Extra-Sístole ventricular – Sintomas e Pausa compensatória – O que é?

Inesperadamente, o coração parece “saltar” e, logo em seguida, interromper sua cadência, para retomá-la depois de alguns segundos: é a extra-sístole. Sístole é a contração cardíaca em cada batimento. Extra-sístole, como o nome indica, é uma contração descompassada, em geral de menor intensidade, produzida por variadas causas.

A menos que essas causas sejam comprovadamente patológicas, a extra-sístole não é motivo para preocupação.
O mecanismo que regula o ritmo dos batimentos cardíacos depende de duas estruturas especiais que atuam no coração.

Palpitações no Coração

Ao contrário de quase todos os outros músculos do corpo, o coração não se contrai por ação de estímulos nervosos provenientes do sistema nervoso central, mas sim devido a estímulos que se originam do próprio músculo cardíaco.

Em condições fisiológicas normais, o impulso que leva as fibras musculares do coração a se contraírem origina-se do nado sinoatrial. O fluxo “elétrico “parte daí na freqüência média de 80 impulsos por minuto; em seguida, propaga-se em ondas concêntricas através da musculatura e chega ao nado átrio ventricular, situado pouco mais abaixo.

Além de possuir propriedades comuns às fibras cardíacas, o tecido do nado atrioventricular apresenta certo grau de refratariedade e d(ferente capacidade de condução. Esse nado interrompe, por frações de segundo, o fluxo recebido do nado sinoatrial, mas em seguida o retransmite através do feixe de Hiss e da rede de Purkinje, ambos dotados de alta condutibilidade e que terminam no tecido dos ventrículos.

O movimento de contração (Sístole)

batimentos

 

O movimento mecânico de contração (sístole) do feixe de Hiss e da rede de Purkinje esgota, numa fração de segundo, a energia do impulso recebido. Uma vez cessado o estímulo, portanto, a musculatura volta ao estado de relaxamento (diástole).

Uma contração resultante de outro estímulo, que se origina em alguma área diferente do coração, é a extra-sístole. Por que acontece, não se sabe. Como o impulso não se origina do nodo sinoatrial, os estímulos “extras “de interferência são sempre mais débeis. Mas outra causa, talvez, explicaria a menor intensidade do estímulo extra-sistólico: como o impulso ocorre fora de tempo, o ventrículo ainda não está cheio de sangue.

Enquanto o coração ainda está parcialmente contraído, na extra-sístole, chega o momento da contração normal. O nodo sinoatrial emite seu estímulo, mas nada acontece, seja porque o coração esteja contraído, seja por se encontrar no período de refratariedade. O estímulo se perde sem produzir nenhum efeito.

 

Pausa compensatória

pausa-compensatoria-Extra-Sistole

Como resultado, o coração demorará um pouco mais a bater outra vez, pois o tempo entre a extra-sístole e a primeira sístole eficiente que se segue é aproximadamente igual a 1,5 vez o intervalo normal. É a chamada “pausa compensatória”, que aflige alguns indivíduos mais sensíveis, para quem a sensação deparada nos batimentos cardíacos é exagerada.

A pausa compensatória, porém, nem sempre ocorre, pois tudo depende da coordenação acidental entre os efeitos da extra-sístole e os da sístole normal.

Poderá acontecer, porém, que, em virtude da pausa relativamente longa, o coração receba mais sangue que o normal (a passagem da válvula atrioventrícular fica aberta por mais tempo, sem que o ventrículo se esvazie, por falta de contração sistólica). Como resultado, a contração seguinte terá de ser proporcionalmente mais enérgica, para expulsar do ventrículo um volume anormalmente maior de sangue.

A batida do coração, nesse caso, será sentida pelo indivíduo, o que não acontece em condições normais. A reação psicológica é comparável à do susto, seguida da sensação desagradável de opressão e desfalecimento.

Sintomas de Extra-Sístole

A extra-sístole, quando sentida pelo indivíduo, poderá constituir um sintoma indicativo de determinadas doenças ou anormalidades.

Pode acontecer que as pessoas não percebam a extra -sístole,porém esse fenômeno é raro. Quando o médico perceber a ocorrência da alteração dos batimentos cardíacos, no decurso de um exame geral, deverá informar ao paciente o que ocorre e também, ao mesmo tempo, tranquiliza-lo quanto a possíveis conseqüências: a extra-sístole, por si, não causa nenhum dano ao organismo nem é, necessariamente, indicativa de lesão cardíaca.

Complicações

Clinicamente, sabe-se que a extra-sístole poderá resultar de um processo reumático, de excessos de secreção tireoidiana, de afecções das artérias coronárias que irrigam o coração. A origem pode ser mais grave, também: doenças infecciosas que tenham atingido o tecido cardíaco poderão provocar lesões que tornem a região anormalmente excitável.

Atribui-se também alguma importância a focos infecciosos remotos, como os abscessos dentários e as amigdalites crônicas, mas a relação não está suficientemente esclarecida. Sabe-se ainda que processos de degenerescência, que acometem o coração de pessoas idosas (arteriosclerose, hipertensão), podem determinar a ocorrência de extra-sístole.

Problemas no aparelho digestivo

Também distúrbios e lesões do aparelho digestivo ocorrem com certa simultaneidade em pessoas que apresentam extra-sístole freqüente, o que parece estabelecer alguma relação de causa e efeito. A cúmulo de gases no intestino, prisão de ventre, lesões da vesícula e dos rins têm sido apontados como causas possíveis do distúrbio cardíaco.

Ao certo, sabe-se que extra-sístoles repetidas são raras na infância e na adolescência, mas comuns depois dos 50 anos,

A menos que a pessoa efetivamente apresente alguma afecção cardíaca, a extra-sístole não é motivo para preocupação. Se a pessoa for impressionável e apresentar sintomas de desconforto psíquico, será o caso de administrar apenas o tratamento cabível a outras situações de ansiedade.

Nos indivíduos sãos, exercícios moderados fazem desaparecer a ocorrência de extra-sístole (mas a providência poderá ser contra-indicada para cardiopatias).

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