Vias Sensitivas – O que são? O que fazem? Como funcionam?

 

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Esse complexo mecanismo envia constantemente aos centros superiores do cérebro informações sobre os mundos interior e exterior.

Em todos os momentos de vigília, ou seja, desperto e em condições normais, o homem permanece atento a tudo o que se passa a seu redor e, ao mesmo tempo, a tudo o que ocorre no interior de seu organismo.

No que diz respeito às informações sobre os mundos exterior e interior, o encéfalo do homem atua como uma agência de notícias. Sua matriz, localizada na caixa craniana, não se limita apenas a computar os dados recebidos, mas se encarrega também de sua transmissão e até retransmissão.

Os cabos e ramais dos inúmeros teletipos dessa “agência de notícias” são, por analogia, as vias nervosas que, especificamente no ramo de informações, recebem o nome de vias sensitivas. Neste artigo falaremos sobre Vias Sensitivas – O que são? O que fazem? Como funcionam?

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Vias Sensitivas – O que são? O que fazem? Como funcionam?

COMO ESTÃO AS VÍSCERAS

As informações do mundo interior, sobre como estão passando as vísceras, são veiculadas em grande parte pelos nervos glossofaríngeo e vago, respectivamente o IX e o X pares de nervos cranianos.

As células nervosas das quais provêm as fibras sensitivas desses nervos, destinadas a conduzir os impulsos nervosos (sensitivos e inconscientes) que dão noticias das vísceras ao sistema nervoso central, estão situadas em gânglios sensitivos anexos àqueles nervos.

São, respectivamente, os gânglios superior e inferior do nervo glossofaríngeo e gânglios superior e inferior do nervo vago. As vísceras inervadas por ambos são faringe, parte da língua, traqueia, esôfago, vísceras torácicas e abdominais, além de parte da pele do pavilhão da orelha.

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Os impulsos que chegam ao sistema nervoso central alcançam o núcleo do trato solitário, situado na região do bulbo, de onde são retransmitidos a diferentes centros do próprio sistema nervoso central.

Em outras palavras, o núcleo do trato solitário funciona como setor nacional da agência de notícias: recebe o noticiário dos correspondentes espalhados pelo pais e retransmite as informações para os vários centros do mesmo país.

E desses centros (que no caso são os do neuro eixo) partem as ordens de comando que têm por Finalidade regular, devidamente, o trabalho dos correspondentes — as vísceras, atuando diretamente nas vias sensitivas.

O SENTIDO VISUAL

Com relação ao mundo exterior, o encéfalo subdivide em vários setores especializados a tarefa de captar as informações de fora do corpo humano.

Seus “correspondentes”, os sentidos, localizados em pontos estratégicos próximos das fronteiras entre o organismo e o mundo que o cerca, servem-se da mesma rede para fazer chegar ao sistema nervoso central as informações sobre o mundo exterior.

Um desses correspondentes é a retina do olho. Os estímulos luminosos, provenientes das coisas observadas, agem sobre os dois tipos de células visuais da retina: os cones e os bastonetes.

Os im­pulsos nervosos neles originados são retransmitidos às células bi­polares e destas às ganglionares da retina, das quais provêm as Li­bras que constituem o nervo óptico, 11 par craniano.

É por esse in­trincado trajeto que as vias ópticas conduzem os impulsos (que “transportam” as imagens observadas) da retina para a cavidade craniana.

Ao penetrar na cavidade craniana, o nervo óptico proce­dente de uma das retinas une-se a seu correspondente da outra reti­na e assim formam o quiasma óptico. Nele ocorre um cruzamento parcial de fibras dos nervos ópticos esquerdo e direito.

Dessa for­ma, as fibras provenientes das regiões nasais da retina – assim chamadas porque estão na porção do olho mais próxima do nariz

cruzam-se com as correspondentes do lado oposto; as prove­nientes das regiões temporais da retina – porque estão na porção do olho mais próxima das têmporas — permanecem do mesmo la­do, sem cruzamento.

