Tétano – Sintomas, Causas, Transmissão e Tratamento – Clostridium tetani

A bactéria que causa o tétano – o Clostridium tetani – é um micróbio de 3 até 5 micra de comprimento, em forma de palito de fósforo. Mas nem sempre ele se apresenta assim. Para aumentar suas condições de sobrevivência, o micróbio assume, às vezes, a forma de esporo, um grãozinho menor ainda que o bacilo.

O que é o tétano?

O tétano é uma enfermidade caracterizada por contraturas musculares com acessos paroxísticos de todos ou de parte dos músculos voluntários. Agente causal, O germe é o chamado bacilo de Nicolaier ou Clostridium tetani ou bacilo tetânico, germe anaeróbio (que pode desenvolver-se só fora do oxigênio do ar). O bacilo de Nicolaier encontra-se preferentemente no solo, até uma profundidade aproximada de 80 centímetros, especialmente nas terras adubadas com esterco de cavalo, bem como no intestino dos animais vacuns.

Transmissão

tetano

O esporo tetânico geralmente vive no intestino do homem e de outros animais, sem causar-lhes dano. As dejeções os espalham por toda a parte, o que explica a maior incidência de tétano nas zonas rurais. Mas, levados pelo vento ou pelos detritos que aderem aos pés de aves e outros animais, acabam por se fazerem presentes em qualquer lugar.

Já o bacilo é bem mais sensível. Só pode sobreviver fora do contato com o oxigênio, o que o classifica como um micróbio anaeróbio. Um sopro de ar fresco basta para matá-lo e daí seu desenvolvimento improvável em feridas superficiais.

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Mas quando o ferimento é profundo, o esporo pode penetrar junto com a sujeira do instrumento contundente. Alojado abaixo da superfície da pele e, portanto, livre de contato com o ar, o esporo “desabrocha “em bacilo. Este prolifera e passa a produzir toxinas que invadem o sangue. O veneno, potente e rápido, passa a atacar as células nervosas localizadas a distância, geralmente no sistema nervoso central, que regula os movimentos musculares.

Uma doença desconfortável…

O processo de contração tetânica generaliza-se rapidamente por todos os músculos. No rosto, a contratura provoca deformações de fisionomia, especialmente o característico “riso sardônico ‘ A rigidez muscular, ao chegar à nuca, projeta a cabeça para trás; no abdome, nivela a musculatura, caracterizando-se o chamado “abdome-tábua ” na língua e na faringe, torna praticamente impossível ao paciente engolir até mesmo água.

Qualquer barulho, contato brusco ou mudança rápida na Iluminação do ambiente pode provocar espasmos dolorosos e incontrolados. Se se repetirem muitas vezes e com intensidade, essas contrações poderão matar o paciente por exaustão. Se o processo não puder ser detido, o paciente morrerá asfixiado, devido ao espasmo dos músculos respiratórios.

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Sintomas do tétano

Entre 8 e 12 dias (às vezes menos,- às vezes mais) depois do ferimento, aparece o primeiro sintoma do tétano característico que recebe o nome de trismo, que é a impossibilidade de abrir a boca, devido à contratura dos músculos mastigadores. Logo depois as contraturas se estendem aos músculos do tronco e membros, produzindo rigidez dos mesmos.

Em certos momentos aparecem crises, durante as quais se exacerbam as contrações musculares, dificultando a respiração e curvando às vezes o corpo de maneira tal que ficam apoiados sobre a cama unicamente os calcanhares e a cabeça (opistótono). A febre é moderada. Se a evolução for favorável, as crises se tornam menos freqüentes e intensas. Se a evolução for desfavorável, ocorre o contrário, tornando-se também rápido o pulso.

 

Tetano-tratamento-vacina

Prevenção e Tratamento do Tétano

Os índices de mortalidade por tétano continuam elevados; em parte porque, para deter a produção de toxinas do bacilo no organismo, só há um remédio: o soro antitetânico, que, contudo, possui limitações. Uma delas, a condição de que a toxina ainda não se tenha fixado no sistema nervoso da vítima. Outra é a alergia ao soro, que ocorre em grande porcentagem de pacientes e que pode ter conseqüências fatais.

Além do soro, só existe medicação paliativa, de tratamento dos sintomas e não da doença em si. Vítimas de tétano precisam sempre ser tratadas em hospital, com medicamentos como os sedativos, relaxantes musculares, drogas contra a dor e antibióticos. Mas se a toxina se fixar no sistema nervoso, a morte será inevitável, porque não existem meios de reverter o processo.

No entanto, todo o problema do tétano pode ser evitado, com segurança, por um recurso muito simples: a vacina antitetânica, obtida da própria toxina tetânica, atenuada em sua virulência por processos artificiais.

Soro antitetânico

Sua aplicação em grandes doses (prévia investigação da sensibilidade como se explica em Profilaxia) e por diversas vias é o método mais eficaz.

Vacina Antitetânica

Um grande aperfeiçoamento para a profilaxia do tétano consiste em poder desenvolver no ser humano uma resistência ativa à toxina tetânica, por meio da chamada anatoxina tetônica, ou toxoide tetânico, que se injeta em três doses, a primeira de 1 cc, a segunda de 9 cc entre dez dias e três semanas depois da primeira, e a terceira de 2 cc aos 6 meses.

Desta maneira se consegue uma imunidade duradoura, que evitará as injeções de soro antitetânico, com os inconvenientes que pode trazer. Contudo, em caso deferimento de que se suspeita possa trazer tétano, poder-se injetar novamente uma dose de vacina para aumentar as defesas do organismo. Essa vacina deveria ser mais utilizada, especialmente nas crianças e pessoas que trabalham no campo, em quem são freqüentes os ferimentos pequenos.

Para as crianças se conseguem no comércio vacinas mistas que imunizam ao mesmo tempo contra a difteria, o tétano e a coqueluche. Durante a última guerra mundial utilizou-se com muito êxito a vacina antitetânica nas tropas de certos exércitos.

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