Descolamento de Placenta – Causas e Tratamentos

O descolamento extenso da placenta priva o feto de oxigenação normal, provocando graves lesões do sistema nervoso ou mesmo a morte. Com o desenvolvimento do feto, a placenta aumenta proporcionalmente de tamanho, até atingir seu volume máximo, no final da gravidez.

Atenção: É fundamental o acompanhamento de profissionais na rotina de qualquer grávida

Alguns minutos após a expulsão do feto, com o esvaziamento da cavidade uterina, a placenta encerra sua função. desprendendo-se do útero. Quando esse processo se antecipa, ou seja, quando o descolamento da placenta ocorre durante a gestação ou durante o próprio parto – antes da salda do bebê -, verifica-se uma alteração potencialmente grave: interrompe-se em parte – ou completamente, nos casos mais graves – o intercâmbio de substâncias entre a gestante e o feto.

Embora o descolamento da placenta possa ocorrer em abortos, a expressão descolamento prematuro da placenta é reservada aos casos em que esta se descola na segunda metade da gravidez. Só então o descolamento anormal tem sinais clínicos característicos.

placenta

Acreditava-se que um traumatismo violento sobre o abdome da gestante fosse causa comum de, descolamento da placenta. Ver(ficou-se, entretanto, que somente numa minoria de casos isso ocorre. Outra teoria, de certa repercussão, afirmava que o cordão umbilical anormalmente curto pudesse determinar o descolamento da placenta, por tração mecânica.

Contudo, não ficou comprovado que o comprimento médio do cordão seja menor em casos de descolamento prematuro da. placenta. Verificou-se, por outro lado, uma relação direta entre a ocorrência de pressão arterial elevada e descolamento prematuro da placenta. Calcula-se que gestantes hipertensas têm o triplo de possibilidades de descolamento prematuro do que gestantes com pressão normal.

Apesar de os mecanismos tido estarem ainda totalmente esclarecidos, constatou-se que o aumento da pressão arterial, durante algum tempo, determina alterações nos vasos da placenta. Eles se espessam e, em etapas finais, a passagem do sangue por seu interior fica bloqueada. A conseqüente falta de Irrigação determina o aparecimento de áreas de tecido morto – os chamados enfartes placentários. A presença de numerosos enfartes facilitaria a separação da placenta.

A estreita relação entre hipertensão na gravidez e descolamento placentário tem enorme importância prática. Na verdade, um dos objetivos fundamentais da moderna assistência pré-natal é a rigorosa prevenção da hipertensão e, conseqüentemente, do descolamento prematuro da placenta.

Por isso, ao menos uma vez por mês, a pressão arterial deve ser inspecionada com todo rigor. Comparativamente, gestantes que fizeram pré-natal apresentam muito menos possibilidades de descolamento do que as que não fizeram.

Hemorragia Fatal

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O descolamento anormal inicia-se com uma pequena área de hemorragia próxima à periferia da placenta. Forma-se, assim, uma pequena bolsa de sangue (hematoma) na placenta.

A medida que a hemorragia aumenta, os tecidos vizinhos ficam comprimidos, o que determina, por fim, a separação da placenta. Esta se abre em duas e descola-se da parede uterina.

Muitas vezes o descolamento permanece localizado, e só o exame da placenta, após o parto, permite descobrir a ocorrência da anormalidade. No descolamento localizado não há conseqüências para a mãe ou para o feto. Contudo, quando a hemorragia é mais intensa, há uma separação maior da placenta, que pode chegar à periferia do órgão. Como o útero ainda está distendido pela presença do feto, é incapaz de contrair-se e comprimir os vasos abertos na zona de separação.

O sangue proveniente dos vasos uterinos continua aforrar e, aos poucos, infiltra-se entre as membranas que envolvem o feto ou na própria parede uterina. Nesse processo, o sangue pode exteriorizar-se na vagina, em grande quantidade.

Outras vezes, porém, a hemorragia pode ficar oculta. A tendência da hemorragia é aumentar até que o feto e a placenta sejam retirados do útero. Só então pode contrair-se o suficiente para determinar o fechamento dos vasos sangrantes.

Além da hemorragia, ocorre um “endurecimento” acentuado do útero, facilmente percebido pela palpação abdominal. Ao contrário de outras hemorragias do final da gravidez, a gestante pode queixar-se de intensa dor abdominal.

E nos casos graves, a gestante deixa de sentir movimentos fetais. O diagnóstico de morte fetal é confirmado pela ausência de batimentos cardíacos do feto, à ausculta. Quando a hemorragia é volumosa, a gestante pode entrar em choque hemorrágico, com pressão arterial baixa, pulso rápido e débil, sudorese, palidez e inconsciência.

Entretanto, a menos que mais da metade da placenta se tenha descolado, os batimentos cardíacos fetais continuam audíveis. Muitas vezes, o único sinal de alarma é o grande aumento de consistência do útero.

Tratamento para Descolamento de Placenta

Nos descolamentos limitados, não há perigo para a gestante. O obstetra apenas precisa controlar os batimentos cardíacos fetais, cuja alteração indica deficiência de oxigenação, provável conseqüência da contração seguida do útero. Se o feto se mantiver bem, e o descolamento não aumentar, aparto pode transcorrer normalmente.

Nos descolamentos extensos, com grande hemorragia, o cuidado básico é a reposição do sangue perdido, para evitar ou corrigir o estado de choque hemorrágico. Deve ser feita uma rápida estimativa da capacidade de coagulação, a fim de se descobrir a possível queda do fibrinogênio circulante. Se esta for grande, deve ser injetado fibrinogênio (substância essencial aos processos de coagulação sanguínea) imediatamente.

Quando a contração permanente do útero, associada a grande perda de sangue (que em parte é do feto), determinar deficiência de oxigenação fetal, pode ser necessária a execução de uma cesariana. Como regra geral em medicina, no descolamento prematuro da placenta é muito mais importante prevenir do que remediar.

O pré-natal bem executado, com cuidadoso controle da pressão arterial e do aumento do peso, é condição básica para evitar o aumento da pressão e a conseqüente possibilidade de descolamento da placenta.

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