Colecistite Aguda e Crônica – Sintomas, Causas e Tratamentos

A presença de cálculos na vesícula pode originar um processo mais sério e frequentemente mais grave. Os cálculos fazem contínua pressão sobre as paredes da vesícula; e, a cada movimento da órgão, exercem atrito sobre a mucosa que reveste seu interior. Com essa constante irritação, começa a desenvolver-se um processo inflamatório, a colecistite.

Relação com as pedras na vesícula

Em muitos casos, a colecistite aparece associada à colelitíase, as “pedras” na vesícula. Mas nem sempre o processo se inicia assim. Em outros casos, é a colecistite que provoca a formação de cálculos. Em geral, vários fatores aparecem interligados, na formação de uma colecistite, de tal forma que se torna difícil, por vezes, descobrir qual foi a causa básica da inflamação.

Causas

Qualquer fator que provoque acúmulo de bile na vesícula (estase vesicular) pode determinar a inflamação do órgão, impedindo que ele continue a desempenhar normalmente suas funções. E, se os cálculos aparecem, o atrito com as paredes acentua cada vez mais a irritação da mucosa.

Se ocorre a estase, a bile não é eliminada e grande quantidade de seus elementos componentes – sais, ácidos e lipídeos – deposita-se sobre as paredes da vesícula. Essa deposição anormal pode ocasionar reações inflamatórias. É frequente que, nas paredes da vesícula inflamada, seja encontrado um depósito anormal de lipídeos, em especial colesterol, associados a ácidos e sais.

publicidade

Colecistite

Às vezes, a própria disposição anatômica da vesícula contribui para o aparecimento de uma Inflamação. O tamanho e a disposição do canal que excreta a bile favorecem muitas vezes a entrada de germes, que podem ser o ponto de partida para um processo infeccioso. Por outro lado, a forma de pera permite que as substâncias não eliminadas depositem-se no fundo.

Os germes raramente constituem a causa inicial da formação de uma colecistite. Mas é bem frequente que apareçam, na evolução do processo, determinando sua complicação. Chegam à vesícula através dos canais biliares (colédoco e cístico) ou por via linfática ou sanguínea.

Com a associação de vários desses fatores, na maioria dos casos, desenvolve-se um processo inflamatório da vesícula. Pode ser agudo ou crônico e os cálculos podem ou não estar presentes.

publicidade

 

Sintomas da Colecistite

colecistite-aguda

Como a evolução da colecistite não é sempre igual, os sintomas também diferem conforme seja uma inflamação aguda ou crônica, calculosa ou não.

Na forma aguda não calculosa, em geral o primeiro sintoma é a dor, provocada pela distensão das paredes da vesícula, que irrita as terminações nervosas e provoca a sensibilidade dolorosa. Dificilmente manifesta-se como cólica e os analgésicos comuns podem acalmá-la.

Mas as náuseas, o vômito, a falta de apetite e a reação automática do paciente à palpação do abdome são indícios seguros. Com repouso e medicação adequada, essa reação muscular vai pouco apouco se atenuando e acaba por ceder.

Se a forma aguda se complica com a presença de cálculos, que podem ser a causa ou uma consequência da inflamação, o quadro torna-se mais grave. As dores, multo intensas, surgem como cólicas, que provocam grande agitação, sudorese, calafrios, palpitação.

Nos casos mais sérios, a dor reflexa pode estender-se até a omoplata. Os gases se concentram no intestino e o abdome, além de doloroso, fica distendido. Febre, náuseas e vômitos também se manifestam e logo surge a Icterícia. A bile, que não pode seguir o percurso normal, derrama-se pelo sangue e marca os tecidos; os olhos ficam amarelos, as fezes. claras e a urina, escura, carregada de sais biliares.

Nesses casos, a evolução é mais difícil. A vesícula pode tornar-se retraída e fibrosa, com possibilidade de ser atingida por novos surtos inflamatórios. Ou pode acontecer que o processo inicial continue a desenvolver-se, agravando-se cada vez mais e talvez chegue mesmo a formar-se um abscesso, com perfuração da vesícula e derrame de bile no peritônio.

Essas complicações são muito graves e por isso sempre se recomenda a cirurgia, nos casos de cálculo, antes que possa surgir esse tipo de complicação.

Colecistite crônica,

Outra forma de colecistite é a crônica, calculosa ou não, que se manifesta de modo bem mais ameno. Dificilmente ocorre a cólica. A dor, erroneamente chamada “dor no fígado’ em geral aparece quando o paciente faz um esforço físico maior, ou ingere uma refeição exagerada ou inadequada (com gorduras, frituras, álcool etc.).

Em geral surge à noite e, nas mulheres, é comum que se relacione com o período menstrual. Náuseas, falta de apetite, má-digestão e, esporadicamente, vômitos, completam o quadro.

 

Tratamento

diagnostico-medico-calculo-renal

O mais importante para o tratamento da colecistite é, basicamente, a dieta. Gorduras, temperos, chocolate e bebidas alcoólicas são contra-indicados. Esses alimentos obrigam a vesícula a um trabalho maior, provocando o atrito dos cálculos – quando existem – contra as paredes. Com isso começa a dor.

A gordura animal – leite, manteiga, banha – não deve ser usada; o óleo de soja ou de milho são bons substitutos.

A dieta é importante também para manter a boa digestão e evitar a prisão de ventre e o acúmulo de gases, que distendem ainda mais o abdome e agravam os sintomas da enfermidade. Por esse motivo são contra-indicados alimentos como couve, couve-flor, brócolos, feijão, lentilha e, de modo geral, qualquer refeição volumosa, de d(/Tcil digestão.

Na fase aguda, o repouso absoluto é indispensável. Mas fora dela o trabalho e os exercícios físicos, contanto que moderados, não trazem maiores problemas. É importante também que o paciente se mantenha em bom estado de equilíbrio emocional, pois a tensão nervosa, as preocupações constituem mais um fator agravante. Superada a fase aguda, o paciente é mantido em observação e deve continuar a seguir um regime dietético.

Se o tratamento clínico não produz resultados satisfatórios, pode ser recomendável a cirurgia, especialmente nos casos de cole-cistite calculosa. A extirpação da vesícula é uma intervenção simples e em geral traz ótimos resultados, mesmo porque esse não é um órgão que faça muita falta. O paciente recupera-se rapidamente e, num prazo de cerca de três semanas, Já pode retomar parcialmente suas atividades.

publicidade