Logo após esse cruzamento parcial e estando novamente agru­padas, as fibras vão constituir o chamado trato óptico, um de cada lado, cada qual possuindo fibras nervosas de ambos os olhos.

Em seguida, as fibras nervosas de cada trato óptico conduzem impul­sos visuais provenientes das retinas em direção a diferentes cen­tros nervosos, de onde são retransmitidos para outros centros ner­vosos.

Nessas passagens de um centro para outro são estabeleci­das as devidas interligações de circuitos, com os consequentes re­flexos que permitem ao indivíduo tomar consciência dos fenôme­nos que foram observados, dando assim origem as vias sensitivas.

OS CAMINHOS DA AUDIÇÃO

Através de esquemas seme­lhantes, chegam ao encéfalo as informações que os outros corres­pondentes fornecem sobre o mundo exterior. Assim, é através das vias acústicas que os impulsos do ouvido chegam até os centros ce­rebrais especializados na audição.

As ondas sonoras, agindo sobre a membrana do tímpano, determinam vibrações que se propagam através do martelo, da bigoma e do estribo, ossículos do ouvido médio. Encaixados de maneira especial, transmitem as vibrações que alcançam, no ouvido interno, o órgão espiral de Corti, situado no interior da côdea ou caracol.

O nervo coclear faz parte do nervo vestibulococlear e termina nos núcleos cocleares da ponte. Desses núcleos os impulsos são retransmitidos a outros centros, até que atin­gem o centro cerebral da audição.

Depois de percorrer tantos ca­minhos, o som é interpretado e, conforme o estimulo recebido (voz, música ou ruído), é formulada uma resposta adequada dessas forma os caminhos da audição funcionam nas vias sensitivas.

EQUILÍBRIO POR OUVIDO

Os impulsos relacionados com o equilíbrio do corpo são conduzidos pelas vias denominadas ves­tibulares, que vão desde o ouvido interno até o sistema nervoso central. Por não alcançarem os centros cerebrais superiores, esses impulsos permanecem em nível inconsciente. São responsáveis pe­lo enjôo cm viagens de avião, navio ou automóvel.

O mal-estar manifesta-se no estômago, há dor de cabeça e até vómitos, mas tudo começa dentro do ouvido interno, num labirin­to alojado dentro do vestíbulo e dos canais semicirculares. São as estruturas do labirinto que desencadeiam, devido ao balançar cons­tante, os impulsos nervosos tão indesejáveis.

Os remédios que evi­tam o enjôo agem de forma a impedir o desencadeamento desses impulsos e, por essa razão, muitos deles provocam a sonolência em certas pessoas, ao causarem o bloqueio de outros impulsos.

As mudanças de posição da cabeça atuam sobre as estruturas do labirinto que, por sua vez, estimulam as terminações nervosas das células do gânglio vestibular de Scarpa.

Os impulsos nervosos assim desencadeados caminham pelo nervo vestibular até os nú­cleos vestibulares, no tronco ferebral, de onde são retransmitidos a outros centros nervosos (inclusive o cerebelo) para que possa ha­ver equilíbrio e coordenação dos movimentos do corpo.

O PALADAR NO NARIZ

São as fibras de três pares de ner­vos cranianos (intermédio, glossofaríngeo e vago) que conduzem as sensações gustativas desde os receptores, corpúsculos situados em papilas da língua, até o sistema nervoso central.

As fibras des­ses nervos, ao penetrarem no tronco cerebral, constituem o trato solitário, que termina no núcleo de mesmo nome. Deste, os impulsos nervosos são retransmitidos a outros cen­tros, ainda pouco conhecidos, que permitem ao ser humano identificar o sabor dos alimentos.

Pelo sentido do gosto – exclusivamente – reconhece-se apenas o salgado, o doce, o azedo e o amargo. Isso porque as diferenças de paladar estão na dependência do sentido do olfato.

Neste artigo falamos sobre Vias Sensitivas – O que são? O que fazem? Como funcionam 

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Imagem- escolaeducacao.com.br