Tracoma contagiosa – Sintomas, Causas e Tratamentos – O que é?

O tracoma é uma virose altamente contagiosa que ataca a conjuntiva e a córnea. O vírus penetra no olho e se localiza na conjuntiva – a delicada membrana que recobre a superfície interna das pálpebras e do globo ocular.

A conjuntiva é formada por um folheto duplo: o externo, ou epitélio, e o tecido conjuntivo, que fica em contato com o branco do olho (esclera). As células do epitélio começam a encher-se de microscópicos corpúsculos redondos – os corpos de inclusão -, que formam uma espécie de capuz ou meia-lua em torno do núcleo das células do epitélio. Esses corpúsculos, quando muito abundantes, dão origem a papilas e folículos característicos da doença.

SINTOMAS DE TRACOMA

O diagnóstico do tracoma baseia-se na observação de folículos na conjuntiva dos tarsos ou nos fundos dos sacos conjuntivais, os fórnix. As papilas que aparecem nas vizinhanças do fórnix, em geral, também denunciam o tracoma.

Tanto os folículos quanto as papilas vão engrossando progressivamente, até que toda a conjuntiva fique vermelha e com aspecto aveludado. As vezes, porém, a conjuntiva fica com a superfície enrugada e justamente por isso a moléstia é denominada tracoma (de trachus, rugoso, áspero).

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Nessa fase da moléstia, o doente começa a sentir peso na pálpebra superior atacada, que, com a evolução da doença, ele não consegue mais erguer. O peso é causado pela inflamação e pelo espessarnento da mucosa palpebral,

tracoma

A sensação de corpo estranho nos olhos, a hipersensibilidade à luz e, principalmente, uma perda parcial da capacidade de visão, que já não é tão nítida como antes, assinalam a evolução do tracoma para uma fase mais grave.

As lesões provocadas pelo vírus e as decorrentes da invasão bacteriana secundária começam a afetar a córnea;forma-se sobre sua superfície uma camada de secreção viscosa, produzida pela invasão bacteriana.

Na fase seguinte, as papilas e os folículos entram num processo de degeneração e são substituídos pelas cicatrizes que aparecem nas conjuntivas dos tarsos e nas córneas.
As cicatrizes tarsais trazem algumas conseqüências, mas só as que atingem a córnea podem ocasionar cegueira; as cicatrizes da córnea surgem em substituição ao tecido destruído pelas ulcerações da estrutura, que assim perde a transparência e, nos casos mais graves, pode conduzir à cegueira total.

No diagnóstico do tracoma poderá ocorrer a necessidade de estabelecer diferença com outras doenças de manifestações semelhantes. O diagnóstico dj[erencial impõe-se em casos de conjuntivite aguda purulenta no recém-nascido e conjuntivite folicular no adulto, em infeções por vírus, em reações alérgicas e em certas infecções bacterianas.

Algumas vezes, o diagnóstico diferencial é difícil, pois o quadro clínico pode ser semelhante ou poderá ainda ocorrer associação de doenças. É quando o especialista recorre à ajuda de exame laboratorial, principalmente na pesquisa das inclusões celulares típicas, por métodos especiais de coloração das células.

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COMPLICAÇÕES

Entre as complicações deixadas a longo prazo pelo tracoma, destacam-se, por sua gravidade, aquelas que atingem a pálpebra superior.
A queda da pálpebra (ptose palpebral) é uma decorrência das lesões que atingem as fibras do músculo elevador da pálpebra superior. Por causa disso, a pálpebra pode permanecer constantemente abaixada na fase final da moléstia.

Outra conseqüência, o entrópio, é determinada pelo encurvamento do tarso, por sua vez provocado pela cicatrização; a pálpebra assume o aspecto de uma concha, com a borda palpebral voltada para dentro.

Nas bordas das pálpebras ocorre também uma implantação anormal dos cílios, que ficam voltados para o globo ocular (triquíase) por causa do encurvamento do tarso. Embora seja um tipo de anormalidade muito mais raro, os ângulos palpebrais poderão soldar-se, com uma redução considerável da fenda palpebral. Os olhos parecem diminuir de tamanho. A cegueira poderá ocorrer se as cicatrizes vierem a afetar a córnea.

TERAPÊUTICA

Os especialistas afirmam que bons resultados podem ser obtidos com a utilização de antibióticos em altas doses, durante períodos relativamente prolongados, sob controle médico. Essa medida erradica as bactérias que se associam ao ira-coma e causam a maior parte das complicações.

Contudo, a terapêutica só tem possibilidades de êxito quando o diagnóstico da moléstia anteceder as complicações mais graves que podem advir. Nas fases adiantadas, a cura por drogas é mais problemática.

Os antibióticos de largo espectro, como a tetraciclina, atuam sobre amplo número de germes e daí sua particular eficácia na maioria dos casos. As sujías, que também são indicadas, oferecem a vantagem de permitirem doses menos elevadas, com efeitos colaterais menos prováveis.

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Ao tratamento por substâncias de uso interno é geralmente associado o emprego de pomadas e colírios à base de antibióticos, para aplicação local.

Finalmente, em casos mais graves, recomenda-se a cirurgia, na técnica altamente especializada do transplante da córnea. Essa técnica operatória é indicada sobretudo para os casos de cegueira causada pela cicatrização da córnea.

PROFILAXIA

A prevenção do tracoma procura atuar, principalmente, sobre as condições ambientais que propiciam o aparecimento da enfermidade.

A ação profilática orienta-se no sentido de melhorar as condições higiênicas em que vive a pessoa. Como em qualquer outro caso de doença contagiosa, naturalmente, as condições de asseio são indispensáveis para impedir a propagação do vírus.

Algumas vacinas produzidas nos Estados Unidos demonstraram a possibilidade de modificar a evolução da moléstia e amenizar as conseqüências da infecção, quando as drogas são administradas em crianças. Os resultados, porém, ainda são limitados e não permitem sua indicação exclusiva.

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