Sífilis – Sintomas, Causas e Tratamentos – O que é? Tem cura?

A bactéria causadora da sífilis é o Treponema pallidum, uma bactéria em forma de saca-rolhas, que lhe dá o nome genérico de espiroqueta. No meio ambiente, essa bactéria leva uma vida precária. Muito sensível ao calor e à falta de água, morre em meios secos e quentes.

Mesmo em meios líquidos, dura poucas horas. A ação dos sabões comuns também é fatal para o treponema, o que torna muito fácil a proteção humana contra invasões provenientes do meio ambiente. Um ou outro treponema que consiga penetrar no organismo é facilmente liquidado pelas defesas naturais.

Para que alguém contraia sífilis, portanto, precisa expor-se a uma invasão maciça, por parte de treponemas “robustos’: que estejam vivendo em condições altamente favoráveis. E essas condições são as que lhes oferece o próprio organismo humano.

Dentro do corpo humano, o treponema pode achar níveis ideais de temperatura e de umidade, além da abundância de substâncias nutritivas. Em grandes concentrações, pode defender-se eficazmente do ataque das células defensivas do organismo.

 

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Transmissão

Para invadir um organismo, portanto, a base de operações ideal para o treponema é outro organismo. Isso explica por que, na grande maioria dos casos, a sífilis é contraída por contato com um sifilítico.

As relações sexuais, que põem em contato mucosas contaminadas, oferecem o meio líquido ideal para a transmissão.

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Também o beijo pode criar condições semelhantes, embora menos prováveis: o treponema sai das lesões superficiais em que se concentra, e essas lesões, mais comuns e numerosas no epitélio dos órgãos sexuais, poderão ocorrer também no epitélio dos lábios.

Sintomas da Sífilis

Abaixo apresentamos os sintomas da sífilis baseado em sua evolução.

sifilis-primaria Estágio Primário

Uma semana depois do contágio, os treponemas já se alastraram pelo corpo todo, embora não produzam nenhum sintoma. A primeira manifestação ocorre apenas umas três semanas depois da infecção.

Surge perto do foco inicial uma elevação vermelho-escura, achatada e ulcerada, do tamanho de um botão de camisa. É o cancro duro ou sifiloma primário, quase sempre uma lesão única, em geral na glande ou na vulva.

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A lesão da mulher às vezes ocorre no colo do útero, o que a torna perceptível apenas em exame local feito pelo ginecologista. A vagina é protegida contra lesões por causa do meio ácido desfavorável ao treponema.

A par dessa lesão, ocorre um aumento dos gânglios linfáticos mais próximos, que alcançam o tamanho de uma azeitona, mas não doem.

Essas são as primeiras manifestações visíveis da sífilis e caracterizam a fase primária, que dura umas dez semanas.

O cancro duro regride e desaparece por si, sem deixar outro sinal, além de leve mancha esbranquiçada. As vezes, nem isso. Se não se houver diagnosticado a sífilis, o paciente é levado a julgar que a lesão era apenas uma feridinha insignificante. Mas o organismo todo está contaminado.

sifilis-secundariaEstágio Secundário

Neste estágio, o agente patogênico se propaga através do sangue para a pele, fígado, articulações, nódulos linfáticos, os músculos e cérebro.

Quatro a doze semanas depois do aparecimento do cancro duro, começa a fase secundária, caracterizada por lesões cutâneas em todo o corpo.

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As erupções mais comuns são as roséolas, manchas isoladas de contorno oval ou circular e cor rosada. Concentram-se principalmente no tronco e nas junções do tronco com os membros.

Neste momento, a doença é altamente contagiosa, porque as bactérias estão presentes nas secreções das lesões.

Quando são salientes, recebem o nome de pápulas. As pápulas são acobreadas e surgem também nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. No fim do período secundário, tendem a agrupar-se em torno dos órgãos genitais (condilomas) ou em torno da boca.

As lesões epidérmicas podem ter a forma de placas de alguns centímetros, os condilomas planos, em geral com a superfície ulcerada. Mas depois de algum tempo, que varia muito de um doente para outro, as pápulas e roséolas regridem e desaparecem por si. Mais uma vez o paciente poderá ter a impressão de que o organismo debelou a enfermidade e tudo se normalizou.

