Pericardite Aguda e Constritiva – Tratamentos e Cirurgia

O pericárdio é um folheto duplo que envolve o coração e o isola dos tecidos circunjacentes. Formam-no uma película externa que adere à parede de órgãos vizinhos e uma película interna aderente ao coração. Entre as duas películas ou folhetos. o espaço é virtualmente nulo, em condições normais.

Há duas causas básicas que podem levar o médico a decidir sobre a necessidade de realizar a cirurgia o pericárdio: inflamação aguda com derrame pericárdico ou inflamação crônica. Os tumores malignos do pericárdio, muito raros e em geral incuráveis, são tratados por radioterapia.

Pericardite Aguda

As pericardites agudas são geralmente complicações resultantes de infecção das vias respiratórias. Quando decorrente de pneumonia ou outras infecções, como osteomielite (inflamação da medula dos ossos) ou empiema pleural (pus na pleura), a pericardite aguda pode ser de natureza purulenta. Nesse caso, o derrame pode levar ao tamponamento cardíaco – tolhimento das contrações e distensões do coração.

Para restituir a liberdade de batimentos do coração, o médico dispõe de dois recursos alternativos: punção ou drenagem.

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A punção consiste em introduzir uma agulha de baixo para cima, até o espaço entre os dois folhetos, e aspirar o líquido acumulado. Ela serve também para confirmação do diagnóstico. Se no líquido não houver pus. o tratamento poderá dispensar a cirurgia e limitar-se a repouso, dieta apropriada, antibióticos e outras drogas anti-inflamatórias. Além, naturalmente, do tratamento da doença que tenha causado a pericardite.

Em caso de pericardite aguda purulenta, impõe-se uma drenagem do pericárdio. Para isso, abre-se uma incisão no tórax e no pericárdio e introduz-se no espaço entre os dois folhetos um tubo ou fita de borracha (dreno). Depois de umas seis semanas, o tubo poderá ser retirado.

Pericardio

Pericardite Crônica: Adesiva e Constritiva

A característica principal da pericardite crônica é um depósito de fibrina nos folhetos, do que decorre um endurecimento de todo o pericárdio. Dentro dessa carapaça fibrosa, o coração pode perder muito de sua mobilidade.

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Existem três tipos de pericardite crônica: a pericardite adesiva, a pericardite crônica recidivante e a pericardite constritiva. A primeira, que é a mais freqüente, em geral não traz maiores problemas e, na maioria das vezes, não exige tratamento. Já a pericardite crônica recidivante se caracteriza por derrames sucessivos depois de efetuada a punção, erigindo cirurgia.

A pericardite constritiva impede parcialmente as contrações cardíacas e pode causar insuficiência cardíaca com conseqüente estagnação do sangue nas veias, crescimento exagerado do Fígado e acúmulo de água no abdome (ascite). Paralelamente, outras áreas do corpo insuficientemente nutridas começam a se atrofiar e degenerar. O único tratamento é a cirurgia, que consiste na remoção da carapaça formada pelo pericárdio fibrosado (decorticação) que aderiu à superfície do coração.

O êxito da operação depende em grande parte do estado evolutivo da doença, pois a constrição em geral afeta o miocárdio tanto pela limitação dos movimentos como pelo grau da calcificação do tecido na superfície da parede cardíaca.

Cirurgia do Pericárdio

Apresentamos dois tipos de intervenção sobre o pericárdio:

A) abertura lateral do tórax (toracotomia lateral) através da pleura esquerda para tratamento da pericardite adesiva. O pericárdio aparece levemente espessado e adere à parede
do ventrículo direito, que se liberta quando o cirurgião puxa o pericárdio para cortar as aderências;

B) abertura central do esterno (esternotomia mediana) para atingir o tórax, no tratamento da pericardite constritiva. O pericárdio mostra-se muito espesso, fibrosado e parcialmente calcificado. O cirurgião remove a parte afetada.

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