Sofrimento Fetal – Sinais, Sintomas e Precauções – O que é?

Sofrimento fetal é a expressão adotada em medicina para definir as alterações patológicas sofridas pelo feto, durante o parto, em consequência de oxigenação insuficiente, causada por dificuldades anormais de passagem do sangue na placenta, originando possíveis lesões cerebrais e até mesmo a morte da criança. O sofrimento fetal é causa da maioria absoluta dos óbitos que ocorrem entre recém-nascidos.

Nos últimos anos, foram desenvolvidas novas técnicas de avaliação e identificação do sofrimento fetal. A manifestação clássica, no entanto, ainda é o padrão dos batimentos cardíacos da criança, ouvidos num estetoscópio rudimentar, cônico, feito de madeira ou outro material, inventado no século XIX e utilizado pelos médicos até a atualidade.

As Alterações

Quando o suprimento de oxigênio se torna insuficiente (anoxia), o sangue fetal fica com concentração maior de gás carbônico (hipercapnia), maior acidez (acidose) e sofre outras alterações. Esse conjunto de mudanças determina reações de compensação do sistema circulatório do feto, com o objetivo de restaurar a normalidade e proteger órgãos vitais, como o cérebro e o coração, e prolongar a sobrevivência nessas condições adversas. Caso o sofrimento fetal se prolongue ou se intensifique, as reações de adaptação falham e as afecções resultantes determinarão lesões neurológicas irreversíveis, capazes de causar retardamento mental e mesmo a morte da criança.

Atualmente, classificam-se dois tipos básicos de sofrimento fetal: o que ocorre durante a gravidez, chamado crônico, e o que aparece durante o parto, denominado agudo.

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Sofrimento-fetal

Sofrimento fetal crônico

Uma causa comum do sofrimento fetal crônico é a incompatibilidade sanguínea causada pela diferença de fator Rh. Isso causa destruição maciça de glóbulos vermelhos do sangue do feto, resultando em transporte insuficiente de oxigênio no organismo.

O sofrimento fetal crônico não tem relação com as contrações uterinas, que, durante o período da gravidez, são espaçadas e pouco intensas – praticamente não interferem com a passagem de sangue pela placenta. Como não ocasiona alterações cardíacas, não é detectado através da ausculta.

Sofrimento fetal agudo

O sofrimento fetal agudo aparece de maneira rápida, em menos de uma hora, às vezes, estabelecendo graves limitações para o socorro médico. Além desse fato, muitas vezes não é possível prever sua ocorrência.

As contrações uterinas desempenham papel essencial durante o parto. O sangue oxigenado da mãe chega à placenta através de arteríolas que atravessam o miométrio. Daí, é lançado no espaço interviloso da placenta, um grande lago de sangue que banha as vilosidades coriais, de onde partem os vasos umbilicais. É nesse ponto que são trocadas as substâncias nutritivas provenientes do sangue da mãe pelos resíduos do organismo fetal.

Durante o período da gravidez, essa troca não cessa. No parto, continua nos intervalos das contrações uterinas. As contrações interrompem o abastecimento do feto, por comprimirem os vasos, principalmente quando são intensas e repetidas.

Através de outros mecanismos, as contrações determinam diminuição do ritmo dos batimentos cardíacos (bradicardia), com diminuição conseqüente da quantidade de sangue fetal enviado à placenta para oxigenação. A compressão dos vasos e a bradicardia,juntas, determinam a privação parcial do oxigênio, tolerável em certos limites, mas mortal quando é prolongada ou intensa.

