Catarata – Tipos: Congêtina, Traumática: Tratamento e Cirurgia

As opacificações do cristalino são todas reunidas sob a designação genérica de cataratas. E conforme o momento em que ocorreu a opacificação, a catarata pode ser classificada como congênita ou adquirida. Confira os principais tipos de Catarata, entre eles a Congêtina e a Traumática. Saiba mais sobre o Tratamento e a Cirurgia.

 

CATARATA CONGÊNITA

As cataratas congênitas são as que acometem a criança antes do nascimento. Se até o terceiro mês de gravidez a gestante contrair
alguma doença como a rubéola, o sarampo, o tjfo exantemático(doença diferente da febre tifoide), ou moléstias viróticas, a consequência
poderá ser uma lesão epitelial no ectoderma primitivo, do qual deriva o cristalino do feto.

Pela própria formação do cristalino, as cataratas congênitas nunca produzem uma opacificação total, pois o núcleo secundário
não está “maduro “e as camadas periféricas não são atingidas pela moléstia. As cataratas congênitas, portanto, não evoluem, o que permite
à criança uma visão razoável. Isso porque as camadas periféricas, ainda transparentes, possibilitam a entrada de feixes de luz quando
a pupila estiver aberta ou dilatada. Entre as cataratas congênitas destacam-se a polar anterior e a zonular.

catarata-congetina

CATARATA POLAR-ANTERIOR

Pode ser notada quando os pais percebem que a criança apresenta um ponto branco na pupila, pois esse tipo de catarata atinge a superfície anterior do cristalino, evidenciando-se pelo aparecimento desse ponto branco, redondo e bem delimitado, no centro da pupila.

CATARATA ZONULAR

Esse tipo de catarata congênita não é imediatamente notado pelos pais. A opacificação do cristalino não é total e permite uma visão relativamente boa para a criança. O processo de instalação da moléstia inicia-se na zônula, parte onde se inserem as fibras de sustentação do cristalino no corpo ciliar. Daí alastra-se para o núcleo central, onde se instala definitivamente.

A zona periférica oposta à ligação com a zónula permanece transparente, possibilitando a visão. Quando há pouca luz, a pupila se dilata, o que permite à criança enxergar através das partes que não se opacificaram. Na zona marginal transparente, aparecem esfrias – pequenas
opacidades dispostas como os raios de uma roda -, que dão à catarata zonular aspectos diferentes. Se a pupila for completamente dilatada, percebe-se que a opacidade está concentrada nos estratos centrais do cristalino e que, apesar das estrias ligeiramente opacas, époss(vel a visão nas zonas em que elas se encontram.

As principais causas das cataratas adquiridas são traumatismos, senilidade e algumas moléstias que causam perturbações endócrinas. Conforme a causa, as cataratas adquiridas podem ser classificadas em senis, traumáticas e metabólicas.

 

CATARATAS SENIS

Á opacificação senil do cristalino apresenta-se em indivíduos de idade avançada, nos quais os mecanismos de defesa, em conseqüência do envelhecimento fisiológico das células, deixam o organismo mais vulnerável ao desenvolvimento de qualquer processo patológico. Apesar de se apresentarem com aspectos muito variados, dois são os tipos mais freqüentes: a catarata cortical e a catarata nuclear. A primeira é reconhecida à olho nu, pela cor clara, opalescente e em forma de estrias, que aparece através da pupila. Forma-se em virtude da opacificação da cápsula do cristalino em sua parte periférica.

A catarata cortical manifesta-se, geralmente, após os 50 anos de idade, quando o indivíduo se queixa de uma visão enevoada, como se estivesse olhando através de um vidro opaco. Sua visão melhora com luz forte, pois a (ris se contrai, o que determina a diminuição do diâmetro da pupila. Como nessa afecção a parte mais afetada é a periferia do cristalino, o olho vê através do centro, menos opaco. Com muita luz, o paciente consegue até ler e perceber detalhes de objetos que, com pouca luz, não conseguiria distinguir facilmente.

