Intolerância à Glicose – Sintomas, Tratamentos e Causas

Intolerância à glicose não é algo tão rato quanto se imagina. Muitas reações químicas desenvolvem-se tão lentamente nas condições de temperatura do organismo, que comprometeriam seu funcionamento normal, se não existissem substâncias especiais, capazes de acelerá-las, os catalisadores. No corpo humano, as enzimas são os catalisadores e cada enzima medeia uma reação específica. Assim, a ausência de uma enzima, como a presença dessa enzima imperfeita, vai tornar impossível ou defeituosa a reação química especifica que lhe corresponde.

É a incapacidade de realizar as reações químicas que dá origem às doenças dos erros inatos do metabolismo. Conforme as necessidades, as enzimas podem encontrar-se livres, para serem despejadas diretamente no tubo digestivo, onde atuam, ou “encarceradas “no interior das células, participando das reações químicas que ocorrem dentro destas.

A FRASE GENÉTICA

A informação transmitida pelos genes pode ser comparada a uma frase datilografada. Da mesma maneira que usamos certo número de letras e palavras para a comunicação escrita, o gene dispõe de quatro sinais formados por agrupamentos químicos, suas “letras’: que, em conjuntos de três em três,formam uma vintena de combinações – as “palavras “do código genético.

Os sinais são reunidos deforma a resultar num trecho completo, comparável a uma frase, chamado operon. Cada operon é a “receita “para fabricar uma ou várias proteínas. As receitas são transmitidas hereditariamente e devem manter-se iguais de geração para geração, afim de que os organismos produzam sempre as mesmas proteínas, as mesmas enzimas e realizem as mesmas funções biológicas. Todo o processo é fundamentalmente químico, baseado na estrutura da molécula gigante do ácido desoxirribonucléico (ADN).

glicose

Os genes, responsáveis pela transmissão das características, são “trechos “dessa molécula gigante, como as palavras e frases de um texto. Cada gene, como cada palavra, tem um sentido preciso, contém uma informação determinada.

Quando ocorre uma modificação química num ponto da cadeia do ADN, é como quando a datilógrafa troca letras, tornando a palavra ilegível e o trecho sem sentido. A mensagem do ADN torna-se ininteligível para a célula, que já não saberá produzir a proteína ou a enzima correspondente.Ou a fabricará de tal forma que não será capaz de funcionar como antes. Os cromossomos e os genes distribuem-se aos pares.

Assim, os sinais são repetidos, como uma cópia de papel carbono. Mas as células sexuais não têm cópia, isto é, cada célula masculina ouftminina é única. Quando se unem para formar um ovo (zigoto), os genes formam novos pares.

Quando para certa característica (cor dos olhos, percepção de cores, ou fabricação de uma enzima qualquer) os genes herdados do pai e os herdados da mãe são diferentes, pode ocorrer que um tenha a propriedade de sobrepujar o outro com sua informação: diz-se, no caso, que esse gene é dominante e o outro é recessivo.
Independentemente da recessividade, os genes podem ser agredidos por influências externas, como exposição aos raios X e às radiações atômicas, ação de agentes químicos, algumas doenças por vírus, e outras.

Intolerância à glicose

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Uma forma particular de manifestação dos erros inatos do metabolismo é uma maior ou menor intolerância aos açúcares. A galactosemia identifica a incapacidade de aproveitamento do açúcar do leite, devida à insuficiência da enzima chamada galactose- 1-fosfato-uridil-transferase. As consequências dessa anomalia são: acúmulo anormal do produto intermediário no aproveitamento do açúcar, diminuição do consumo de oxigênio pelos glóbulos vermelhos, catarata, cirrose hepática, icterícia e lesões nos rins.

A Intolerância à glicose manifesta-se logo após o nascimento, com anormalidades gastrintestinais, vômitos e diarreia, icterícia, aumento de volume do fígado e do baço. Frequentemente ocorre retardamento mental.

Existem formas benignas, nas quais o defeito bioquímico está presente, sem provocar, porém, alterações nas funções, como existem formas intermediárias, com sintomas menos ostensivos, mas que podem evoluir para a cirrose hepática e a deficiência mental. O diagnóstico dessa doença é baseado no exame clínico, em exames de urina e de sangue. Quanto ao tratamento, consiste na organização de uma dieta alimentar que não contenha galactose (sem leite, portanto). A alimentação da criança deve preparar-se com leite de soja, vísceras, peixes e extratos de carnes.

As falhas dos genes podem determinar uma incapacidade na transformação do açúcar de frutas – frutose – em glicose, que é o açúcar mais utilizado em várias etapas do metabolismo,pelo organismo. Tal incapacidade leva à hipoglicemia, isto é, taxas de glicose no sangue abaixo do normal. A hipoglicemia é notada principalmente depois que o paciente ingere alimentos que contêm frutose: açúcar de cana, de beterraba, mel, frutas e a maior parte dos vegetais, nos quais se encontra a frutose combinada com outros açúcares.

Sintomas da Intolerância à glicose

Os primeiros sintomas da Intolerância à glicose  podem surgir em qualquer idade, principalmente no primeiro ano de vida: falta de apetite, náuseas e vômitos e, mais tarde, a hipoglicemia, com sensação de fraqueza, turvação da vista, suores frios, palpitações, desmaios.

A falta de sintomatologia específica torna o diagnóstico difícil. Exames de urina e o teste da frutose (faz-se o paciente ingerir grande quantidade de frutose e depois dosa-se o teor de frutose e de glicose no sangue), o qual mostra quanta frutose não foi transformada em glicose, podem fornecer uma indicação segura da moléstia. O tratamento consiste na eliminação de alimentos com frutose. Começando cedo, evitam-se as lesões cerebrais decorrentes da hipoglicemia.

O organismo usa um recurso para estocar açúcar: as moléculas de glicose são agrupadas sob a forma de glicogênio, no interior das células e tecidos. Várias doenças ocorrem devido a alterações do metabolismo do glicogênio. A maioria delas ocorre em função do acúmulo dessa substância em determinados órgãos, como no fígado, rins, intestinos, causando depois a hipoglicemia.

A Intolerância à glicose retarda o crescimento, aumenta o volume do fígado, prejudica o desenvolvimento mental. Há alterações na coagulação do sangue, facilitando as hemorragias. Exame clínico e exames laboratoriais (da urina, do sangue) e testes especializados, como a biópsia, são usados para identificar a anomalia.

O principal objetivo do tratamento é evitar as crises de hipoglicemia, que podem ter conseqüências danosas, sobretudo no cérebro. A alimentação deve suprir, em teor adequado, os diferentes açúcares que o organismo não sintetiza, e ser servida a intervalos de três a quatro horas.

Enfim, a glicogenose cardíaca resulta do acúmulo de glicogênio no coração e nos músculos esqueléticos, degenerando essas estruturas e levando à fraqueza muscular e à insuficiência cardíaca. O diagnóstico confirma-se por exames de laboratório e biópsia muscular. Mas o tratamento é precário.

imagem: news.med.br

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