Doença de Chagas – Tem cura? Prevenção, Sintomas e Dicas

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Mais de 5 milhões de pessoas, no Brasil, são afetadas por essa doença incurável, que prolifera sobretudo entre as populações rurais.

Conhecidos popularmente pelos nomes de “barbeiro “, “chupança’: “procotó” e “bicho-de-parede ” os triatomíneos, insetos que se alimentam do sangue de mamíferos, são os principais hospedeiros do Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença de Chagas.

Os barbeiros moram nos ninhos, abrigos ou esconderijos dos animais portadores do parasita, de maneira que, ao sugar-lhes o sangue, fazem com que os animais adquiram a infecção. A partir daí se estabelece um círculo vicioso.

Ao picar os animais, o barbeiro deposita na superfície da pele suas fezes, que contêm o parasita. Os excrementos contaminados poderão penetrar no organismo do animal que, então, adquirirá a infecção.

ANTROPOZOONOSE

Os indígenas aparentemente não sofriam da doença de Chagas, porque os barbeiros não se adaptavam a suas malocas feitas de troncos e folhas de árvores.

Preferiam circular no mato, produzindo a doença nos animais. Quando, no entanto, os colonizadores europeus chegaram, difundiu-se um novo tipo de habitação, feita com material facilmente encontrável e disponível: a casa de barro ou de pau-a-pique.

Feita com varas e troncos amarrados e rebocada de barro, a casa de pau-a-pique tornou-se a habitação preferida também pelo barbeiro. Isso porque o barro, ao secar, se retrai um pouco e se torna fendilhado. Nessas frestas da parede, o barbeiro encontrou um ambiente muito favorável para se ocultar e procriar.

Aí as fêmeas põem seus ovos e os filhotes, assim que nascem, começam a chupar sangue, único alimento que experimentarão ao longo de toda a vida. Durante o dia, tal como os percevejos das camas – seus parentes mais próximos -, esses insetos permanecem escondidos.

Saem somente durante a noite, para procurar alimento. Homens e animais domésticos servem para esse propósito. Adquirem o parasita e, em seguida, o transmitem às novas gerações de barbeiros (que surgem todos os anos).

Qualquer espécie de triatomíneo pode desempenhar o papel de transmissor. No Brasil, a mais freqüente é o chamado Triatoma infestans, que é encontrado, sobretudo, no sul de Minas, Goiás, Mato Grosso, bem como no interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Já em Minas e na Bahia predomina o Panstrongylus megistus, inseto que em São Paulo ocupa o segundo lugar como transmissor. No sertão nordestino, as espécies mais comuns são o Triatoma brasilienses e o Triatoma maculara.

O microscópico Trypanosoma cruzi, parasita causador de zoonoses (doenças dos animais), tornou-se a praga das casas de barro, onde ataca animais e homens, sem discriminação. Transformouse, portanto, em parasita causador de antropozoonoses (doenças dos homens e dos animais).

UM PAÍS INFECTADO

O número de pessoas com doença de Chagas em toda a América Latina é superior a 7 milhões, dos quais bem mais de 5 milhões no Brasil.

Existe, no entanto, outra cifra ainda mais assustadora: calcula-se que 35 milhões de pessoas, em toda a América Latina, pelo fato de viverem em casas onde existe o barbeiro, estejam sujeitas ao risco de infecção. Nem todos os portadores do parasita apresentam as formas graves da doença.

Muitos não demonstram os sintomas e podem não sentir mal nenhum durante toda a vida. Outros, no entanto, apresentam alterações cardíacas, em maior ou menor grau.

É a chamada miocardite chagásica, que é a manifestação mais freqüente da doença. Outras alterações são o megaesôfago (dilatação crônica do esôfago) e o megacólon (dilatação crônica do intestino).

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A INCIDÊNCIA

A distribuição dos doentes está longe de ser homogênea. Assim é que nos Estados Unidos, em muitas regiões do. México e na Amazônia, os casos humanos são raríssimos, apesar da existência do barbeiro e de animais infectados pelo parasita. Dado o tipo de habitação, não há contato entre insetos e pessoas, não ocorrendo transmissão.

O Trypanosoma cruzi multiplica-se no intestino do barbeiro e é expelido junto com suas fezes. É por esse motivo que só poderá invadir o organismo humano quando o barbeiro deposita seus ex crementos na pele, contaminando as mucosas da boca, nariz, olhos ou pequenas lesões ou feridas.

