Isquemia Cerebral – Acidente Vascular Cerebral Isquêmico

Da mesma forma que todo o sistema nervoso central, o cérebro exige suprimento constante de oxigênio, que é conduzido pelo sangue. Este deve afluir em grandes quantidades e sem variações apreciáveis. Quando isso não acontece, o cérebro torna-se sujeito a alterações por vezes fatais.

Supõe-se que o sistema nervoso central consuma 20% de todo o oxigênio fornecido ao organismo. A maioria dos órgãos suporta razoavelmente a falta temporária de oxigênio. O cérebro, não. Depois de oito a dez minutos de falta desse elemento, as células nervosas sofrem lesões irreparáveis, pois os tecidos nervosos não se regeneram. As células destruídas não são substituídas por outras novas o que leva a considerar-se o sistema nervoso central como um dos órgãos nobres do organismo.

O volume de sangue necessário para a irrigação do cérebro corresponde a 7,5 vezes o seu peso- Representando apenas 2% do peso total do corpo, o sistema nervoso central recebe mais de 15% de todo o sangue.

Quando ocorre ausência ou diminuição no abastecimento de sangue ao cérebro, diz-se que houve um acidente vascular cerebral isquêmico (a VCI). Quando há acesso de sangue, provocando hemorragia, diz-se que ocorreu um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH). Ambos os distúrbios são designados – embora erroneamente -pela expressão “derrame cerebral”. A rigor, o termo derrame só deveria se aplicar aos AVCH.

 

Obstrução Arterial

A diminuição do fluxo sanguíneo cerebral (A VCI) pode ter duas causas: a obstrução de uma artéria cerebral ou a insuficiência da circulação no cérebro, chamada insuficiência vascular cerebral.

Um coágulo sanguíneo, pode causar a obstrução arterial. Quando o coágulo se forma no próprio local da obstrução, a alteração recebe o nome de trombose. Se uma part (cula de um trombo formado em outras partes do sistema circulatório chegar ao cérebro, conduzida pelo sangue, e obstruir uma artéria, dá-se uma embolia.
A insuficiência vascular cerebral resulta de uma queda de pressão do sistema circulatório geral, que pode ter várias causas: enfarte do miocárdio, hemorragias e até mesmo a queda depressão fisiológica, durante o sono. Este último agente aparece sobretudo em pessoas mais idosas.

Isquemia Cerebral - Acidente Vascular Cerebral Isquêmico

Rompimento – acidente vascular cerebral isquêmico

Nos casos de derrames propriamente ditos (A VCH), também conhecidos por apoplexia cerebral (nome em desuso), ocorre uma hemorragia no interior do cérebro, provocada pelo rompimento de artérias. Trata-se de uma alteração repentina, freqüentemente grave e mortal.

As causas do rompimento de artérias ainda são motivo de controvérsia. Os aneurismas (dilatação anormal das artérias) podem romper-se e determinar a hemorragia cerebral e admite-se que a arteriosclerose e a hipertensão interfiram na formação dos aneurismas. O sangramento de tumores cerebrais, a leucemia (aumento desordenado aos glóbulos brancos do sangue) e as anormalidades no processo de coagulação sanguínea seriam outras causas.

Isquemia Cerebral

O acidente vascular cerebral isquêmico pode manifestar-se tanto na forma leve ou passageira como na mais grave. No primeiro caso, o paciente nota o adormecimento dos músculos da face (como se estivessem anestesiados) e a sensação de ‘formigamento” nos membros superiores ou inferiores. Podem aparecer também distúrbios visuais, dificuldade para engolir (disfagia), alterações na marcha (andar trôpego), fala um tanto embaraçada, língua presa (grande dificuldade para pronunciar certas palavras), vertigens etc.

As alterações não são permanentes, surgindo sob a forma de ataques. Esses ataques podem ocorrer periodicamente, com’ intervalos de meses, semanas, dias ou várias vezes num só dia.

O A VCI mais grave aparece, em geral, de maneira súbita e progride rapidamente. Muitas vezes surge durante o sono, ocasião em que há uma queda fisiológica natural depressão. Se o sistema circulatório já apresentava alguma deficiência, essa queda natural pode precipitar uma isquemia. A perda de consciência não é como durante os ataques, embora, mais tarde, estes possam manifestar-se sob a forma de confusão mental. No início da doença, as convulsões são raras, podendo aparecer depois de algum tempo.

Quando a isquemia atinge uma das metades do cérebro, seus efeitos se fazem sentir no lado oposto do corpo. Isto é, se houver falta de oxigênio na porção esquerda, o lado direito sofrerá alterações. Isso ocorre porque a maioria das fibras nervosas que saem do cérebro cruza para o lado oposto, onde passa a atuar.

Devido à organização do cérebro, que é dividido por setores de controle das atividades orgânicas, os efeitos visíveis podem indicar qual a porção cerebral afetada. Esses efeitos são a dificuldade em andar, o desvio dos olhos, a deficiência da visão e muitos outros. A obstrução da artéria cerebral média, por exemplo, leva à paresia (paralisia parcial) da metade do corpo oposta ao vaso arterial, ocasionando a perda de sensibilidade na face, braço, mão, perna e pé, além de prejudicar a visão.

Nas obstruções graves e extensas, pode sobrevir a morte, principalmente entre pessoas de idade mais avançada e portadoras de doenças como diabete, hipertensão e outras.

 

HEMORRAGIA CEREBRAL

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Os casos de acidente vascular cerebral hemorrágico são geralmente muito mais graves. A recuperação do doente, quando obtida, é menos completa. Geralmente, o A VCH instala-se deforma súbita; mas também pode aparecer de maneira progressiva e rápida, evoluindo freqüentemente para a morte. Algumas vezes, o paciente se queixa de dores de cabeça e perturbações visuais.

O vazamento do sangue pode provocar lesões irrecuperáveis no cérebro. Quando as pessoas – geralmente as mais Idosas – silo acometidas por essa alteração, aparecem distúrbios circulatórios (queda de pressão, diminuição da freqüência cardíaca) e respiratórios (ritmo anormal, respiração mais profunda). A temperatura orgânica sobe e o doente transpira excessivamente (sudorese). As alterações neurológicas são intensas.

O doente pode atravessar desde a perda da consciência até o coma. Os reflexos nervosos tanto podem estar ausentes quanto manifestarem-se deforma exagerada. Paralisias também podem ocorrer, em maior ou menor extensão. O paciente entra em convulsões e seus olhos se desviam para o lado da hemorragia. Tais alterações são tio intensas que podem provocar a morte.

A TRIAGEM

Várias afecções cerebrais podem provocar sintomas muito semelhantes aos do acidente vascular cerebral isquêmico (A VCH). O primeiro cuidado do médico é certificar-se da existência de hemorragia cerebral. Os exames mais usuais são: contagem dos glóbulos do sangue, verificação da glicemia e da ureia, e o ele trencefalograma. O líquido cefalorraquidiano também é examinado, afim de se constatar a existência ou não de sangramentos, infecções e alterações celulares.

Radiografias do crânio demonstram a presença ou não de tumores, fraturas e outras alterações, enquanto a arteriografia cerebral permite a visão da rede vascular, possibilitando a localização da hemorragia.

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