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Causas do sofrimento fetal

As causas do sofrimento fetal são muitas e podem ser provenientes da mãe, do feto ou dos dois. As mais comuns formam quatro grupos:

1) causas maternas:

Hipotensão (pressão baixa, geralmente por hemorragia do parto); anemia; insuficiência cardíaca; insuficiência respiratória grave. Os quatro fatores resultam em menor suprimento de glóbulos vermelhos, portadores de oxigênio;

2) causas placentárias:

Contrações uterinas repetidas (polisistolia) e aumento do tônus uterino (espécie de câimbra do miométrio) entre as contrações podem bloquear a passagem de sangue na placenta; diabete, hipermaturidade fetal e hipertensão materna podem estreitar os vasos placentários. Além dessas causas, provocam efeitos semelhantes o descolamento prematuro da placenta e o enfarte placentário;

3) causas fetais:

Compressão do cordão umbilical por causas diversas, inclusive por ação da cabeça do feto contra a bacia; prematuridade, em que os centros respiratórios imaturos apresentam maior sensibilidade à falta de oxigênio;

4) outras causas:

Partos prolongados, em que ocorre acidose materna, que, por sua vez, determina acidose fetal, favorecendo a anoxia no feto; abuso de anestésicos gerais e analgésicos que deprimem os centros respiratórios fetais; traumatismo do feto em panos operatórios, com hipertensão dentro do crânio e hemorragias que comprimem o encéfalo.

Sinais

Gravida

Como um dos sinais de sofrimento fetal é a alteração nos batimentos cardíacos, a ausculta do feto durante o parto é feita a curtos intervalos – se preciso, a cada 15 minutos. Outro sinal clássico é a presença de mecônio, conteúdo intestinal do feto, no líquido amniótico, decorrência do relaxamento do esfincter anal no sofrimento fetal.

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Geralmente, quanto mais escuro o líquido, maior o relaxamento e, portanto, maior o sofrimento. Entretanto, este não é um sinal concludente, pois muitas crianças normais nascem em partos com ocorrência de mecônio no líquido amniótico. De qualquer modo, quando o líquido for escuro, o socorro hospitalar torna-se uma medida a ser tomada urgentemente.

Quando a bolsa amniótica se rompe e a cabeça do feto está abrindo caminho, as contrações do útero a comprimem contra a bacia. Em cada contração, a cabeça do feto sofre um “aperto “duas a três vezes maior, determinando aumento da pressão endocraniana e menor afluxo de sangue ao cérebro, por causa da compressão dos vasos. Em resposta automática, o centro que regula os nervos vagos vai determinar uma diminuição dos batimentos cardíacos. A compressão do cordão umbilical na contração uterina também produz bradicardia.

A diminuição do teor de oxigênio no sangue do feto provoca bradicardia, mas patológica, indicadora de sofrimento fetal. Um mecanismo de defesa automático do cérebro é a vasoconstrição de determinadas áreas, desviando o sangue de órgãos menos importantes para atender às funções cerebrais e cardíacas.

Esse mecanismo é bem evidenciado no sofrimento fetal crônico, em que os batimentos cardíacos permanecem normais mesmo na iminência de morte fetal. A autópsia, porém, revelará alterações intensas na estrutura de vários tecidos, a chamada autólise vital, que indica a falta de oxigenação sofrida em consequência da vaso-constrição defensiva.

PRECAUÇÕES

Para evitar o sofrimento fetal agudo, durante o parto, o obstetra procura, sempre, tratar as doenças da mãe que possam causá-lo. No parto, o médico procurará, preventivamente, corrigir contrações excessivas, diminuir a hipertonia uterina, manter a pressão arterial materna em níveis normais nos casos de hemorragia e indicar transfusão nos casos de perda de sangue capazes de produzir anemia aguda.

Mas há vezes em que as causas do sofrimento fetal não ficam evidentes. Nesses casos, o médico mandará dar oxigênio à mãe, pois é sabido, por experiência, que a oxigenação materna melhora o ‘foco “fetal alterado. Quando o sofrimento fetal for intenso e persistente, será necessário abreviar o parto mediante cesariana ou parto instrumental.

De modo geral, o obstetra poderá prevenir o sofrimento fetal agudo mediante controle -rigoroso das condições de saúde da parturiente e pelo diagnóstico precoce das causas ou do próprio sofrimento fetal. Além disso, tentará evitar parto prolongado, uso imoderado de anestésicos gerais e analgésicos.

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