Outros sintomas podem incluir febre, dor de garganta, fadiga, dor de cabeça, dor no pescoço, dor nas articulações, mal-estar e manchas de perda de cabelo.

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Terceiro Estágio e Neurossífilis

Com o avanço da doença, a sífilis ataca com mais frequência o aparelho cardiovascular e o sistema nervoso central. Inicialmente, são afetados os vasos microscópicos que irrigam a parede da aorta; enfraquecido, o grande vaso se dilata, em geral na área próxima do coração.

Passa a ocorrer uma insuficiência da válvula semilunar, que regula a passagem do sangue do coração para a aorta (insuficiência aórtica). Daí uma possível insuficiência cardíaca posterior. O enfraquecimento da aorta pode levar também a uma grande dilatação em forma de saco, o aneurisma da aorta.

Quando atinge o sistema nervoso central (neurossífilis), a doença pode causar lesões degenerativas das células nervosas, que ocorrem em menos de 10% dos casos, mas que determinam conseqüências muito graves, como a paralisia geral progressiva, quadro caracterizado por enfraquecimento da memória, delírios, depressão psíquica, distúrbios motores e paralisantes.

Outra forma de neurossífilis é o tabes dorsal, que atinge a medula espinhal e provoca degeneração nas fibras sensitivas. A locomoção é difícil (ataxia motora), a potência sexual diminui e as excreções se descontrolam por relaxamento dos esfincteres (válvulas que retém as exerções intestinais e urinárias). Possíveis dores viscerais intensas simulam doenças gástricas, intestinais ou renais de outra natureza.

 

Sífilis Congênita: De mãe para filho

A sífilis congênita resulta da contaminação do filho pela mãe. O contágio se faz através da circulação placentária, exclusivamente após o quarto mês. Até então, a placenta contém uma muralha de células (células de Langhans) que barram a passagem do treponema.

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Em caso de infecção maciça, o feto provavelmente morrerá, após o quinto mês. Se a infecção não for maciça, o fito sobreviverá, mas com lesões que se manifestam logo após o nascimento ou muitos anos mais tarde. Retardamento mental, imbecilidade e outras conseqüências de lesões degenerativas do sistema nervoso central podem decorrer da contaminação intra-uterina.

Lesões ósseas causam deformações como o “nariz em sela’: a ‘fronte olímpica” (testa alta), a tíbia encurvada. Nervos sensitivos afetados poderão dar causa à cegueira ou à surdez. Lesões epidérmicas, queda dos cabelos e alterações das unhas são outras conseqüências comuns da contaminação fetal.

 

Sífilis Latente

Se não houver manifestação aparente, ou lesão superficial, caracteriza-se a sífilis latente, que não é contagiosa. Mas essa segurança não é total nos primeiros quatro anos de evolução, porque nesse período sempre poderão ocorrer lesões transmissoras da bactéria. Só a sífilis latente tardia (com focos estabelecidos há mais de quatro anos, sem lesão) é considerada seguramente como não contagiosa.

A sífilis latente poderá ser diagnosticada através de reações químicas a que é submetido o sangue do paciente, em exames especiais de laboratório. Se os treponemas estiverem presentes no sistema nervoso central, a identificação poderá ser feita por meio do exame do líquido cefalorraquidiano, que banha externamente a medula espinhal e o cérebro.

Durante a gravidez, a sífilis latente é a forma mais comum da moléstia. Daí a importância que os médicos atribuem aos exames de laboratório que incluem reações sorológicas de sífilis. É que tal exame poderá prevenir a contaminação do feto, que ocorre geralmente após o quarto mês de gestação. Esse tipo de exame deve constar de todo exame pré-natal bem orientado.

 

Tratamento da sífilis – Tem cura?

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Uma dúvida comum é se a sífilis tem cura. O  tratamento da sífilis exclui o emprego de drogas tóxicas como o bismuto e o arsênio. Baseia-se em elevadas doses de penicilina, por período prolongado. Entre outras vantagens, a penicilina oferece a de não produzir gerações subsequentes de treponemas resistentes. Mas se o paciente for alérgico a esse medicamento, o médico terá de valer-se de outros antibióticos em altas doses.

A cura da sífilis pode ocorrer em 1 semana ou em mais de 2 anos. Muitas pessoas abandonam o tratamento após os sintomas desaparecerem, o que é errado.

fontes: 1, 2, 3


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