Prolapso da Válvula Mitral é Perigoso e Grave? Veja os cuidados

Prolapso da Válvula Mitral

Apenas para efeito didático, o coração pode ser comparado a prédios geminados, ambos com dois pavimentos, como se fossem dois corações independentes – o esquerdo e o direito. Para sair do prédio esquerdo e chegar ao direito, embora estejam separados apenas por uma parede, os moradores têm que sair à rua.

No coração, a entrada do sangue não se faz pelo pavimento inferior, mas sim pelo superior, chamado átrio. Do átrio passa por um orifício e chega ao pavimento inferior, o ventrículo. Mas esse não é um orifício comum: ele é fechado e aberto pelas válvulas cardíacas, que controlam a quantidade de sangue que passa dos átrios para os ventrículos.

O átrio esquerdo é ligado ao ventrículo esquerdo pela válvula mitral, também chamada bicúspide. Entre os numerosos fatores que podem alterar o funcionamento do coração, encontra-se a doença ou febre reumática. Esta é, do ponto de vista prático, a causa essencial das lesões mitrais.

A doença reumática é considerada uma complicação tardia de infecção por estreptococos, em pessoas hipersensíveis do ponto de vista imunológico. Ela agride diversos órgãos e sistemas: coração, pulmões, sistema nervoso, rins e outros.

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O coração pode ser atingido em todas as suas estruturas, produzindo-se então inflamações que originam graves alterações cardíacas. Estatísticas demonstraram que a lesão se instala principalmente na válvula mitral, em proporção superior a 40%, ou na mitral juntamente com a aórtica, também na proporção de aproximadamente 40% ou, ainda, somente na válvula aórtica (entre 10% e 15%).

Prolapso da Válvula Mitral é grave?

O prolapso da válvula mitral na maior parte dos casos, não é grave e não apresenta sintomas.

Verrugas

Como conseqüência do processo patológico em desenvolvimento, as ‘franjas” da válvula mitral tornam-se inchadas e vermelhas. Em seguida, ocorre a deposição de substâncias como a fibrina e outras, que formam saliências muito semelhantes às verrugas comuns. As estruturas normais da válvula sofrem erosão e, ao microscópio, podem ser notados ninhos celulares inflamatórios, denominados nódulos de Aschoff.

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Muitas vezes o processo se resolve sem deixar cicatrizes. Mas, com freqüência, persistem sequelas, que darão origem a uma cicatrização fibrótica e a uma deformidade valvular.

O estágio final pode levar à estenose mitral, à insuficiência mitral ou a lesões simultâneas, isto é, à dupla lesão mitral. No caso do estreitamento (estenose), o orifício atrioventricular pode ficar com um diâmetro inferior ao de uma ponta de lápis. Isso prejudicará a passagem do sangue do átrio para o ventrículo, ocorrendo acúmulo de sangue no átrio, congestão pulmonar e outras alterações hemodinâmicas.

Os processos inflamatórios podem estender-se aos tendões musculares ligados às válvulas, agravando a doença. Nos casos de insuficiência mitral, o quadro é semelhante. Contudo, as cicatrizes já então alteraram a válvula e esta não consegue fechar-se normalmente. Na sístole (contração do coração), o sangue do ventrículo esquerdo é bombeado para a aorta e não pode dirigir-se ao átrio esquerdo porque a válvula mitral impede seu retorno.

Consequentemente, diante da insuficiência mitral, instala-se o refluxo sanguíneo. Nos casos mais avançados e antigos, pode haver até mesmo calcificação valvular. A alteração valvular da origem a várias outras, entre as quais as alterações cardíacas e as hemodinâmicas: aumento das cavidades do coração, dilatação do órgão e perturbação de sua nutrição.

Praticamente todos os órgãos do corpo são prejudicados por essas alterações circulatórias e cardíacas. O indivíduo sofre dispneia (dificuldade respiratória), o figado aumenta de tamanho, os rins têm sua função diurética alterada, surgem distúrbios hormonais e uma série extensa de outras perturbações orgânicas. Auscultando o coração do paciente, o médico poderá notar modificações nas bulhas (ruídos) cardíacas, as quais, eventualmente, originam sopro cardíaco.

 

DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO: Prolapso da Válvula Mitral

O diagnóstico do Prolapso da Válvula Mitral pode ser confirmado por diferentes meios: eletrocardiograma, raios X do tórax ou, em locais melhor aparelhados, o fonocardiograma, que registra as vibrações acústicas do coração em uma folha de papel especial. Muitos outros recursos técnicos também são usados para a confirmação do diagnóstico. A cirurgia cardíaca, atualmente, pode não só corrigir simplesmente uma estenose, mas até mesmo substituir a válvula alterada por outra, artificial.

No entanto, uma adequada profilaxia da doença reumática – a principal causadora das lesões mitrais – é a melhor medida. A doença reumática tanto pode afetar a válvula em seu primeiro ataque, quanto nos surtos subsequentes. A possibilidade de dano valvular aumenta à medida que os surtos da febre reumática vão se repetindo. E tais surtos podem ser evitados, em grande parte, com uma profilaxia adequada ao caso.

As doenças cardiovasculares (do coração e vasos) constituem, atualmente, uma das mais importantes causas de morte no mundo inteiro.

Muitas doenças podem acometer o coração. A doença reumática, particularmente, é a responsável por cerca de 3% de mortes devidas a causas cardíacas, em razão das lesões que causa principalmente na válvula mitral.

Cuidados

Alguns medicamentos poderão ser prescritos de forma paliativa. Drogas antiarrítmicas e diuréticos costumam ser indicados em alguns casos. Qualquer remédio só devem ser tomados com prescrição médica.

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