Homeopatia – Guia Completo |- Esses Remédios Funcionam?

Todo o edifício da medicina homeopática repousa numa base tripla: primeiramente, a experimentação feita no homem são e em estado de boa saúde; depois, a prescrição de remédios levando-se em conta a lei da Similitude; finalmente, a preparação do medicamento ministrado, em certos casos, em doses ponderáveis, mas em doses infinitesimais na maioria das eventualidades clínicas.

A experimentação

Há muito tempo e, aliás, ainda hoje a Homeopatia vem sendo acusada de não representar senão uma medicina retrógrada, quando não uma medicina “caduca” e sem valor real, pelo fato de não obedecer aos chamados ritos sacrossantos dessa nova crença que se supõe trazer a felicidade aos homens na terra: a Ciência. Esta, segundo a definição clássica, é o conhecimento exato e racional de certas coisas bem determinadas”; não sendo “científica” a Homeopatia representa uma ilusão, para não dizer mais.

Ora, e disso trouxemos provas desde as primeiras linhas deste estudo, toda a doutrina hahnemanniana partiu da experimentação clínica conduzida por seu fundador, o qual ministrava a si próprio doses regularmente crescentes de casca de quinina e observava seus efeitos farmacodinâmicos; desde então, inúmeros médicos na linha de Hahnemann procederam a experiências patogenéficas similares e publicaram certo número de estudos a respeito de suas pesquisas; eles contribuíram, portanto, para trazer indiscutíveis provas experimentais fundadas na observação de manifestações fisiológicas.
Numa fase posterior, pôde-se verificar pelo raciocínio a hipótese de ação do princípio ativo e estabelecer urna lei que é o segundo pilar da Homeopatia: a Similitude.

homeopatia

Lei da Similitude

A Lei da Similitude: todas as observações clínicas, reunidas por Habnemann e seus sucessores, relacionadas com os experimentos farmacodinâmicos levaram à constatação da importância capital que podem ter os sintomas no decorrer de uma doença. – Assim sendo, é a estes últimos – testemunhas da reação do doente diante de uma agressão de qualquer natureza – que se deve recorrer para fixar a escolha do remédio, qualquer seja a causa da doença. Na prescrição homeopática, deve-se, então, levar em conta a similitude entre as expressões mórbidas de que se reveste a afecção e as manifestações das reações fisiológicas tais como foram determinadas durante as experimentações feitas com esta ou aquela substância ativa, independentemente do reino a que pertença.
Em resumo, a conseqüência lógica da experimentação conduzida a partir de um princípio ativo animal, vegetal ou mineral, e a constatação de seus efeitos fisiopatológicos sobre um indivíduo sadio representam uma das bases da concepção homeopática de remédio; para o médico, ela comporta como corolário a observação atenta do paciente e de suas reações, tanto na esfera fisica como no campo psíquico; o estudo e a compreensão dos sintomas próprios do doente permitem a escolha do medicamento cujos sinais de intoxicação experimental mais se aproximarem daqueles apresentados por este último.

A microdose da Homeopatia

Ao lado da similitude”, o remédio ministrado em doses infinitesimais constitui o outro fator da atividade terapêutica dessa disciplina.
Alguma informação acerca de seu preparo:

Os remédios assim preparados são, então, prescritos sob a forma de pó ou de tabletes.

Até os últimos anos, a grande critica feita á terapêutica homeopática repousava na administração desses medicamentos que contêm apenas quantidades infinitesimais de princípio ativo; segundo as normas clássicas, estas não podiam exercer nenhuma ação curativa válida, uma vez que, cientificamente falando, supõe-se que todo efeito medicamentoso seja função da quantidade ponderal do produto absorvido.

Resta-nos dizer algo a respeito da realidade da ação dessa dose infinitesimal’inserida no produto destinado ao doente.
Basta somente lembrar, situando-se exclusivamente no ponto de vista clínico, que o remédio hahnemanniano possui uma eficácia muitas vezes constatada tanto na criança de pouca idade como no animal, dos quais não se pode dizer que sejam, tanto um quanto o outro, suscetíveis de se deixarem sugestionar.

Para compreender o efeito terapêutico da baixa diluição é preciso admitir que, além de um certo limiar, encontramo-nos em presença de uma manifestação que se deve atribuir a uma ação medicamentosa mais qualitativa do que quantitativa e que vai de encontro á doença em questão.

Aliás, e já falamos a esse respeito mais acima, fora o caso do remédio homeopático, devemos relembrar o fato de que a dose infinitesimal é elasticamente utilizada na conduta dos tratamentos antialérgicos, durante os quais injeta-se no doente doses que contêm apenas pequeníssimas partes.

Entretanto, estamos ainda reduzidos ao campo das hipóteses no que concerne ao modo de ação da Homeopatia; poderíamos, a esse respeito, invocar a lei de Arndt-Schulze que sanciona a oposição de ação diametral das doses empregadas, a substância de dose fraca tendo uma ação diametralmente oposta à que ela apresenta em dose elevada. Contudo, os resultados obtidos desde a utilização mais do que secular dessa disciplina permitem deduzir que o objetivo visado pelo homeopata, e freqüentemente alcançado, reside na busca e na conservação do equilíbrio biológico do organismo, sem contudo submetê-lo aos inconvenientes e aos perigos de um excesso medicamentoso às vezes prejudicial a esse próprio equilíbrio.

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