Radioisótopos e Doença – Medicina, Significados e Aplicações

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Utilizando radioisótopos, o médico pode fazer mapas dos órgãos do corpo e avaliar corretamente o desempenho de cada um.

RADIOISÓTOPOS

Em 1910, o jovem húngaro George Hevesy procurou o famoso cientista inglês Rutherford para aperfeiçoar-se em física. Este mostrou-lhe uma grande quantidade de chumbo e pediu-lhe que separasse do minério seu radioisótopo natural, o rádio-EL Durante dois anos, Hevesy tentou.

Empregou todos os métodos físicos e químicos conhecidos na época, mas, como não conseguia sucesso, acabou por desistir. Em 1912, já então estudando na Universidade de Viena, Hevey imaginou uma alternativa para dar uma aplicação aos radioisótopos.

Como o rádio-D emite radiações, estas últimas podem  ser captadas por aparelhos especiais. Uma vez que não era possível separar o rádio-D do chumbo, o pesquisador pensou na possibilidade de utilizar as radiações detectadas para marcar, ou seja, elaborar o traçado das reações do chumbo.

Nessa época foram realizados os primeiros trabalhos sobre as reações químicas do chumbo, utilizando o rádio-D como elemento traçador. E, em 1922, o próprio Hevesy utilizou as propriedades radiativas do chumbo para estudar sua absorção pelas raízes das plantas e, pouco depois, a sua distribuição nos animais.

PESQUISAS LIMITADAS

Até essa época, só eram conhecidos elementos radiativos naturais, pertencentes à família do rádio ou do tório, metais pesados, tóxicos para o organismo humano, o que limitava extremamente as pesquisas.

Alguns anos mais tarde, o casal Frédéric e Irène Joliot-Curie conseguiu a primeira transmutação artificial de elementos químicos, produzindo uma pequena quantidade de fósforo radiativo (P32). Nessa época, Urey conseguiu isolar o deutério (M) do hidrogênio normal.

Hevesy utilizou o fósforo radiativo para estudar sua distribuição em plantas e animais e o deutério para estudos de troca de água em peixes. Mas essas pesquisas eram muito limitadas pela escassez dos radioisótopos existentes.

Somente com a construção do primeiro reator atômico e sua utilização como “grande forno”,para a produção em larga escala de radioisótopos, começou a aplicação efetiva dos radioisótopos em medicina.

O estudo da dinâmica dos organismos vivos teve progresso só comparável ao alcançado no século XIX, após a descoberta do microscópio. O microscópio desvendou a estrutura da matéria orgânica e os radioisótopos estão desvendando sua dinâmica.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Uma das maiores contribuições dos radioisótopos para a medicina é o levantamento e a descrição minuciosa das condições dinâmicas do ser vivo. Sabe-se atualmente que a aparente estabilidade do organismo humano resulta do delicado equilíbrio entre um enorme número de reações complexas que ocorrem simultaneamente em seu interior.

Os novos conhecimentos influíram na prática da medicina, permitindo diagnosticar uma moléstia antes que a constituição do organismo seja seriamente alterada com o uso dos radioisótopos, pode-se verificar a existência de produção, trocas anormais ou destruição de importantes constituintes químicos do organismo, como as proteínas e os ácidos gordurosos.

Assim, anomalias bioquímicas antigamente atribuídas a alterações gerais do organismo podem, atualmente, ser localizadas em determinados órgãos ou mesmo em partes específicas desses órgãos.

Os radioisótopos também são os mais poderosos instrumentos de pesquisa experimental para a investigação das funções e disfunções de determinados órgãos, ou para o estudo da ação de vitaminas, enzimas e outras substâncias fundamentais.

MAPEAMENTO

Alguns órgãos têm a propriedade de localizar e concentrar determinados elementos químicos- Graças a essa propriedade, os radioisótopos dessas substâncias químicas permitem estudos de forma, posição, condições funcionais e possível localização de um processo tumoral ou inflamatório no órgão que estiver sendo o objeto de estudo.

