Pancreatite Aguda – Sintomas, Causas e Tratamentos

A Pancreatite Aguda é determinada pelo rompimento dos canais excretores de suco pancreático, que acaba por “digerir” o próprio pâncreas.

O pâncreas é uma glândula de secreção mista parte exócrina (de secreção externa), relacionada à produção de enzimas digestivas, e parte endócrina (de secreção interna), no que se refere à produção de insulina e ao metabolismo dos carboidratos. Em condições normais, as enzimas digestivas só são ativadas no interior da cavidade duodenal, devido à ação de certos elementos contidos na bile. No decorrer de enfermidades que forçam a penetração biliar nos canais pancreáticos, ocorre a ativação enzimática no interior da glândula, que passa a ser “digerida “por seus próprios fermentos, caracterizando, assim, o quadro clínico da pancreatite aguda.

Causas da Pancreatite Aguda

As causas da pancreatite aguda não são bem conhecidas. Notouse, contudo, que, em 40% dos casos, coexistiam doenças biliares associadas a cálculos; em outros 40%, verjflcava-se a existência de alcoolismo crônico; em 10%, a doença seguia-se a traumatismos do abdome, perfuração de úlceras pépticas, doenças vasculares e infecções viróticas, entre outras moléstias. Nos 10% restantes não havia causa demonstrável. Todos eles, porém, apresentavam obstrução parcial ou total da ampola de Valer, com refluxo da bile

para dentro do pâncreas. Tais obstruções podem ser provocadas por cálculos, deposição de muco ou inchaço (edema) da região. Este último pode resultar de inflamações em estruturas circunvizinhas (úlcera duodenal, gastrenterite alcoólica) ou de traumas cirúrgicos. Também é possível que espasmos, musculares do esfíncter de Oddi ou da parede do duodeno provoquem a obstrução.

Sintomas da Pancreatite

Os sintomas da Pancreatite Aguda mais frequentes são: dor abdominal, náuseas, vômitos, parada da eliminação de fezes e gases (íleo paralítico), febre e distensão abdominal.

A dor instala-se subitamente, em forma de cólica ou como sensação continua, localizada na porção média do ventre, com irradiação para os flancos e para a região lombar (dor “em cinturão’). Costuma ser intensa e surge, geralmente, após refeições abundantes, com ingestão alcoólica. Nos casos mais graves, a pressão arterial cai e os batimentos cardíacos aumentam (taquicardia); a pele assume coloração azulada (cianose) e pode ocorrer choque. Em 10 0 dos casos, detecta-se icterícia (aumento de bilirrubina no sangue, que torna apele amarelada), resultante de alterações biliares associadas à pancreatite.

Juntamente com os sintomas e o exame clínico, os exames de laboratório permitem o estabelecimento de um diagnóstico correto. Estes últimos evidenciam aumento da taxa de amilase, lipase e glicose (glicemia) no sangue. A elevação é tanto maior quanto mais extensas forem as áreas pancreáticas atingidas.

O prognóstico da doença é grave, sobretudo nos casos de hemorragias e edemas muito extensos. As principais complicações da pancreatite aguda incluem sua transformação em pancreatite crônica e a ocorrência de diabete, quando as células produtoras de insulina são danificados em grande número.

Tratamento da Pancreatite Aguda

O tratamento é essencialmente clínico. Sua finalidade consiste em diminuir a secreção de enzimas e a pressão no interior dos canais pancreáticos. Para esse fim, suprime-se a alimentação por via oral e administram-se medicamentos antiespasmódicos (como a papaverina) e inibidores da secreção do pâncreas (com a atropina). O recurso da cirurgia só é utilizado nos casos de obstrução da principal via biliar (colédoco), que se manifesta por icterícia intensa, ou naqueles em que surgem infecções purulentas associadas, que exigem drenagem. Além desses, há o caso da estenose (estreitamento) da ampola de Vater, que também requer tratamento cirúrgico.

 

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