Nas áreas em que o barbeiro é estritamente selvático, isto é, se limita a sugar sangue de animais, o homem praticamente não corre nenhum risco. Somente em casos excepcionais alguém poderá ser atingido, como, por exemplo, ao se expor em acampamentos.

Já em regiões rurais de Minas, Bahia, Goiás e São Paulo, onde predominam casas de pau-a-pique, a situação é alarmante. Suas paredes de barro rachado constituem um esconderijo cômodo e seguro para os barbeiros. As vezes, chegam’ a ser capturados, em uma só casa, milhares desses insetos.

Destes, nem todos se encontram infectados. Calcula-se que a proporção de barbeiros portadores de Trypanosoma cruzi varia entre 10 e 15%, o que permite compreender por que, dentre cinco pessoas expostas ao risco de infecção, uma certamente acabará por contrair a doença.

Em virtude do habitat predileto do barbeiro, a população que corre maior risco de contrair a doença é a menos favorecida sob o ponto de vista econômico e social, quer nas zonas rurais, quer nos bairros pobres das grandes cidades, onde as condições habitacionais são muito precárias.

Dadas as circunstâncias em que se dá o contágio – em casa e à noite -, todos os membros da família correm o mesmo risco, independentemente de sexo ou idade. Parece, porém, que as crianças são mais suscetíveis.

INFECÇÃO SEM O BARBEIRO

Em circunstâncias especiais, a infecção passará de uma pessoa para outra sem a “ajuda” do barbeiro: é o que se denomina transmissão direta. A transmissão direta da doença de Chagas pode se dar durante uma transfusão de sangue.

Se o doador tiver tripanossomos no sangue, estes passarão sem nenhum obstáculo para o sangue do receptor, onde irão estabelecer-se com toda facilidade. Registram-se casos de pessoas que, embora nunca tenham estado em zonas infestadas, se contagiaram.

Feitas as pesquisas necessárias, para saber em que condições haviam contraído o mal, chegou-se à conclusão de que a doença se havia estabelecido após uma transfusão recebi da pelo paciente.

Aprofundadas tais pesquisas, no sentido de se conhecer a frequência de doadores infestados, verificou-se que a porcentagem varia de região para regido: na cidade de São Paulo, oscila entre 1 e 5%, mas em Ribeirão Preto (SP) e em localidades de Minas Gerais, por exemplo, alcança de 10 a 15%. Alguns bancos de sangue e hospitais empregam vários recursos para prevenir a transmissão da doença pela transfusão.

Um deles é a seleção de doadores por meio da reação de Machado-Guerreiro, que indica a existência da infecção. Outro método é o de juntar ao sangue uma pequena quantidade de violeta de genciana – corante capaz de matar os parasitas.

A transmissão direta da doença de Chagas dá-se ainda pela passagem do parasita da mãe para o filho, durante a vida embrionária, através da placenta. É sua forma congênita, pouco freqüente, em geral muito grave ou mortal à criança.

O COMBATE CONSTANTE

Pelo fato de ainda não existir cura para a doença de Chagas, sua profilaxia adquire importância fundamental e desenvolve-se cada vez mais. A prevenção mais eficaz seria a destruição completa das casas de pau-a-pique e sua substituição por casas salubres, onde o bar-beiro não tenha condições de sobrevivência.

Essa medida, porém, implica a mudança de condições sócio-econômicas e a extensão da higiene a todos os recantos do país. A luta atual contra a doença de Chagas é feita pela destruição dos barbeiros com inseticidas. As drogas mais usadas, são o RHC (hexaclorobenzeno) e o dieldrina, em suspensão na água.

A aplicação nas paredes e frestas é feita com a ajuda de uma bomba aspersora. Quando o líquido seca, a parede fica recoberta de cristais microscópicos da droga. Outro fator importante para uma campanha eficiente é que a totalidade das casas da zona endêmica sejam tratadas ao mesmo tempo.

Pode acontecer de alguns triatomíneos escaparem ao efeito dos inseticidas, ou, às vezes, pode ocorrer a reinversão de casas por insetos que viviam no campo ou em matas vizinhas.

Visto ser praticamente impossível tentar acabar com a transmissão silvestre do Trypanosoma cruzi – dados o número, a variedade e as condições de vida dos mamíferos e insetos que no ambiente natural participam do ciclo vital do parasita, é necessária uma vigilância permanente e contínua para que qualquer novo ataque seja surpreendido a tempo. Caso necessário, será feita uma segunda, terceira ou quarta aplicação do inseticida.

Fonte:

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Imagens:  sintomasiniciais.com.br    brasileiros.com.br



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