Esse método de estudo, denominado mapeamento, desenvolveu-se tanto que atualmente todos os órgãos podem ser mapeados por meio do uso de grande número de radioisótopos e equipamento variado. Esse recurso permite obter informações que não podiam ser fornecidas por outros métodos de exame.

Os riscos de absorção excessiva de radiações reduziram-se extraordinariamente. Tanto o paciente como os técnicos não correm nenhum perigo. Pode-se afirmar que o exame com radioisótopos introduz no organismo uma quantidade de radiações menor do que as absorvidas num exame com raios X.

Os radioisótopos vão localizar-se nos órgãos segundo diversos mecanismos. Um deles é o transporte ativo, ou seja, o radioisótopo é captado ao nível das células de determinado tecido.

Por exemplo, no caso do mapa da tireoide, o radioisótopo de escolia é o iodeto; para o mapa renal é utilizado um composto mercurial e para mapear o fígado o radioisótopo aplicado é a rosa-debengala. Outro processo serve-se da fagocitose, isto é, da captação ativa de partículas sólidas pelas células do tecido.

No mapa do fígado por esse processo é usado o ouro coloidal; no mapa do baço, os agregados de albumina; e, no mapa da medula óssea, compostos coloidais.

MAPAS LOCAIS

Os mapas são muito úteis para identificar possíveis tumores no cérebro. Os radioisótopos administrados depositam-se na zona tumoral, devido à quebra da barreira hematoencefálica determinada pelo tumor.

A barreira hematoencefálica é constituída por um conjunto de estruturas que separam do sangue o sistema nervoso central e o líquido cefalorraquidiano que o banha. A barreira funciona como um obstáculo à difusão de grandes moléculas dispersas no sangue.

A albumina humana marcada com o iodo radiativo, o neohydrin marcado com mercúrio radiativo e o tecnécio penetram na célula tumoral só após a quebra da barreira hematoencefálica, concentrando-se em níveis mais elevados do que na célula normal.

Já nos rins, a visualização do tecido renal em condições de funcionamento é conseguida através da administração de neohydrin marcado com mercúrio radiativo. Os rins retiram quase totalmente esse radioisótopo do sangue e cuidam de excretá-lo ativamente, por células especiais, as células tubulares.

As áreas lesadas são vistas no mapa como áreas de baixa concentração. Isso porque as zonas lesadas que não são formadas por tecido renal funciona,te não concentram o material radiativo. Outro órgão mapeado com perfeição é o fígado. As partículas radiativas são removidas da circulação pelas células do sistema retículo-endotelial.

O traçador é o índio-113, sob a forma coloidal; a meia-vida (período de tempo a partir do qual a substância radiativa passa a emitir a metade das radiações) desse elemento é muito curta, tornando praticamente insignificante a absorção prejudicial de radiações pelo figado.

Como nos rins, as áreas ocupadas pelas lesões apresentam-se como áreas negativas, sem concentração do agente radiativo. Em experiências de transplante de fígado, feitas em cachorros, o mapeamento permite identificar as lesões características da rejeição do órgão.

Vários outros radioisótopos permitem a visualização de lesões do pâncreas, de ossos, do coração, e a localização de alguns tumores. O tecido da tireoide, por sua vez, absorve iodeto, permitindo que essa glândula seja mapeada com facilidade, para evidenciar sua forma, posição, tamanho e condições funcionais dos nódulos nela localizados.

A finalidade mais importante desse exame é a identificação dos nódulos tireóideos. Ela também fornece dados para o diagnóstico de moléstias da tireoide, ampliando as informações obtidas no teste de função com o uso do radioiodo. Além disso, os radioisótopos oferecem imensas possibilidades no campo experimental das ciências biológicas.

Fonte:

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Imagens: querosaber.net.br



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