Apendicite Aguda: O que é? – Onde fica o apêndice? | Cirurgia

Em geral, considera-se que a apendicite decorre da infecção do órgão anteriormente obstruído por concreções fecais ou depósitos de muco. Os germes mais comumente responsabilizados pela apendicite são os estafilococos e os estreptococos: ao atacarem a submucosa do apêndice, esses microrganismos facilitariam a ação patogênica de outras bactérias contidas na cavidade. O fato de os cirurgiões quase nunca encontrarem sementes de frutas nos apêndices extirpados parece excluir a suposição, muito difundida, de que tais agentes sejam causa importante da inflamação.

O caráter acidental e reversível das causas de apendicite explicaria o fato de muitos casos da moléstia apresentarem cura espontânea, com cicatrização e formação de um tecido fibroso no local. Em qualquer caso, a intensidade do processo patológico e o envolvimento das camadas de tecido podem definir três fases distintas da apendicite. Na primeira, chamada apendicite catarral aguda, a inflamação se restringe à mucosa do órgão, que se apresenta incha da (edema) e vermelha (hiperemia).

A segunda etapa, denominada apendicite purulenta, caracteriza-se pelo aumento do apêndice, que se torna espesso e adquire coloração escura, em geral vermelha ou marrom. A superfície interna recobre-se de material infectado e as camadas subjacentes à mucosa são atingidas. É o “apêndice supurado’

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Na última fase, dita apendicite gangrenosa, formam-se abscessos, os tecidos começam a se destruir (necrose) e o apêndice entra em putrefação, devido ao edema que comprime fortemente os vasos sanguíneos, impedindo a corrente de sangue de circular convenientemente pelos tecidos.

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Nesse período, poderá ocorrer apodrecimento do apêndice e extravasamento do material infectado para a cavidade abdominal, com subseqüente inflamação da membrana que a recobre (o peritônio). Disso decorre peritonite localizada ou generalizada, que, por sua vez, pode provocar infecção de todo o sangue (septicemia), circunstância muitas vezes mortal.

 

Sintomas e Tratamento da Apendicite

Inicialmente, a apendicite aguda se anuncia por falta de apetite, náuseas, vômitos efebre baixa. Os sintomas característicos mais tardios são dor na fossa ilfaca direita e endurecimento dos músculos do abdome (defesa abdominal, destinada a diminuir a dor, impedindo que a região inflamada seja comprimida). Na apendicite crônica, a sintomatologia se resume a sensação de fraqueza (astenia), acessos de febre baixa, náuseas e dores vagas na fossa ilíaca direita.

Contudo, qualquer que seja o tipo de apendicite, o tratamento mais eficaz é a retirada do órgão (apendicectomia), embora alguns casos possam, teoricamente, ser resolvidos pela administração de antibióticos próprios. Dificilmente, porém, o médico poderá confiar nos resultados de um tratamento dessa natureza: a doença pode ser mortal em caso de falha e, além disso, mesmo que a crise seja dominada, o paciente está exposto a uma próxima, de gravidade imprevisível.

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Onde fica o apendicite?

O apêndice se localiza no quadrante inferior direito do abdômen. Porém, nas primeiras horas é comum a dor surgir na região do umbigo.

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Operação: A cirurgia de apendicite

A operação de apêndice é a mais comum de todas as intervenções abdominais em todo o mundo. Mas não é sempre tão simples quanto seria de se supor em cirurgia tão freqüente. As variações de posição do apêndice podem criar complicações que somente a técnica desenvolvida pela experiência pode resolver satisfatoriamente. Em casos comuns, porém, a apendicectomia típica consiste apenas na retirada do apêndice, cujo coto é voltado para o interior do ceco (sepultamento do coto), a fim de evitar aderências com o peritônio.

Para isso, a incisão clássica é a de McBurney, com 2 a 3 em de extensão,feita transversalmente na fossa ilíaca direita. Ocasionalmente, o médico poderá fazer uma incisão mediana, em linha vertical no meio do abdome. O tipo de incisão é determinado pela posição anatômica do apêndice e a intensidade do processo inflamatório.

Num caso de peritonite, por exemplo, é imprescindível que toda a cavidade abdominal fique livre de material infectado. O operador escolhe, então, uma incisão mais ampla, que possibilite melhor visualiza ção e melhores condições para realizar a intervenção cirúrgica.

Algumas vezes, o paciente protesta contra o fato de a operação a que se submeteu ter sido desnecessária: o médico admite que a inflamação não era muito séria ou, então, que nem mesmo havia infecção. Ainda assim, é preferível o risco de uma operação desnecessária que uma intervenção tardia, em que as condições desfavoráveis dificultem a extirpa çüo e cheguem ao ponto de ameaçar a vida do paciente.

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