Imunidade do Corpo Humano: Leucócitos, Macrófagos e Anticorpos

A Imunidade do corpo humano é algo muito interessante. Ao formular sua teoria da evolução das espécies,Darwin afir­mou que a vida na Terra tem sido uma constante luta pela sobrevivência, na qual sempre vence o mais apto – e os menos ap­tos são eliminados.

O progresso dos estudos de biologia, animal e vegetal, acabou por demonstrar que, de modo geral, essa teoria não se limita à adaptação das espécies e à seleção natural. Para sobreviver, cada organismo, considerado individualmente, precisa também enfrentar uma juta interna; nisso entram os milhares de elementos que compõem uma estrutura viva.

Na tentativa de adaptar-se ao ambiente e a suas mudanças cons­tantes, há um contínuo remanejamento dos caracteres básicos do organismo. No estudo da evolução das espécies, o homem é colo­cado como o ponto máximo, o “animal superior” obtido como eta­pa final do processo.

Muitos dos recursos utilizados para conquis­tar essa posição privilegiada pertencem ao mundo do infinitamen­te pequeno. Uma das lutas mais importantes que o homem sempre travou é contra os germes e outros microscópicos elementos estra­nhos que invadem o organismo.

Os Agentes de Doenças

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A maior parte dos agentes causadores de doenças é conhecida há pouco tempo. Mas o fato de o homem não conhecê-los bem nunca impediu que o próprio organismo se defendesse contra eles. Essa capacidade de autodefesa é uma característica de todo organismo vivo.

Mas identificar os recursos utilizados mostrou-se ser uma necessidade do homem. E, desde o momento em que sur­giu essa curiosidade, começou outra luta, consciente, contra os causadores das doenças.

Pouco a pouco, foram sendo conhecidas as armas que o orga­nismo fabrica para aumentar sua imunidade e defender-se de elementos estranhos. Esses ele­mentos nem sempre vêm de fora. Na verdade, o organismo reco­nhece um invasor em tudo que percebe que não lhe pertence.

Os Defensedores: Leucócitos, Macrófagos e Anticorpos

E os leucócitos e macrófagos empreendem uma verdadeira guerra inter­na. Mas, além deles, permanentemente ativos, há também os que só são fabricados em circunstâncias especiais. São os anticorpos, elaborados como reação específica à penetração de determinados invasores e que, em alguns casos, ficam definitivamente instala­dos, criando a imunidade definitiva. É nesse princípio de imunida­de permanente que se baseia a elaboração de vacinas.

O organismo Falha

No soro sanguíneo de cada indiví­duo existem proteínas especiais, as chamadas globulinas. Essas globulinas não são todas iguais, e por esse motivo são catalogadas por meio de siglas diferentes: alfa, beta, gama. Delas, as gamaglo­bulinas são as que se relacionam intimamente com a fabricação de anticorpos.

Ainda não se sabe muito bem como se desenrola esse mecanismo. Mas sabe-se que elas só existem porque o organismo está constantemente exposto a infecções; ou seja, são as agressões que funcionam como antígenos (corpos estranhos) que provocam a elaboração de anticorpos que aumentam a imunidade do corpo.

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Experiências feitas com ratos nascidos e criados em ambientes praticamente estéreis mostraram que essas cobaias apresentavam baixíssimo teor de gamaglobulinas no soro sanguíneo. Mas isso não era empecilho para que levassem uma vida inteiramente normal. No ambiente estéril não havia as agressões do meio em que se vive normalmente. Isso mostra que as gamaglobulinas só são indispensáveis para a defesa orgânica.

 

Em alguns casos, as defesas armadas começam a lutar contra o próprio organismo. Várias células, ou mesmo órgãos, do indiví­duo passam a atuar como corpos estranhos, verdadeiros antíge­nos. E forçam o corpo a se defender, com a elaboração de anticor­pos para combater seus próprios constituintes.

Através desse me­canismo, ainda não bem explicado, manifestam-se as doenças au­to-imunes ou de auto-agressão. Por exemplo, o organismo deixa de reconhecer sua própria tireóide, e passa a agredi-]a: pode surgir uma tireoidite (inflamação da tireóide) auto-imune. Em relação a outros órgãos, podem-se originar nefropatias, miocardiopatias, e outras doenças auto-imunes.

A imunidade e o Plama

O plasma (porção líquida do sangue) con­tém gamaglobulinas. E, com elas, anticorpos específicos para atuar em determinadas situações. A partir dessa constatação, co­meçaram a ser feitas pesquisas no sentido de se usarem as gama­globulinas de um indivíduo já imunizado em relação a uma enfer­midade para defesa de outros. Assim, por exemplo, o plasma de convalescentes de determinadas doenças poderia fornecer os anti­corpos contra elas para indivíduos sadios.

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Seria mais simples, talvez, que a vacinação preventiva: o orga­nismo receberia anticorpos já elaborados, sem ter o trabalho de produzi-los (imunização passivo). Com a vacina (imunização ati­va), o organismo é de certa forma provocado para estimular a fa­bricação dos anticorpos, diretamente ligados à imunidade do corpo.

Mas no caso de administração de gamaglobulinas, com anticor­pos que provêm de outro indivíduo, o organismo não os aceita in­tegralmente: tende a eliminá-los. Por isso, o efeito dessa imuniza­ção, apesar de rápido, é passageiro e muitas vezes ineficaz.

Em relação a sarampo, hepatite e coqueluche, as gamaglobuli­nas mostraram alguma utilidade. Quando o indivíduo já está com queda de resistência orgânica, devido a outras doenças, o contágio de uma nova infecção pode ser muito arriscado.

E a aplicação de gamaglobulinas com anticorpos específicos no doente que se ex­pôs ao contágio pode atenuar os sintomas e, às vezes, até impedir a instalação da doença. Mas é indiscutível que, para todas as doen­ças para as quais já foi encontrada uma vacina, este é o principal recurso de defesa, pois imuniza ativamente.

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