Síndrome da Adaptação Geral, Hans Selye e o Estresse – O que é?

Antes de apresentarmos a Síndrome da Adaptação Geral, precisamos falar sobre Hans Selye. Quando estudante de medicina, Hans Selye ficava impressionado com tantos sintomas vagos e nada específicos que os pacientes apresentavam, quando da primeira consulta. A maioria das queixas era pouco significativa e sugeria muitas moléstias que nada tinham de comum entre si.

Os sintomas abrangiam aparência doentia, dores vagas ou dores nas juntas, mais ou menos intensas, perda de apetite, distúrbios gastrintestinais, febre e, algumas vezes, confusão mental, alterações cutâneas, amígdalas inflamadas ou fígado aumentado.

Mais tarde, fazendo experiências com animais, Selye notou que estes respondiam mais ou menos da mesma maneira à ação de diversos agentes nocivos. As respostas mais freqüentes consistiam em lesões do estômago (úlceras), em aumento das glândulas supra-renais (hipertrofia supra-renal) e em diminuição do timo (involução tímica).

Hans Selye

Notava, ainda, perda de apetite, alterações sanguíneas e alterações químicas na composição dos fluidos orgânicos e dos tecidos. As respostas podiam ser aproximadas, de certa forma, ao in(cio ainda vago e pouco característico de muitas enfermidades. Se os animais reagiam com precisão, o organismo deveria apresentar o mesmo comportamento na presença de agentes nocivos – concluiu a pesquisa do médico.

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Com base nesses estudos, selye delineou a teoria da Síndrome da Adaptação Geral (SGA), cujo entendimento depende da conceituação de stress e alinhamento dos seus agentes, que são denominados stressantes.

 

O Estresse

A palavra stress é inglesa e, em linguagem comum, significa “tensão” ou “esforço’: Na terminologia científica representa “a soma de todas as forças que agem contra uma resistência’:

Stress indica a condição em que fica o organismo diante da ação dos mais variados agentes que, por esse motivo, são denominados agentes stressantes: esforços físicos, calor, frio, radiações, emoções violentas, hemorragias, queimaduras, e fatos traumáticos, tóxico-infecciosos, cirúrgicos e obstétricos, entre outros.

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Uma série de doenças pode ser atribuída, pelo menos parcialmente, à influência do stress: alterações gástricas (úlceras), cardíacas (afecções coronárias), intestinais (retocolite ulcerativa) e respiratórias (asma).

O que é síndrome geral de adaptação?

Síndrome da Adaptação Geral

A síndrome geral de adaptação, teoria de Selye, é o conjunto de reações fisiológicas não-espec(ficas do organismo, quando este é submetido à ação de algum agente que possa comprometer seu equilíbrio vital. As reações são denominadas não-específicas porque não variam, qualitativamente, de acordo com a natureza de cada agente.

As reações fisiológicas da Síndrome da Adaptação Geral são subdivididas em três momentos: reação de alarma, resistência e exaustão.

O organismo, submetido à ação de um agente nocivo, apressa-se em mobilizar todas as suas defesas (reações de alarma). Se as defesas funcionarem a contento, o organismo entra num período de resistência. Se a ação do agente nocivo for intensa e continuada, ou se as defesas se mostrarem fracas, o organismo deixa de lutar (fase de exaustão), porque as defesas orgânicas não podem ser mantidas indefinidamente. Poderá, então, sobrevir a morte.

Resumindo, pode-se dizer que o agente nocivo (estressante) ataca o organismo, criando uma condição particular (stress); o organismo, por seu turno, reage ou procura reagir. O conjunto de reações fisiológicas que entra em ação constitui a Síndrome da Adaptação Geral.

Por natureza, o organismo tem tendência à homeostase, isto é, à condição na qual os processos fisiológicos são mantidos bem coordenados para obter o equilíbrio orgânico.

CHOQUE E CONTRA CHOQUE

A reação de alarma, primeira da Síndrome da Adaptação Geral, é o conjunto de fenômenos imediatos e resultantes do súbito ataque do agente agressor. O organismo, então, não está preparado para suportar o ataque. Na reação de alarma são distinguidas duas sub-fases: a de choque e a de contra-choque.

Primeira fase

A primeira reúne os fenômenos derivados diretamente da agressão, alguns dos quais são de natureza passiva: hipotermia (queda da temperatura corporal), hipotensão, aumento da permeabilidade capilar (com saída de líquido dos vasos sanguíneos), alterações hidreletrolíticas etc.

Os outros fenômenos são expressões da modificação hormonal que começa a ocorrer no organismo. Entre eles estão a hipertensão arterial e a hiperglicemia, condicionadas pela descarga de adrenalina (secretada pela porção medular da supra-renal), que é o primeiro elemento de emergência de que o organismo lança mão para resistir à agressão.

Com a mesma finalidade, o organismo se socorre de toda a reserva de hormônios do córtex supra-renal. Esgotada a reserva, o organismo entra num processo de insuficiência córtico-supra-renal, de que são indícios a hipotensão arterial, a hipoglicemia (queda dos níveis sanguíneos de glicose) e outros sintomas. Isso acontece antes que o córtex supra-renal seja suficientemente estimulado pela secreção de A CTH, hormônio produzido pela hipófise para estimular o córtex supra-renal a fabricar mais hormônios.

Segunda fase

A segunda fase – a de contra-choque – caracteriza-se pelo aumento funcional e anatômico da supra-renal e por fenômenos mais ou menos opostos aos da fase anterior.

Se a agressão prossegue, o organismo vai se defendendo de acordo com sua capacidade de adaptação e vai ficando cada vez mais resistente, graças aos hormônios que estão sendo super-secretados. Esse aumento de resistência, se a agressão continua, atinge o nível máximo e o organismo entra na fase da exaustão, quando poderá sobrevir a morte.

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