Coreia de Sydenham ( a Doença de São-Vito ) – Causas e Tratamentos

A Coreia de Sydenham corresponde a uma alteração no sistema nervoso central, decorrente da doença reumática, encontrada em pessoas que têm sensibilidade especial a infecções causadas por es­treptococos. Tal afecção é considerada uma das grandes manifes­tações da atividade reumática, ou seja, uma das alterações que aparece nas fases ativas do reumatismo infeccioso. No entanto, precisa ser diferenciada de vários outros quadros clínicos de ori­gem diversa e, especialmente, da Coreia de Huntington.

Manifestações da Coreia de Sydenham

Os movimentos coréicos são caracterís­ticos: várias partes do corpo movem-se desordenadamente. Em ge­ral são movimentos dos membros e da face. Embora o paciente te­nha consciência da “dança’ ela é totalmente involuntária. Varia desde pequenos movimentos de curta duração de dedos, artelhos, mãos, pés e lábios, até agitação muscular intensa, quase permanen­te. Nos casos mais graves, os movimentos anormais impedem a preen são de objetos, a marcha e afala.

A Coreia de Sydenham é evidenciada, particularmente, pelo tremor quase con­tínuo das mãos.

A coreia de Sydenham pode ser a única manifestação clínica da doença reumática em atividade. Constitui, nesses casos, a coréia isolada ou pura. Mais freqüentemente é acompanhada por outras manifestações: febre, mal-estar, fraqueza, lesões cardíacas ou in­flamação de articulações. Como a doença reumática, a coreia de Sydenham afeta sobretudo crianças (entre dez e quinze anos), prin­cipalmente as do sexo feminino.

Coreia de Sydenham

Causas

Além da doença reumática, outros processos inflamatórios podem ocasionar a coréia. Neles ocorre uma alteração direta ou indireta do sistema nervoso central. As­sim, encefalites (infecções do encéfalo), alterações encefálicas das doenças exantemáticas causadas por vírus, difteria e coqueluche podem determinar a coréia.

Outros causadores de coréia são alte­rações dos vasos cerebrais, tumores do cérebro e doenças degene­rativas do sistema nervoso. No entanto, todos esses fatores consti­tuem porcentagem mínima entre os agentes causadores da doença. A maior parte dos casos está, na realidade, ligada à doença reumá­tica, embora os exames de laboratório freqüentemente não demons­trem a presença de atividade reumática.

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A coreia de Huntington, uma doença hereditária, é considerada moléstia degenerativa do sistema nervoso central. A credita-se que, como nas demais coreias, a alteração de uma estrutura específica localizada na base do cérebro, o neoestriado, seja responsável pelo aparecimento dos sintomas.

Ao contrário da Coreia de Sydenham, a coréia hereditária afeta predominantemente os adultos, sem escolha de sexo. Outra dife­rença é a ocorrência de diminuição das capacidades mentais nesse tipo de coreia.

Além dos movimentos coréicos, o paciente apresenta distúrbios emocionais, queda do nível intelectual e alterações psicológicas. A capacidade intelectiva e a memória vão sendo progressivamente afetadas. O indivíduo torna-se irritadiço e apresenta fases de de­pressão, às vezes entremeadas com crises de violência.

Tratamento da Coreia de Sydenham

Os casos de Coreia de Sydenham geralmente são uma dificuldade para o médico. Muitas vezes, somente através de observação prolongada, tratamento intensivo e controle de ou­tras afecções associadas é que o caso pode ser esclarecido.

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O tratamento da coréia exige repouso no leito e a eliminação dos fatores externos que possam dar origem às crises de movimen­tos anômalos. Ruídos, iluminação excessiva e a presença defami­liares são os estímulos mais comuns que devem ser evitados.

Quando necessário, o médico prescreverá sedativos e medica­mentos tranqüilizantes como fenotiazínicos e barbitúricos.

Mesmo na coréia de sydenham é comum a interferência de fato­res psicológicos. Conflitos de personalidade e alterações emocio­nais muitas vezes são fatores de importáncia fundamental. Para es­ses casos será indicado, simultaneamente ao tratamento clínico, o auxílio do psiquiatra.


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