Lábio Leporino – Causas e Antes e Depois – O que é?

Embora as causas determinantes do lábio leporino não sejam muito claras, pesquisas comparativas puderam lançar luz sobre o assunto. Inicialmente, admite-se que haja uma predominante influência familiar, predispondo à transmissão do defeito geneticamente. Contudo, há importantes fatores não genéticos que atuam sobre a formação do processo nasofrontal (constituído pelo lábio superior, céu da boca e maxilar superior) que impedem sua classificação como malformação hereditária. São os chamados fatores ambientais.

Face a tais dificuldades, é praticamente impossível a previsão dos defeitos. Os dados estatísticos fornecem apenas o índice do chamado “risco empírico’ que se baseia em percentuais estatísticos. Isto é, sabe-se que, entre cem filhos de casais que tenham um dos cônjuges afetados pela malformação, nascem quatro com lábio leporino. O risco empírico, portanto, é de 4%.

Verificou-se que a influência hereditária é relativamente grande nos casos de portadores de lábio leporino associado à fissura palatina (céu da boca fendido, também conhecido como “goela de lobo ‘) e nos casos em que ocorre apenas o lábio leporino, ao passo as mulheres são mais atingidas pelo lábio leporino.

O estudo dos gêmeos afetados é muito importante para verificar a influência genética na ocorrência do defeito. Inicialmente, é necessário estabelecer a distinção entre os dois tipos de gêmeos: os verdadeiros, ou univitelinos, que são gêmeos nascidos de um único óvulo fecundado, o qual, por razões não muito conhecidas, se divide e dá origem a dois irmãos idênticos; e os bivitelinos, que são dois seres formados contemporaneamente a partir de dois óvulos fecundados.

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Labio-leporino

No primeiro caso, os genes transmitidos pelos pais são os mesmos, enquanto no segundo são diferentes.

A correlação de lábios leporinos, associados com a fissura palatina, entre os gémeos verdadeiros é alta, alcançando a proporção de 30%, ao passo que, entre os bivitelinos, a incidência cai para 6%. A diferença mostra uma nítida influência genética: os mesmos genes determinam quase sempre as mesmas características.

Mas também ocorre, com bastante frequência, o nascimento de gêmeos univitelinos, dos quais somente um é portador da anomalia. Se são desenvolvidos a partir dos mesmos genes, geneticamente é impossível tal acontecimento.

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Conclui-se, então, que outros fatores – não genéticos – também são responsáveis pela malformação. Nesses casos, o número de possibilidades de interferência dos fatores ambientais é elevado e complexo. Sabe-se, através de experiências com animais, que uma alimentação materna pobre, o uso de certos medicamentos (como os corticosteróides), algumas doenças infecciosas e a exposição da gestante a determinadas radiações (como os raios X)propiciam a malformação labial.

Falha Anatômica do Lábio Leporino

No lábio normal, nota-se aparte vermelha ou mucosa labial. Esta é separada da pele acima dela por uma linha bem nítida, sinuosa, que forma uma secção convexa, Ao centro dessa linha, um pequeno arco contrastante, isto é, côncavo, foi denominado poeticamente, pelos anatomistas, de “arco de cupido’ Este é a parte terminal do chamado filtro do nariz, sulco que liga a parte central do nariz ao lábio superior. Sob o arco de cupido, o lábio normal apresenta uma pequena protuberância (tubérculo labial), maior em crianças do que em adultos.

O lábio leporino altera a constituição do lábio superior, na maioria das vezes, do lado esquerdo, por fora do filtro do nariz, tornando a crista deste último mais curta e oblíqua. A mucosa apresenta-se mal desenvolvida e o lábio é fino, devido à falta de desenvolvimento dos músculos labiais.

A fissura determina uma deformação do nariz, achatando-o do lado da fenda. O lábio leporino pode, também, ser bilateral, com duas fendas, portanto, que dividem o lábio superior em três partes. Mais raramente ocorre a fissura labial central, na linha do filtro do nariz.

A operação é o único recurso para tais malformações e deve sempre ser feita na infância. A cirurgia não deve ser protelada, uma vez que os pacientes têm dificuldade de sucção e deglutição, além, de não conseguirem alimentar-se corretamente. A intervenção, conhecida desde o século 1, alcança resultados muito bons, livrando as crianças de todos os problemas da anormatidade.

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Antes e Depois da Cirurgia

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imagem: lookfordiagnosis