Cisticercose (cysticercus cellulosae) – O que é? Como se Pega?

Antes de falar sobre a cisticercose é fundamental falar sobre a Solitária. A Taenia solium (solitária) sobrevive em regiões onde existem precárias condições de higiene. Nessas regiões, o porco – hospedeiro intermediário – está exposto ao contato com os ovos da tênia.

No animal, os ovos evoluem, produzindo larvas: os cisticercos. Ao comer carne contaminada, as pessoas passam a alojar o verme. O homem infectado torna-se fonte de disseminação dos ovos que, ingeridos pelo próprio homem, ou então pelo porco, evoluem para afine larvá ria: Cysticercus cellulosae.

O Hospedeiro Homem

Cisticercose-transmissao

O homem é a única fonte de infestação da doença, pois torna-se o hospedeiro da fase adulta da tênia. Os anéis maduros da tênia (proglotes) são eliminados do intestino junto com as fezes e, na ausência de instalações sanitárias eficientes, permanecem expostos. Em contato com o meio ambiente, degeneram-se, liberando ovos que contaminam a água e os alimentos, sendo facilmente ingeridos. É a chamada heteroinfestação, a mais comum forma de contágio de cisticercose.

Mas também pode ocorrer a auto-infestacão externa. Levando a mão à boca ou pegando alimentos, o portador de teníase ingere os ovos que estavam em suas fezes. Por isso é importante sempre lavar as mãos após a evacuação e antes das refeições.

Já a auto-infestação interna é provocada por movimentos antiperistálticos ou por vômitos. As proglotes da tênia ou seus ovos livres caminham para o estômago e, sofrendo a ação do suco gástrico, os embriões se libertam. Assim, o organismo do paciente é ocupado por centenas ou milhares de larvas.

 

tenia-Cisticercose

 

O que acontece depois da ingestão dos ovos?

Dois ou três dias após a ingestão dos ovos, as larvas abandonam o envoltório externo, devido ao estímulo do suco pancreático. Invadem a mucosa e chegam aos vasos da parede intestinal, penetrando na corrente sanguínea.

Arrastadas pela circulação, são levadas aos mais diferentes pontos do organismo, mas demonstram preferência por determinados órgãos e tecidos, onde se instalam.

Encontrando condições favoráveis, ao fim de três meses o cisticerco se encontra inteiramente formado. Torna-se então uma vesícula arredondada ou ovoide, clara, semitransparente, contendo no interior líquido cristalino. A parede da vesícula é formada por uma cutícula delgada, de estrutura laminada, debaixo da qual se encontra uma camada germinativa nucleada. A vesícula tem cerca de 15 milímetros de comprimento.

No homem, o cisticerco localiza-se de preferência no globo ocular e no sistema nervoso, sendo bastante variável o número de vesículas encontradas nas diversas regiões. Uma vez instalado no sistema nervoso, forma-se em torno do cisticerco um processo inflamatório que pode comprometeras células nervosas vizinhas.

O Sistema Nervoso e a cisticercose

A cisticercose provoca ainda várias reações gerais no sistema nervoso, destacando-se as leptomeningites. No parênquima nervoso as reações são difusas, com o aspecto de inflamação perivascular, causadas por elementos inflamatórios mesenquimais e por proleração da neuroglia. As paredes das artérias próximas ao sistema nervoso também se alteram e os vasos podem ficar obstruídos, provocando distúrbios circulatórios graves.

No globo ocular, o cisticerco em geral caminha através dos vasos da coróide. Ao se desenvolver, exige mais espaço, que é obtido até mesmo com a invasão do humor vítreo. Sua ação, associada a processos inflamatórios, provoca alterações no globo ocular, que podem até mesmo ocasionar a cegueira do paciente. O cisticerco também invade as fibras musculares, em torno das quais forma uma membrana fibrosa.

 

Sintomas Atípicos

A cisticercose não apresenta sintomas próprios, característicos, mas quadros clínicos diversos, que variam bastante de uma pessoa para outra. Isso porque as lesões dependem da localização do parasita.

Localizados no sistema nervoso, os cisticercos normalmente provocam convulsões, hipertensão intracraniana e distúrbios psíquicos. As convulsões ocorrem em 50% dos casos. Cefaleia, vômitos e diminuição da acuidade visual têm intensidade e evolução variáveis. As vezes a hipertensão é acompanhada por alterações psíquicas: apatia, indiferença ou intensa agitação. Contudo, essas perturbações se confundem com psicoses como a esquizofrenia, a melancolia e a síndrome delirante.

Quando o cisticerco se instala na câmara anterior do globo ocular, logo surgem processos inflamatórios facilmente percebidos. Em qualquer outra região do globo, porém, a ausência de dor dificulta o diagnóstico, que só é constatado quando surgem perturbações da visão central ou periférica.

Na musculatura esquelética e no tecido celular subcutâneo a doença em geral não provoca perturbações. As vezes pode causar dores na região lombar, nas pernas e na nuca.

 

Exames para Cisticercose

A diversidade dos sintomas apresentados pelos pacientes com cisticercose torna bastante difícil a realização de um diagnóstico seguro. Por isso é indispensável a utilização de exames de laboratório. Os exames de fezes, por exemplo, permitem constatar a presença da tênia adulta no interior do intestino do paciente.

Exame hematológico

O exame hematológico, no qual se pode observar um aumento da taxa de eosinófilos (leucócitos “marcados’ pelo corante eostna), tem sido um útil recurso para a orientação do diagnóstico de cisticercose. Apresenta, porém, limitações, uma vez que a eosinofilia sanguínea é muito freqüente no meio tropical.

Exame de líquido cefalorraquidiano

O exame de líquido cefalorraquidiano fornece maior número de elementos para o diagnóstico, pois a cisticercose determina alterações do líquor, com características que sugerem processos de tipo inflamatório crônico. Auxiliam o diagnóstico, ainda, os exames radiológicos e anatomopatológicos e as reações imunobiológicas.



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