Gota – Tratamento, Prevenção, Sintomas, Dicas e Muito Mais

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Essa doença, originada pela incapacidade de eliminação dos excessos de ácido úrico, pode ter causas até psicológicas.
Em cada célula do organismo humano ocorre a presença de ácidos nucleicos, a substância essencial para uma reprodução celular ordenada.

O QUE É GOTA?

Diariamente, ao encerrar-se o ciclo fisiológico de milhões de células, essas substâncias passam ao sangue juntamente com outros resíduos, resultantes da decomposição das células mortas. E o organismo, automaticamente, desenvolve processos químicos destinados a eliminar tais resíduos inúteis, chamados catabólitos (de onde o nome catabolismo).

Durante o processo, de transformação em transformação, os ácidos nucleicos alcançam características inteiramente novas, agora com o nome de purinas, substâncias bem mais simples. E das purinas que provém a maior parte do ácido úrico.

Nas pessoas acometidas pela gota ou artrite úrica, os níveis de ácido úrico no sangue (ou de um sal derivado, o urato monossódico) aumentam para 15-20 ml.%, contra o teor normal de 4-5 ml%. Ao acumular-se nos tecidos das articulações, os cristais de ácido provocam inicialmente ataques agudos, caracterizados por dores.

Quando evoluem para um processo crônico, essas concentrações de ácido úrico causam deformações permanentes, comprometimento dos tecidos circunvizinhos e formação dos inchaços conhecidos como tofos. Casos avançados podem levar a lesões renais ou cardiovasculares tão graves que chegam a ser fatais.

SINTOMAS INICIAIS

A primeira crise de gota em geral surge inesperadamente, com frequência à noite. Localização mais comum da dor: o dedão do pé (hálux). Mas não é raro que a zona afetada seja a dos pulsos, dedos das mãos ou cotovelos. A crise muitas vezes é precedida por pontadas na região afetada.

Quando se tentam massagens, a dor aumenta, em vez de ser aliviada. Outros sintomas acentuam o mal-estar: sensação de cansaço, dor de cabeça, tensão nervosa. Durante a crise propriamente dita, a dor é tão intensa que até mesmo o peso das cobertas chega a ser insuportável.

A zona dolorosa, de tão sensível, pode impossibilitar a mais curta caminhada. Todo o sofrimento do paciente pode ser agravado, ainda, pelo surgimento da febre.

A crise dura alguns dias, em geral não mais que duas semanas; às vezes, apenas uns três dias. Ao fim do ataque, a articulação se torna dormente e inchada. Ocorre coceira e pequena descamação da pele na área afetada. Finalmente, todos os sinais desaparecem. Mas as crises voltam.

E com maior frequência, intensidade e duração. Também o número de articulações comprometidas aumenta à medida que o processo se agrava. Os intervalos entre as crises, porém, variam de uma pessoa para outra, nos limites de poucas semanas a vários meses.

Após alguns anos, a doença, quando não tratada, determina lesões crônicas das articulações atingidas. E nessa fase que aparecem os tofos. Os tofos são nódulos duros, formados por cristais de ácido úrico que impregnam o material resultante da destruição local de tecidos.

A princípio são formações de consistência pastosa, palpáveis sob a cútis, mas com o passar do tempo vão ganhando consistência, até se tornarem duros como pedras. Formam-se caracteristicamente nas orelhas e em torno das articulações lesadas, sobretudo das mãos e dos pés.

O nível de purinas no sangue pode aumentar além dos limites normais de excreção, sobretudo se às puri nas originadas no próprio organismo vierem juntar-se substâncias similares contidas em certos alimentos como as carnes de animais em crescimento, sardinhas, crustáceos, vísceras de boi, miolos, miúdos de frango, carnes gordas ou defumadas, vagens, lentilhas, grão-de-bico, espinafre e outros.

Também bebidas alcoólicas como a cerveja, vinhos encorpados do tipo borgonha e licores concorrem decisivamente para elevar o nível de purinas no sangue. Um elemento essencial para o aparecimento da doença, porém, é a predisposição hereditária.

Aparentemente, a predisposição está relacionada com o sexo. Nas mulheres, a ocorrência é muito rara e os poucos casos que se registram quase sempre se manifestam depois da menopausa.

Mas uma característica desconcertante da gota é que em muitas pessoas ocorre alta concentração de ácido úrico no sangue (hiperuricemia), sem que daí resulte nenhum ataque de gota. A explicação é tentada de vários ângulos.

Em primeiro lugar, admite-se que a predisposição constitucional envolva outros fatores, além da baixa capacidade de excreção do ácido úrico pelos rins. Um desses fatores seria a suposta afinidade entre os tecidos articulares das pessoas predispostas e a estrutura química do ácido úrico.

Alguns pesquisadores, por seu lado, levantam a hipótese de que a predisposição poderia envolver a hipersensibilidade em relação a substâncias desconhecidas presentes na alimentação. Mas nem os fatores psíquicos escapam ao inventário de fatores concorrentes e determinantes.

Certos pesquisadores atribuem ao trabalho mental intenso a propriedade de agravar as dores. Nos países de estações do ano bem distintas, nota-se que os ataques de gota são mais freqüentes na primavera e no outono, ao mesmo tempo que já se verificou a influência concorrente de condições atmosféricas como fator de agravamento das crises.

TRATAMENTO E PREVENÇÃO

Como há muitas divergências em torno dos fatores capazes de desencadear a crise, o tratamento oferece as dificuldades correspondentes. Analgésicos, anti-inflamatórios e outros medicamentos podem ser administrados para melhorar as condições do paciente.

Recentemente, foram introduzidas drogas destinadas não só a atenuar os sintomas mas a corrigir a influência dos fatores constitucionais, promovendo a eliminação rápida do ácido úrico ou agindo sobre a estrutura química das purinas. Mas a terapêutica envolve limitações diante dos efeitos colaterais produzidos.

As medidas mais eficazes contra a gota são as de natureza preventiva. Certas precauções dietéticas e higiênicas, adotadas por pessoas predispostas (com registro de casos anteriores na família), poderão prevenir inteiramente o aparecimento das crises de gota ou, então, minorar-lhes os efeitos.

Na dieta normal, considerados os hábitos alimentares brasileiros, ingere-se diariamente elevada concentração de purinas, precursoras diretas do ácido úrico. Os alimentos, além disso, incluem uma quantidade variável de ácidos nucleicos contidos nas células dos tecidos animais e vegetais que constituem o maior volume da dieta.

Por essa razão, alimentos ricos em purinas devem ser evitados ou reduzidos. Despreocupar-se em relação a eles equivale a arriscar-se a elevar o nível de ácido úrico a limites superiores à capacidade normal de eliminação.

Já as dietas com predominância de açúcar e de proteínas pobres em purinas (como o queijo, o leite e os ovos) permitem excreção normal do ácido úrico. Frutas, leite e queijos não fermentados corrigem a acidose latente, característica do portador de gota.

Águas alcalinas de mesa, bem como líquidos em geral em grandes quantidades, contribuem para prevenir lesões renais, pois possibilitam uma lavagem mecânica constante dos rins.

Fonte:

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Imagens: rsaude.com.br



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