Traqueostomia – O que é essa técnica e quais os Cuidados

Apesar de ser classificada como pequena cirurgia, a traqueosto­mia é uma operação importante, que consiste na abertura da traqueia para permitir a entrada de ar diretamente para os pulmões. A pequena janela, aberta cerca de dois dedos abaixo do pomo-de-­adão, funciona como uma boca artificial; o doente respira sem uti­lizar as vias aéreas superiores (boca, nariz, laringe e faringe).

A Traqueia

A traqueia é um tubo cilíndrico e elástico, formado de fibras e cartilagens, que se localiza na parte inferior do pescoço; situada na frente do esôfago, está ligada à laringe na parte superior e, em­baixo, divide-se em dois ramos: os brônquios.

Uma série de anéis cartilaginosos superpostos constitui o arcabouço da traqueia; quando se inclina a cabeça para trás, os anéis se afastam como o fole de uma sanfona. Por dentro, a traqueia é revestida por uma mucosa lubrificado por uma secreção viscosa.

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Indicações para traqueosto­mia

Indicada Inicialmente como operação de ur­gência nos casos de obstrução das vias aéreas superiores, a traqueosto­mia é praticada, em geral, como medida preventiva, quando a situação parece evoluir para a asfixia.

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Obstrução das vias aéreas

A obstrução das vias aéreas superiores pode decorrer de várias causas. A presença de um corpo estranho (alimento sólido ou obje­to), acúmulo de secreção (laringite infantil, edema da glote), espas­mo da laringe, espasmo da glote ou compressão por um tumor (grande bócio da tireoide) são causas comuns. A ventilação pulmo­nar é interrompida e pode determinar a morte por asfixia.

Respiração Artificial

A traqueostomia permite a adaptação de aparelhos de respiração controlada (respiração artificial) em certos casos de afecções gra­ves: na asma brônquica complicada, por exemplo, em que ocorre uma acentuada insuficiência respiratória, ou em doenças como a poliomielite e o tétano, durante a fase avançada, quando o paciente está sujeito a uma paralisia completa dos músculos respiratórios (parada respiratória).

Estado de Coma

Nos doentes em estado de coma também po­de ser necessária a traqueostomia, indicada ainda nos grandes trau­matismos do tórax, com fratura de várias costelas, com o fim de facilitar os movimentos respiratórios e diminuir a dor.

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Secreções

Outra vantagem da traqueostomia é permitir que se faça a aspiração das secreções produzidas pela mucosa da via respiratória, prin­cipalmente da traqueia e brônquios. O excesso de catarro provoca, por sua vez, um acúmulo de secreções nos pulmões, que impede a ventilação de certas áreas pulmonares. Por outro lado, criam con­dições favoráveis a infecções, como a broncopneumonia.

Finalmente, tem grande importância o alívio que a traqueostomia produz ao suprimir o “tampão” de ar contido na laringe, faringe e boca. Esse volume de ar – cerca de 100 cm’, em média – constitui um fator adicional de dificuldade respiratória.

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A técnica da traqueosto­mia

Na traqueostomia preventiva, também chamada eletiva, o doente é deitado de costas, com uma almofada debaixo das espáduas, para que a garganta permaneça esticado.

O cirurgião inicia um corte vertical de cerca de 3 em, no meio da garganta; a Incisão começa uns 2 em abaixo do pomo-de-adão e termina pouco acima da fúrcula, a depressão onde acaba a garganta.

O médico corta a pele, depois a capa fibrosa que envolve a regido frontal do pescoço e faz a ligadura dos vasos sanguíneos dessa área. Em seguida, encontra o tecido conjuntivo frouxo que cobre a traqueia e o afasta para colocar à mostra a parede do ór­gão.

Quando aparece a porção mediana da glândula tireoide (istmo da tireoide), que recobre a traqueia, o cirurgião a afasta. Faz uma incisão ao nível do segundo ou terceiro anel iraqueal e retira um pedaço da cartilagem, formando uma janela na parte anterior da traqueia. Com isso, o ar já pode penetrar.

Em seguida, o cirurgião introduz na janela um tubo metálico pequeno e curvo (cânula) que tem em sua ponta uma chapinha de metal, que ficará no exterior. Um cadarço especial, preso aos furos das extremidades da chapa, é amarrado em tomo do pescoço, para fixar a cânula. Outro tubo metálico (cânula interna), igual ao pri­meiro, é introduzido e adaptado à cânula, para facilitar a limpeza das secreções, pois pode ser retirado com facilidade.

Depois de colocar o tubo, o cirurgião faz uma sutura depomos frouxos na área aberta ao redor da cânula, para impedir que o ar vindo dos pulmões infiltre e fique retido embaixo da pele. A opera­ção termina com um curativo de gaze seca em volta da cânula.

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Cuidados ao traqueostomizado 

A traqueostomia exige cuidados pós-operatórios para evitar complicações sérias. É preciso muita atenção, por exemplo, com os brônquios do doente, que devem permanecer li­vres de secreções. Além disso, é necessário impedir uma invasão pulmonar de germes capazes de causar uma broncopneumonia. A cânula interna deve ser retirada periodicamente, lavada, fervida e recolocada. Mesmo a cânula externa pode ser, eventualmente. subs­tituída com facilidade, depois do terceiro dia da operação.

O tubo é retirado quando a respiração normal puder restabele­cer-se. O corte na traquéia se fecha com o crescimento espontâ­neo de uma membrana fibrosa, que é seguido pela cicatrização dos tecidos superficiais.

A presença da cânula dificulta a fonação do paciente. Mas basta colocar o dedo na boca da cânula, para que o ar suba para a larin­ge efaça vibrar as cordas vocais.

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