Coração-pulmão Artificial – Como Funciona? O que é?

O coração-pulmão artificial é uma das grandes conquistas da moderna técnica aplicada à cirurgia. O aparelho que substitui artificialmente o coração e o pulmão no trabalho de manter a circulação sanguínea tornou possível a realização de operações com o coração aberto, completamente visível e isolado da circulação. Com isso, podem ser resolvidos problemas cardíacos antes sem solução.

A MÁQUINA: coração-pulmão artificial

O aparelho que permite a circulação extracorpórea consiste basicamente de dois conjuntos. O primeiro é o oxigenador, que recolhe o sangue venoso e o “arterializa substituindo a tarefa que é naturalmente efetuada pelo pulmão: trata-se do pulmão artificial.

Coraçao-pulmao-Artificial

Sobre o conjunto de bombas propulsoras ergue-se um cilindro de vidro, o oxigenador de discos. No interior do cilindro, giram discos ondulados de aço inoxidável, em torno de um eixo comum. A função desses discos é a de laminar o sangue venoso, que vem das veias cavas impelido pela gravidade. As bombas do oxigenador pressionam o oxigênio, empurrando-o para dentro do cilindro.

Através de um finíssimo tubo perfurado, o oxigênio se espalha pelo cilindro de modo uniforme. A fina película de sangue que se forma sobre as superfícies onduladas dos discos absorve o oxigênio e transforma-se em sangue arterial.

O número de discos não é o mesmo para qualquer intervenção. Precisa variar de acordo com a quantidade de sangue que deve ser mantida em circulação. As necessidades orgânicas de trocas metabólicas variam conforme a área de superfície viva existente. Por isso, o número de discos varia conforme o peso e a altura, ou seja, a superfície corpórea do paciente. Por exemplo: até 10 kg de peso exigem 35 discos; para um adulto de mais de 60 kg são necessários 120 discos.

Oxigenação e aquecimento

Dentro do mesmo oxigenador, também a temperatura do sangue é controlada; por meio de lâmpadas infravermelhas, o sangue em circulação é aquecido. Existe outro sistema de oxigenação do sangue, através do oxigenador de bolhas.

É o mais antigo sistema para se obter esse efeito, ainda empregado em muitos centros cirúrgicos. Entre os oxigenadores de bolhas, um dos mais utilizados é o de plástico. A vantagem desse aparelho é que pode ser montado com facilidade, para ser utilizado em situações de emergência.

Coração artificial

Após oxigenado, ou seja, arterializado, o sangue é reinjetado no doente, através de um ramo da aorta, em geral a artéria femoral.

Para isso é usada a bomba, ou coração artificial, o segundo conjunto básico do aparelho. A bomba arterial substitui a função do coração de impelir o sangue para entrar na circulação do organismo.

O coração artificial consta de dois raleies que giram em torno de um eixo. Com a rotação, os roletes comprimem continuamente um tubo flexível de látex, que faz as vezes dos vasos sanguíneos. Pressionado, o tubo impele o sangue para o corpo do paciente. Para manter a pressão arterial no ritmo necessário, a velocidade de bombeamento precisa ser bem regulada.

 

Circulação

circulação

Todo o sangue do paciente é aproveitado pelo aparelho de circulação extracorpórea. Até mesmo o sangue que normalmente se perderia, com a abertura do tórax e do coração, é recolhido num reservatório especial. Neste, uma esponja de aço inoxidável retém as bolhas que vêm misturadas ao sangue. Por desmanchar as bolhas o aparelho é denominado desborbulhador.

O desborbulhador é ligado ao oxigenador; o sangue que passa por ele é em seguida misturado ao sangue recolhido das veias cavas, no oxigenador. Dessa maneira, todo o sangue é reinjetado no paciente, sem se perder nada.

Por vezes, a temperatura do paciente precisa ser abaixada para que se efetue a cirurgia. Para esfriar ou aquecer o sangue é utilizado o permutador de calor, que consegue estabelecer rapidamente a temperatura necessária. O recurso à hipotermia (resfriamento do sangue) foi imaginado com base no comportamento dos animais que permanecem em hibernação.

Observou-se que nessas condições há um considerável decréscimo das trocas metabólicas necessárias. De fato, quando a temperatura corpórea cai a 30°C, as necessidades metabólicas se reduzem à metade.

Para se avaliar a quantidade e o volume de sangue que o organismo do paciente necessita para efetuar as trocas metabólicas, realizam-se seguidas dosagens sanguíneas. Se os limites que permitem o funcionamento normal do organismo são ultrapassados, adotam-se logo os recursos de tratamento necessários.

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