Profilaxia da Esquistossomose – Prevenção, Tratamento e Transmissão

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Por ser hermafrodita, um único caramujo é suficiente para povoar um rio. Esse é o principal obstáculo à erradicação da doença.

PROFILAXIA DA ESQUISTOSSOMOSE

A área de maior incidência de esquistossomose abrange os Estados do Nordeste e do Centro-Leste do Brasil. Fora dessas regiões, a doença é encontrada em focos isolados em Estados do Norte e do Sul. Só em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Amazonas e nos territórios não foram registrados casos de esquistossomose.

Considerada doença do meio rural, é, no entanto, encontrada em quase todas as cidades e localidades urbanas das regiões endêmicas. No Nordeste, a esquistossomose ataca principalmente os jovens. Quando alguém entra na água contaminada pelo esquistossomo (Schistosoma mansoni), as larvas lhe penetram na pele.

Invadindo o organismo, os parasitas circulam até chegar ao fígado, onde crescem e se tornam vermes adultos. A seguir, migram para as veias do intestino e lá depositam ovos, que são eliminados do organismo junto com as fezes.

Sempre que estas entram em contato com a água, os ovos libertam as larvas neles contidas – que irão novamente em busca de caramujos transmissores (sobretudo os da família dos planorbídeos), onde possam se alojar e multiplicar.

Abandonam em seguida seus hospedeiros e ficam nadando na superfície da água, à espera de alguma “vítima “. Fecha-se, assim, o ciclo vital do Schistosoma mansoni.

O CARAMUJO

Os moluscos transmissores do parasita da esquistossomose vivem somente na água doce. São encontrados em lagoas, remansos, brejos ou águas estagnadas com vegetação, evitando lugares de correnteza.

Apesar de resistir a condições climáticas diversas, eles preferem viver em águas cuja temperatura oscile entre 20° e 25°C, e que sejam ricas em matéria orgânica.

Seu número aumenta muito nas épocas de chuvas e diminui durante a seca. Quando se tenta destruir os moluscos pelo esvaziamento e secagem de canais ou represas, ou pela ação de substâncias tóxicas, é suficiente a volta às condições normais para que a água se reinfete.

Os planorbídeos são hermafroditas (ou seja, cada indivíduo possui os dois sexos) e podem, portanto, autofecundar-se. Por isso, um só caramujo que escape é capaz de povoar uma represa inteira, uma vala ou um rio.

HIGIENE PRECÁRIA

Além do doente como fonte de infestação e do caramujo como meio de propagação, são necessárias condições insalubres e hábitos anti-higiênicos para que se feche o ciclo de transmissão do parasita. Inicialmente, para que haja infestação, é preciso que as águas de superfície sejam contaminadas por fezes humanas com ovos do verme.

Isso acontece quando os doentes defecam no solo, ou quando os esgotos são lançados nos rios sem tratamento prévio para destruir os ovos dos parasitas.

Em muitas regiões o contato com essas águas não pode ser evitado: é o caso de lugares em que não há rede de abastecimento de  água ou em que o lençol subterrâneo de água não pode ser utilizado por condições topográficas ou climáticas.

Então, as escassas coleções de águas superficiais, onde vivem os moluscos, são utilizadas pelos habitantes para todas as finalidades. Nas cidades, os focos localizam-se sobretudo em valas de drenagem das ruas, em riachos que atravessam ou ficam próximos a bairros habitados, em poças de água das zonas suburbanas, em escavações etc.

Esses lugares são quase sempre frequentados por jovens ou crianças que brincam na água, sobretudo no verão. A esquistossomose pode também ser contraída por trabalhadores empregados em escavações e limpeza de valas, e nesse caso assume a característica de doença profissional. O mesmo acontece quando é adquirida por lavradores.

COMBATE DIFÍCIL

Vários são os métodos propostos para que se combata a esquistossomose, que no Brasil atinge atualmente mais de 5 milhões de indivíduos. Constitui fator de déficit orgânico que compromete a saúde pública. Um dos meios de combate propostos é a destruição do caramujo que hospeda transitoriamente o parasita.

Existem duas técnicas de combate ao caramujo: uma consiste em estudar e conhecer a fundo os hábitos de vida dos planorbídeos, na tentativa de descobrir processos que lhes impeçam a multiplicação ou mesmo a sobrevivência. Outro recurso seria colocar na água substâncias tóxicas mortíferas.

Embora as experiências realizadas em laboratório tenham sido bem-sucedidas, bastante diferente é a situação, quando se trata de águas naturais. Em pequenos alagadiços, poços, tanques, pequenos cursos de água, zonas irrigadas não ligadas a outras coleções de água, consegue-se eliminar os caramujos com certa facilidade.

Em águas correntes e de certa extensão, em redes mais importantes, no entanto, a erradicação total é praticamente impossível.

SANEAMENTO

O bloqueio da transmissão da esquistossomose baseado no tratamento dos doentes não é hipótese viável. Os atuais recursos terapêuticos, cuja eficácia não é total, exigem contínuo controle médico, razão por que se torna extremamente difícil sua aplicação em massa.

Diante do insucesso das tentativas de extinção dos caramujos e da deficiência dos tratamentos conhecidos, só resta a alternativa de modificar os diferentes fatores que propiciam a propagação da doença.

O saneamento do ambiente, aliado ao desenvolvimento de hábitos higiênicos, são fatores básicos. Mas eles só poderão ser conseguidos paulatinamente, com a construção de instalações sanitárias adequadas, acompanhada por campanhas educativas e esclarecedoras a respeito.

Essas campanhas, por sua vez, só poderiam ser bem-sucedidas no caso de serem acompanhadas pela elevação dos níveis econômicos e educacionais dos trabalhadores do campo e da cidade.

Fontes:

1, 2, 3

Imagem: newsrondonia.com.br



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