Atresia da Válvula Tricuspide – Estreitamento da Válvula – Causas e Cirurgia

Entre os processos mais aperfeiçoados da cirurgia cardíaca estão os que visam à correção das malformações congênitas do coração e dos grandes vasos, como aorta e artéria pulmonar. Mas intervenções dessa natureza só encontraram campo propício depois que foi possível ao cirurgião visualizar os defeitos a serem corrigidos, com o uso do coração-pulmão artificial, que permite a circulação extra-corpórea.

Hoje os recursos da moderna cirurgia oferecem novas oportunidades ao doente cardíaco: seu coração pode ser remodelado ou substituído. Mesmo assim, há casos em que o tratamento paliativo é mais recomendado, para que o doente supere o período mais grave da sobrecarga circulatória. Depois, poderá ser realizada a correção definitiva dos defeitos congênitos ou adquiridos.

Os portadores de determinadas malformações cardíacas, como por exemplo a atresia da válvula tricúspide, lesão de difícil restauração, exigem cirurgia. Caracteriza-se esta mal formação pela oclusão congênita da válvula que separa o átrio direito do ventrículo direito (válvula tricúspide). Em conseqüência, o sangue venoso não encontra passagem entre as duas cavidades.

Atresia da Válvula Tricuspide
imagem: lookfordiagnosis.com

A circulação então se faz entre os átrios direito à esquerdo, pela comunicação interatrial, e deste último para o ventrículo esquerdo. Deste, o sangue vai para a aorta e é desviado para a artéria pulmonar, por intermédio do canal arterial. Uma parte do sangue é igualmente desviada do ventrículo esquerdo para o direito por meio de uma comunicação interventricular.

Causas – Atresia da Válvula Tricuspide

A atresia da tricúspide associa-se, portanto, a lesões múltiplas, como: comunicação interatrial, comunicação interventricular, ventrículo direito diminuído, canal arterial permeável (ligação aorta—artéria pulmonar) e anomalias vasculares, as quais dão a esta afecção caráter de extrema gravidade.

A anomalia faz com que o sangue venoso seja levado do átrio direito ao lado esquerdo sem passar pelo ventrículo direito. Assim, misturam-se sangue venoso e arterial, o que explica a cor azulada da pele (cianose) em portadores do defeito.

Essa lesão pode ainda estar associada à transposição dos grandes vasos da base do coração: a aorta, nascendo àfrente e à esquerda da artéria pulmonar, com origem no ventrículo direito, e a artéria pulmonar, atrás e à direita da aorta, nascendo no ventrículo esquerdo. A anomalia conduz a cianose intensa e, conseqüentemente, à morte ocasionada por insuficiência cardíaca.

Em virtude da passagem do sangue do lado direito para o esquerdo com fluxo pulmonar diminuído – resultado do pequeno desenvolvimento do ventrículo direito -, a cianose é uma constante nas crianças com tal anomalia. Os sinais característicos são bem evidentes e surgem desde os primeiros dias de vida. Quanto mais precoce for a manifestação da cianose, menores serão as probabilidades de sobrevivência.

Palpitações no Coração

Complexidade

Esta lesão cardíaca, extremamente complexa, é diagnosticável através de exame clínico minucioso. Outros exames, como eletrocardiograma, raios X do tórax, cateterismo cardíaco e angiocardiografia, especialmente do ventrículo esquerdo, corroboram o diagnóstico.

Este último exame é constituído pelo estudo radiológico das cavidades cardíacas. Para isso injeta-se a substância constantemente diretamente nas cavidades através de cateter (sonda especial) introduzido numa veia superficial, geralmente do braço até o coração.

Mediante exame físico, observa-se a congestão dos vasos do pescoço, aumento de volume do fígado e arroxeamento dos lábios, orelhas, mãos e pés. Estes e o abdome podem apresentar inchaço. Pela auscultação do coração percebe-se em setenta por cento dos casos um ruído de sopro coincidente com a sístole cardíaca.

Diagnóstico: eletrocardiograma e angiocardiografia

O diagnóstico é então confirmado pelo eletrocardiograma, que acusa hipertrofia dos átrios, sobrecarga do ventrículo esquerdo e ausência de função do ventrículo direito. Pelo exame radiológico observa-se a. mento do arco atrial direito e diminuição do ventrículo do mesmo lado.

A angiocardiografia completa o diagnóstico, mostrando com bastante nitidez as comunicações interatrial e interventricular e a ausência de enchimento do ventrículo direito.

Ao constatar-se que uma criança apresenta cianose e hipertrofia do ventrículo esquerdo, com desvio para a esquerda do eixo elétrico do coração, pensa-se logo em atresia da tricúspide. E, de modo geral, 50% dos pacientes morrem antes dos seis meses e 70% não alcançam um ano de idade.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico da atresia da tricúspide visa aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar e diminuir a barreira intracardíaca existente. Contudo, a correção total das lesões, em virtude de sua complexidade, ainda hoje não é posta em prática, nem mesmo com o uso da circulação extracorpórea.

As primeiras operações realizadas tiveram por objetivo o aumento da circulação pulmonar por meio de derivação (anastomose) da artéria subclávia para a artéria pulmonar. Em conseqüência, seria obtida maior oxigenação do sangue na árvore pulmonar.

Anastomose entre aorta e artéria pulmonar

Outro tipo de operação proposta foi a anastomose entre aorta e artéria pulmonar, cirurgia simples e de fácil execução. Seus resultados, porém, ainda não foram alentadores. A partir dessa época, cirurgiões soviéticos e norte-americanos, em trabalho independente, concluíram que a melhor medida cirúrgica seria realizar a unido da veia cava superior com o ramo direito da artéria pulmonar.

Este tipo de cirurgia possibilita a passagem de 40% do sangue venoso diretamente para o pulmão, sem que haja interferência do ventrículo direito. Os pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia devem ser protegidos contra a complicação mais freqüente: a infecção pulmonar.

Outra tentativa é a correção total das lesões com o uso da circulação extracorpórea, associada ou não à hipotermia.

Entretanto, qualquer que seja o tipo de cirurgia empregado, o prognóstico é ainda reservado, em virtude da complexidade da lesão e da multiplicidade de defeitos que reúne.



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