Hanseníase – Transmissão e Causas – Sintomas e Tratamentos

A Hanseníase é citada desde os tempos bíblicos. O bacilo de Hansen, o Mycobacterium leprae, é semelhante ao bacilo de Koch, causador da tuberculose. Ambos apresentam o mesmo aspecto e outras características semelhantes, como resistência ao álcool e aos ácidos, de onde a denominação de bacilos álcool-ácido resistentes.

Mas entre as diferenças, sobressai a disposição nos tecidos, pois o bacilo de Hansen se apresenta sempre em feixes, como os cigarros acondicionados no maço, ou então em grandes aglomerados conhecidos como globias. O exame microscópico permite distinguir os dois tipos de bactéria por essa característica.

A transmissão do bacilo é assunto muito controvertido, embora se admita que se efetue apenas por contato direto, como quando o doente transfere bacilos a outra pessoa por contato de lesões, de mucosas ou de gotículas de saliva expelidas na tosse, em espirros ou simples conversação. A via de penetração mais comum é a mucosa nasal.

As dificuldades de contágio e a incidência relativamente baixa estão relacionadas com a resistência natural dos indivíduos à infecção. Também o caráter grave ou benigno depende do mesmo fator. A resistência pode ser avaliada mediante a reação de Mitsuda: injetam-se bacilos mortos na pele do paciente e examina-se a reação local três semanas depois.

Se não ocorrer alteração alguma (reação negativa), é sinal de que o paciente está sujeito a formas graves da doença e suas defesas naturais não lhe conferem proteção adequada. Se a reação for positiva, com formação de nódulo e possível ulceração, é certo que dificuldades contrairá a doença, mesmo submetido a contato direto e prolongado com hansenianos. Se contrair, será uma forma benigna. Reações intermediárias indicam graus proporcionais de sensibilidade.

Os testes de Mitsuda, efetuados em populações brasileiras sadias, indicam que 70% a 80% dos brasileiros sãos dispõem de proteção natural contra a hanseníase.

bacilo-Hanseníase

Formas da Doença

As formas estão classificadas em lepromatosa (a mais grave), tuberculoide (a mais benigna), indeterminada e dimorfa, estas de gravidade intermediária. A indeterminada é uma forma inicial que pode evoluir para uma das duas formas extremas, também chamadas polares. A dimorfa (duas formas) apresenta características das duas formas polares ao mesmo tempo. As diferenças entre as quatro formas são determinadas por cinco critérios: tipo e extensão das lesões; presença de bacilos nas lesões; reação de Mitsuda; tipo histológico das lesões; evolução e contagiosidade.

Sintomas da Hanseníase

Os quadros clínicos da hanseníase são bastante variáveis nos sintomas, nos sinais e na gravidade, embora se trate sempre de uma doença da pele capaz de comprometer ou não outras estruturas.

Manchas claras ou avermelhadas, únicas ou às centenas, podem aparecer isoladamente ou combinadas com nódulos, tubérculos, bolhas ou pápulas. A localização pode ocorrer em qualquer parte do corpo. A identificação correta da lesão é trabalho para o dermatologista, pois pode ser facilmente confundida com as de micose, sífilis, tuberculose cutânea e até mesmo com as da acne.

Uma característica importante de todas as lesões é a anestesia superficial que as acompanha e que pode auxiliar o médico no diagnóstico: a região fica insensível a picadas e ao calor, em profundidade variável.

 

Forma Tuberculoide – Sintomas

A forma tuberculoide apresenta alterações de tecido semelhantes às da tuberculose cutânea. Podem aparecer pequenas pápulas, manchas e placas, além de nódulos isolados. O número de bacilos é pequeno ou nulo. Á reação de Mitsuda, na maioria dos casos, é positiva, com resistência acentuada à progressão e boas possibilidades de regressão e cura espontânea. Essa forma da hanseníase nunca é contagiosa. Geralmente, a forma tuberculóide é crónica, mas poderio ocorrer casos caracterizados por reação aguda, com aparecimento súbito de lesões.

