estômago, onde ficará por mais algum tempo, a produção de suco gástrico tem prosseguimento.

A FASE GÁSTRICA e o SUCO GÁSTRICO

Concluída a fase de secreção reflexa, tem início a fase gástrica, que é independente de qualquer influxo nervoso. Já se verificou que o processo ocorre mesmo quando todas as fibras nervosas do estômago são seccionadas.

Inicialmente, as glândulas são estimuladas pela distensão da parede do estômago, por ação da massa alimentar. Mas o estímulo químico é mais enérgico. Na carne e em muitos vegetais, encontram-se substâncias especiais capazes de provocar a atividade secretora da mucosa gástrica- Desta libera-se a gaslrina, hormônio que circula pela corrente sangüínea e retorna para estimular a atividade das glândulas secretoras de suco gástrico.

Outro estímulo origina-se do intestino delgado, em cuja mucosa é secretada a enterogastrona, outro hormônio que atua sobre as glândulas gástricas, estimulando a nrodução de suco digestivo.

 

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