Sífilis Congênita: Atenuada, Tardia, Profilaxia e Florida

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A Sífilis Congênita é muitas vezes chamada hereditária, como se o treponema da sífilis viesse com o óvulo ou o espermatozoide que deu origem à criança.

Em realidade a criança nasce com sífilis, mas adquire-a depois do quinto mês, contagiada através da placenta pela mãe, conquanto esta não pareça doente.

Por isso é mais acertado falar de sífilis congênita, isto é, que existe no nascimento, do que de sífilis hereditária. A sífilis tem tendência para provocar a morte do feto (criança ainda não nascida), quer por aborto, parto prematuro, quer, embora a gravidez chegue a termo, a criança possa nascer morta. Outras vezes a criança nasce viva, mas com lesões sifilíticas manifestas, ou com sífilis atenuada.

SÍFILIS CONGÊNITA

SÍFILIS FLORIDA

É a que apresenta sintomas tão notórios que permitem ao médico diagnosticá-la facilmente. Cada vez menos frequente é esta forma, pois está mais generalizado o tratamento da sífilis, especialmente na mulher grávida.

OS SINTOMA PRINCIPAIS SÃO:

CORIZA

A criança nasce com um resfriado nasal ou este aparece nas primeiras semanas que seguem ao nascimento. Sai do nariz uma secreção mucopurulenta (com muco e pus), e às vezes um pouco tinta de sangue. É amiúde fétida. Acarreta dificuldades à criança para mamar.

ESPLENOMEGALIA

O baço está aumentado. Pênfigo. Observa-se no recém-nascido a presença de ampolas de tamanho diverso (de 2 a 10 milímetros de diâmetro) que, conquanto predominem na palma das mãos e planta dos pés, podem achar-se também em outras partes.

Estão rodeadas de um círculo avermelhado, um pouco saliente. Não há que confundir este pênfigo com o chamado pênfigo comum do recém.-nascido, que é causado por uma infecção da pele por germes comuns de supuração. Lesões na pele.

INFILTRAÇÃO CUTÂNEA DIFUSA

Predomina no rosto, mãos e pés. Apresenta-se no fim do primeiro mês. A pele está espessada e de cor pálida terrosa. A perda de elasticidade dessa pele infiltrada produz fissuras na região que rodeia os lábios. A planta do pé está tensa e brilhante. Pode observar-se perda do cabelo em algumas zonas da cabeça e inflamação da pele que rodeia as unhas.

OUTRAS ERUPÇÕES DA PELE

Podem aparecer quaisquer das lesões da sífilis secundária que se estudam na sífilis secundária do adulto. Lesões nas mucosas. Além do coriza, já mencionado, podem apresentar-se placas mucosas cujo aspecto é semelhante às da sífilis adquirida.

Pseudo paralisia dolorosa. Aparece no curso dos primeiros três meses de vida da criança. Deixa ela de mover algum membro, preferentemente superior, observando-se engrossamento em alguma das articulações. Se se toca, provoca forte dor.

SÍFILIS CONGÊNITA ATENUADA

Muitas e muito diversas são as manifestações de sífilis congênita atenuada. Por outra parte, qualquer destas manifestações pode ser de outra origem inteiramente diversa.

Mencionamos algumas delas: convulsões, hidrocefalia (acumulação de líquido no encéfalo e aumento de volume da cabeça), meningite sifilítica, icterícia (coloração amarela da pele), hemorragias, tumefações (inchação) dos gânglios linfáticos, nefrite, fraqueza congênita e prematuridade, gêmeos (com uma só placenta e membrana de envoltura), defeitos congênitos do coração, do sistema nervoso ou de outras partes do corpo, inapetência, vômitos, nervosismo, hidrocele (presença de líquido nas membranas que envolvem o testículo), etc.

SÍFILIS CONGÊNITA TARDIA

É na segunda infância que podem observar-se lesões do tipo terciário, principalmente gomas sifilíticas que podem ulcerar e perfurar diversos ossos do crânio, do rosto ou de outras partes do corpo.

Às vezes se produz uma inflamação do perióstico, especialmente na tíbia, dando à perna o aspecto chamado lâmina de sabre. Podem observar-se também lesões nos olhos e dentes.

Hutchinson descreveu a tríade (conjunto de 3 sintomas) que recebe seu nome, formada por: queratite intersticial (inflamação da córnea), surdez e deformações dos dentes, principalmente recorte semilunar da borda livre dos incisivos medianos superiores. É freqüente que haja ao mesmo tempo hidartrose do joelho (líquido na articulação).

PROFILAXIA DA SÍFILIS CONGÊNITA

O exame médico pré nupcial dos nubentes permitirá evitar a maior parte dos casos de sífilis congênita. O tratamento da gestante sifilítica antes do quinto mês de gravidez, permite também evitar o contágio da criança.

LACTAÇÃO E SÍFILIS

Rege-se pelas chamadas lei de Profeta e lei de Colies. Dizia Colles: “A mãe sadia não é contagiada pelo filho sifilítico.” Isto é fácil de explicar, pois se bem que a mãe do heredossifilítico possa aparentar saúde, é em realidade sifilítica.

Profeta dizia “A criança aparentemente sadia, filha de sifilítica, não é por ela contagiada.” A razão é a mesma. A mãe de filho sifilítico deve, pois, dar-lhe o peito.

Se a mãe não tem leite, dê-se à criança alimentação artificial, ou leite de mulher com mamadeira. Há perigo de contágio da ama não sifilítica pela criança que apresenta lesões de sífilis; a ama sifilítica não corre éste perigo.

TRATAMENTO

Consiste principalmente em injeções de penicilina.

Fonte:

1, 2, 3

Imagem: radardaprimeirainfancia.org.br

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