A forma tuberculoide afeta os nervos superficiais (mas nunca o sistema nervoso central). Daí os distúrbios de sensibilidade e de movimento. Também a nutrição normal dos tecidos é afetada, porque a vitalidade deles depende de fibras nervosas do sistema simpático. Alterações vasomotoras produzem secura da pele, queda de pêlos, arroxeamento das extremidades e as mutilações dramáticas que tornam a doença tão temida. Atualmente, já não ocorrem com tanta freqüência as mutilações faciais e outras manifestações clássicas da enfermidade.

Hanseníase

Forma Leprosa – Sintomas

A forma lepromatosa apresenta lesões típicas, os lepromas, que são granulamos com células características, denominadas células de Virchow, com alta concentração de bacilos. Os lepromas, que se apresentam como nódulos, pápulas ou placas infiltradas, desenvolvem-se lentamente, durante anos. É aforma mais grave da doença, que acomete em geral indivíduos de reação Mitsuda negativa, de pouca resistência. Por isso, a forma lepromatosa piora progressivamente e se dissemina por todo o organismo, com o comprometimento dos olhos, nariz, boca, laringe, gânglios linfáticos e alguns órgãos viscerais. Essa forma é a mais contagiosa.

As lesões oculares que provocavam a cegueira são hoje bem menos comuns, dado o emprego de medicamentos modernos.
O comprometimento de órgãos na forma lepromatosa afeta o baço, o fígado (95% dos casos), os rins e os testículos, com a ocorrênciafreqilente de esterilidade masculina. Como na forma tuberculoide. poderá haver também reação lepromatosa, forma aguda em que as lesões se verificam abruptamente.

 

Diagnóstico e Tratamento da Hanseníase

Além do exame clínico simples, o diagnóstico da hanseníase requer sempre o exame dermatológico e neurológico (para avaliar a sensibilidade ao nível das lesões epossível comprometimento dos nervos). Vários outros testes completam a investigação de distúrbios motores, degenerativos ou vasomotores. Também o exame laboratorial microscópico do muco nasal e de material das lesões fornece elementos Importantes.

No tratamento só se recomenda o isolamento em poucos casos: mutilações que Impossibilitem o convívio social, impossibilidade prática de visitas freqüentes a dispensários, exigências cirúrgicas e em poucas outras condições. Naturalmente, o tratamento domiciliar envolve precauções destinadas a prevenir contaminação.

Durante séculos empregou-se em todo o mundo o óleo de chaulmugra, medicamento indiano que produzia efeitos paliativos insign(flcantes. Depois da II Guerra Mundial surgiram as sulfonas (não confundir com as sulfas comuns), drogas capazes de modificar acentuadamente a evolução, o prognóstico e a contagiosidade da hanseníase.’A necessidade de isolamento foi sendo gradualmente reduzida, e muitos pacientes, livres do temor de confinamento nos leprosários, passaram a buscar tratamento nos dispensários. O diagnóstico precoce passou a prevenir a ocorrência de casos de maior gravidade.

As mutilações não são reversíveis. Mas a moderna cirurgia plástica pode resolver a maioria dos problemas dessa natureza.
Muitas outras substâncias estão sendo testadas, com resultados variáveis, nas diversas formas da doença. A vacina BCG, contra a tuberculose, por exemplo, parece aumentar a imunidade contra o bacilo de Hansen.

Entre outros, testam-se medicamentos como a cicloserina e a hidrazida do ácido insonicotínico, com resultados animadores, mas incompletos.
Muitas outras substâncias estão sendo pesquisadas, mas ainda não se conseguiu nenhum medicamento que resolva os casos com tratamento mais simples e rápido que os atuais. Mesmo assim, considera-se que a hanseníase seja um problema médico superado, para fins práticos. O que se busca é apenas o aperfeiçoamento das soluções.

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