A catarata nuclear caracteriza-se por uma opacidade difusa que incide mais sobre o núcleo do cristalino do que sobre sua periferia. Os sintomas se manifestam lenta e progressivamente, em geral após os 60 anos.

O doente queixa-se de ver mal quando a luz é forte,uma vez que a parte mais atingida do cristalino é o núcleo, cuja opacidade diminui em direção às partes periféricas. Por Isso, a visão melhora quando há pouca luz, pois, como a pupila está dilatada, o paciente vê pela periferia, menos opaca.

CATARATAS TRAUMÁTICAS

A cápsula do cristalino funciona como uma capa de proteção que não permite ao humor aquoso, que banha aparte anterior do olho, penetrar o seu interior. Um ferimento com objeto pontiagudo, uma simples contusão do globo ocular, um golpe muito forte sobre a têmpora podem provocar a ruptura da cápsula e a conseqüente penetração de humor aquoso no cristalino.
Se o ferimento é pequeno, ocorre uma opaciflcaçâo circunscrita, que não prejudica muito a visão; por outro lado, se o ferimento é profundo, o humor aquoso penetra entre as fibras do cristalino. Com isso, a visão fica totalmente prejudicada, pois essas fibras se distendem de tal maneira que o cristalino se torna mais esférico e se opacifica, enquanto a fris é impulsionada para afrente. Nos casos em que o ferimento é mais profundo, há sempre o perigo de complicações inflamatórias e infecciosas, pois o cristalino fica diretamente em contato com o meio exterior. Sua defesa é bastante precária em virtude de ser uma estrutura com irrigação sanguínea muito restrita e, portanto, com menor proteção dos agentes antiinfecciosos existentes no sangue. Por isso, as cataratas traumáticas exigem tratamento imediato.

CATARATAS METABÓLICAS

As perturbações endócrinas também podem ocasionar cataratas, por alterações metabólicas. No caso do diabete há um desequilíbrio que se manifesta no cristalino, como conseqüência dos distúrbios gerais que o próprio diabete provoca: as células das fibras que formam o cristalino podem ficar edemaciadas e, com o passar do tempo, se impregnam de cálcio. Conseqüência: a catarata diabética, que vai ocasionar uma opacificação total.
A insuficiência das paratireóides provoca diminuição do hormônio que elas produzem. Esse hormônio controla a solubilidade dos sais de cálcio, e sua ausência leva a uma precipitação desses sais ao nível das células do cristalino, cuja conseqüência é a catarata.

TRATAMENTO

Para qualquer tipo de catarata, o único tratamento realmente eficaz é a cirurgia. Após a instilação de um colírio anestésico, reforça-se a anestesia por infiltração de novocaína (ou seus derivados) na porção retrobulbar (atrás do olho). Por meio de afastadores próprios, procede-se à abertura das pálpebras. Os olhos são imobilizados através de sua musculatura. Abre-se então a conjuntiva bulbar com tesouras. A periferia da córnea é atingida e aberta com um bisturi especial. A pupila é dilatada ao máximo e retira-se todo o cristalino opacflcado. Em seguida, a córnea e a conjuntiva são suturadas. Finalmente, procede-se à oclusão do olho, que é  antido vendado e em repouso durante uma semana, ao fim da qual retiram-se as ataduras.

CONSEQÜÊNCIAS DA OPERAÇÃO

Como o cristalino tem a função de uma lente convergente que muda de formato cada vez que se querfocalizar um objeto (perto e longe), a sua supressão precisa ser compensada. Isso porque os feixes luminosos não mais serão focalizados na mácula.

Essa necessidade é suprida pelo uso de óculos com lentes corretoras, cuja forma é convergente e de valor igual ao cristalino. Há tempos, as lentes usadas pelas pessoas operadas de catarata eram grossíssimas e, por essa razão, muito pesadas. Mas as lentes modernas são fritas de tal maneira que, por detalhes técnicos, compensam os valores e reduzem o peso.

Atualmente, adotam-se também lentes de contato. Em todos os casos, as lentes devem ser mistas, pois, na ausência do cristalino, o olho necessitará de um mecanismo substituto para a visão a distância e outro destinado a focalização de objetos próximos.

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