Doenças das Células – Causas e Tipos de Doenças nas Céulas

Dentro dos limites de tamanho e estrutura, as células possuem notável diversidade na forma e na função. Há centenas de tipos di­ferentes: musculares, nervosas, hepáticas, cutâneas, sanguíneas. A especialização celular decorre do grande número de funções de um organismo vivo. Certas células se modificam para melhor se adap­tar à execução de tarefas específicas.

É o caso, por exemplo, da cé­lula nervosa, que assume forma e estrutura adaptadas às funções de irritabilidade e condutibilidade, para poder reagir aos estímulos e transmitir as excitações de um ponto do organismo para outro. Já as células musculares têm estruturas protéicas especializadas – as miofibrilas – com capacidade contrátil altamente desenvol­vida, propriedade essa que é, aliás, característica geral da matéria viva.

Todos os órgãos e tecidos se originam de uma só célula: o zigo­to ou célula-ovo, resultante da união entre o gameta masculino e o feminino. A partir do momento da fecundação, essa célula se sub­divide ativamente.

No início o processo é sobretudo quantitativo (aumenta o número de células), mas logo se toma qualitativo. Os futuros órgãos se definem, produz-se diferenciação celular e for­mam-se os tecidos (histogênese).

Na “especialização” celular, o núcleo e o citoplasma não apre­sentam o mesmo comportamento. O núcleo não sofre modifica­ções tão profundas quanto as do citoplasma. Às vezes, diferentes tipos de célula apresentam núcleos muito semelhantes.

Assim co­mo o núcleo desempenha papel importante na herança, asseguran­do a transmissão de caracteres hereditários (nele estão contidos os cromossomos), o citoplasma exerce função predominante na dffe­renciação, apresentando as características específicas das células.

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Existe, contudo, um aspecto importante no qual todas as células são aproximadamente iguais: o tamanho. A enorme diferença en­tre o porte de um elefante e o de um rato, por exemplo, se deve ao maior número de células do primeiro, não ao tamanho delas.

Es­permatozóides, óvulos, células do figado, da pele, do cérebro e de outros órgãos não apresentam grandes variações no tamanho. Mesmo a diferença espantosa entre o pequenino ovo de rouxinol e o de avestruz não constitui exceção à regra: o tamanho do núcleo e a quantidade de protoplasma (conteúdo celular vivo, constituído sobretudo por citoplasma) são quase os mesmos. A desigualdade está na quantidade de matéria não-viva da clara e da gema.

O Trabalho da Célula

Uma série de reações químicas, ou uma contínua troca energética ou, ainda, uma incessante construção e demolição de matéria orgânica mantém vivas as célu­las. Elas são formadas por uma porção central – o núcleo (algu­mas não o possuem, como os glóbulos vermelhos) -, rodeada por citoplasma, que por sua vez é envolvido pela membrana plasmáti­ca. Esta é importante no trabalho celular: permite a entrada e saí­da de materiais, segundo a necessidade da célula.

No núcleo estão as informações hereditárias, que servirão como diretrizes para a célula no desempenho de suas funções, e no cito­plasma se encontram estruturas especializadas: as organelas cito-plasmáticas e as inclusões. As primeiras estão presentes em todas as células.

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Trata-se de mitocôndrias, retículo endoplasmático, apa­relho de Golgi, centríolos e lísossomos. Já as inclusões – geral­mente formações temporárias de certas células – constituem-se de acúmulos de pigmentos, lipídios, proteínas e glicídios.

AS CAUSAS MICROSCÓPICAS

Considerando-se as doenças como alterações do organismo, e sendo este último forma­do por milhões de células, é evidente que qualquer distúrbio orgâ­nico se manifesta ao nível celular. Modificações, desordens ou de­generações nessa unidade fundamental dos seres vivos apresentam-se, pois, como doenças orgânicas.

A teoria, que se fundamenta num raciocínio lógico, é uma das mais novas da biologia moderna, e atualmente vem obtendo com­provação experinental. Todavia, apesar de o conhecimento da es­trutura celular ter feito progressos notáveis após o advento do mi­croscópio eletrônico (por volta de 1950), até agora somente em ca­sos raros se conseguiu identificar uma organela celular doente.

Degenaração

Um tipo de alteração celular é a degeneração, ou seja, a perda de suas características por determinada célula. Aparece principal­mente nas células de atividade metabólica intensa (elevada troca de energia), como as do fígado, rim e miocárdio (parte muscular do coração).

Em vários tipos de degeneração, as lesões atingem a respiração celular (as mitocôndrias, portanto). A produção de energia diminui, e a primeira estrutura a se ressentir é a membrana plasmática: a passagem das substâncias necessárias fica prejudi­cada e a sobrevivência da célula entra em perigo.

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Em seu interior acumulam-se substâncias que normalmente deveriam aí estar em baixa concentração, como gorduras, proteínas, glicogênio. De acordo com a substância acumulada, há degeneração gordurosa, protéica, hialina, mucosa ou glicogénica.

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Lesões Celulares e a Síntese das Enzimas

As lesões celulares podem também atingir a capacidade de sín­tese das enzimas (moléculas protéicas gigantes que participam de todos os processos vitais do organismo) e as conseqüências se fa­rão sentir na respectiva cadeia de reações químicas.

Se faltar al­guma enzima ou se sua fabrica ção for deficiente, a reação química que ela preside não ocorrerá ou se dará em ritmo lento. Haverá, portanto, progressivo acúmulo de determinada substância dentro ou fora da célula. Como as reações químicas do organismo abran­gem proteínas, açúcares e gorduras, o excesso poderá ser de uma das três substâncias.

O Câncer

Entre as alterações, outro aspecto a ser aborda­do é o das células cancerosas. Estas caracterizam-se por sua re­produção rápida e desordenada, não sujeita aos mecanismos que controlam a divisão celular. Não apresentam as características do órgão de onde se originaram.

Existem também certas características comuns a alguns tipos de célula cancerosa: hipertrofia do aparelho de Golgi, desenvolvimen­to insuficiente das organelas, citoplasma indiferenciado etc.

Admi­te-se que o aparecimento de células cancerosas a partir de células normais se deva a duas causas: mutações (que tornariam os genes controladores do crescimento insensíveis à inibição) e alterações da membrana da célula que deixaria passar substâncias estimula­doras do crescimento.

A alteração pode comprometer a vida da célula, sobrevindo sua morte ou necrose. Contudo, muitas vezes é difícil estabelecer com precisão o instante em que a célula deixa de viver. A não ser em caso de morte brusca (coagulação ou precipitação rápida do pro­toplasma), a perda das funções celulares é lenta. A célula pode so­frer lesões irreparáveis e, apesar disso, algumas de suas junções persistirem por certo tempo.


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