Tuberculose Cutânea – Mata? O que é? É perigoso? Tem tratamento?

 

 

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Os bacilos de Koch, causadores da afecção conhecida como “doença dos pulmões”, podem também determinar vários tipos de lesões cutâneas.

O agente infeccioso da tuberculose é a bactéria tecnicamente designada Mycobacterium tuberculosis.

Dos tipos de bacilos existentes, os mais importantes são o humano, o bovino e o aviário. Os dois primeiros geralmente são responsáveis pela tuberculose da pe­le.

A doença pode manifestar-se através de dois mecanismos: a infecção endógena, quando o bacilo atinge a pele por via sanguínea, linfática ou por proximidade da pele, no caso de um foco tuberculoso profundo que se expande.

A infecção exógena, quando o bacilo é inoculado diretamente na pele, por contato com homem ou animal doente, ou ainda com material contaminado. Neste último caso, o bacilo responsável é do tipo humano ou bovino (e só mais raramente aviário).

Neste artigo falaremos sobre Tuberculose Cutânea – Mata? O que é? É perigoso? Tem tratamento?

Tuberculose Cutânea – Mata? O que é? É perigoso? Tem tratamento?

CONTAMINAÇÃO

No caso de contágio por bacilo humano, o germe se transmite de uma pessoa doente para outra sadia, pelas secreções da lesão tuberculosa.

Quando o tuberculoso tosse, elimina gotas de escarro que contêm micróbios: estes podem ser aspirados diretamente pe­las pessoas que rodeiam o doente. Outra possibilidade é a de o escarro cair no chão, ressecar-se e transformar-se em poeira, que também pode ser aspirada.

O bacilo bovino, muito semelhante ao humano, também causa lesões tuberculosas no homem. As vacas que apresentam tubercu­lose no úbere representam importantes focos de contágio pela contaminação do leite que, quando ingerido, permite o ingresso do ba­cilo no organismo.

O problema da tuberculose bovina é ainda de grande importância no Brasil. Criadores conscienciosos somente compram gado leiteiro após submetê-lo à reação de tuberculina.  É o chamado “gado comprado na agulha”. No entanto, grande parte dos criadores não toma essa precaução.

Por outro lado, quando um criador consciencioso vende vacas leiteiras com tuberculose para abate a carne, nesse caso, não apresenta perigo de contágio, é comum que compradores inescrupulosos continuem a utilizá-las na produção de leite.

Uma medida que tem impedido a maior disseminação da doença é a lei que determina que todo o gado importado seja comprovadamente sadio em relação à tuberculose.

A prevenção do contágio através de leite infectado pode ser realizada com facilidade, por meio da fervura do leite não pasteurizado. O leite deve ser fervido por um período de 2 a 3 minutos.

Em outras palavras, não se deve desligar o fogo quando o leite sobe. O mais acertado é utilizar um recipiente especial que permita que o leite ferva pelo tempo necessário para matar os bacilos eventualmente presentes, sem derramar.

Outro expediente para manter a fervura pelo tempo indicado é diminuir a intensidade da chama quando o leite sobe e mexer com uma colher.

IMUNIDADE

Quando qualquer agente agressor invade o organismo humano, desenvolvem-se fenômenos de proteção e defesa; no conjunto, esse processo constitui a imunidade.

Basicamente, a imunidade resulta da produção de substâncias que procuram neutralizar ou destruir o agente agressor. Essas substâncias de defesa natural do organismo são denominadas anticorpos.

Em condições especiais, o processo normal de imunidade pode alterar-se e serem produzidos anticorpos em quantidade desnecessária, ou então a ação dos anticorpos em contato com os agentes agressores determina alterações nos tecidos do organismo, assim, ajudando a lutar contra a tuberculose cutânea.

Essas alterações nos tecidos são as manifestações da hipersensibilidade alérgica. Os sintomas e sinais apresentados por um paciente resultam fundamentalmente de duas condições: de um lado, a ação do agressor em si e, de outro lado, a reação orgânica diante da agressão.

Na tuberculose cutânea da pele, os dois fatores concorrem para a manifestação de grande variedade de tipos de lesões cutâneas, como pápulas, nódulos, ulcerações. verrucosidades (formações semelhantes a verrugas comuns) e infiltrações. Cada uma dessas lesões apresenta um aspecto característico.

DERMATOLOGIA TUBERCULOSE CUTÂNEA

pos anos de vida. Duas ou três semanas depois da inoculação do bacilo, forma-se uma pápula (pequena elevação na pele) no local da introdução, a qual aumenta lentamente de tamanho e pode ulce­rar-se. Ao mesmo tempo veijflca-se o aumento de volume de gânglios linfáticos na regido atingida.

O diagnóstico pode ser realizado quando o bacilo é identificado nas lesões. No início do processo infeccioso, a reação é negativa, mas com o decorrer do processo torna-se positiva.

É importante diferenciar os sintomas da tuberculose cutânea dos provocados pela sífilis primária e pela esporotricose, uma das chamadas micoses profundas, doença provocada por um cogumelo microscópico. Tanto a sífilis  primária como a esporotricose podem apresentar sintomas semelhantes aos da tuberculose da pele.

MANIFESTAÇÕES DIVERSAS

Pessoas que já foram contaminadas anteriormente poderão apresentar tuberculose se­cundária da pele.

O processo infeccioso pode originar-se da inocu­lação externa ou por disseminação de um foco interno através da corrente sangüínea, linfática ou por proximidade. Nesses casos, a reação à tuberculina geralmente é positiva.

Outra forma da doença é a tuberculose verrucosa (em forma de verruga), encontrada geralmente em pessoas que têm contato com doentes ou animais infectados.

PROCESSO INFECCIOSO

O processo infeccioso surge como resultado da introdução do bacilo de Koch diretamente na pele do indivíduo. No local de introdução do bacilo desenvolve-se lenta‑

Eritema indurado de Basin, forma mais frequente de tuberculose cutânea. Destaca-se uma placa violácea, com limites imprecisos, tendo no centro uma ulceracão. No inicio da manifestação da doença, as lesões são formadas por nódulos. mente uma lesão que acaba por formar uma placa verrucosa.

No Brasil é indispensável realizar o diagnóstico diferencial para evitar a confusão com doenças como a leishmaniose (afecção cutânea produzida por parasitas do gênero Leishmartia), cromomicose ou esporotrícose, moléstias que frequentemente determinam um aspec­to verrucoso.

Apesar de a reação à tuberculina ser geralmente posi­tiva, é indispensável o achado do bacilo na lesão para estabelecer o diagnóstico seguro.

OUTRAS FORMAS DA TUBERCULOSE CUTÂNEA

Outra forma da tuberculose cutânea ocorre como resultado da contaminação da pele por contiguidade a um processo infeccioso de gânglio linfático, osso ou articulação.

Caracteriza-se por formação tumoral subjacente, que acaba por atingir a pele e determina o aparecimento de fistulas e ulcerações. O bacilo de Koch ge­ralmente pode ser encontrado nas lesões e a reação à tuberculina é positiva.

Nesses casos é importante estabelecer a diferença com a blastomicose sul-americana, afecção causada por um cogumelo; no caso de as manifestações serem causadas pela blastomicose, pode-se identificar o agente responsável com relativa facilidade, através de simples exames laboratoriais.

Na Europa, a forma mais comum da tuberculose cutânea era o lúpus vulgar, responsável por grande número de lesões deformadoras da face, de onde se originou o nome (lupus, lobo).

EFEITOS

Já no Brasil, essa forma da doença sempre foi rara. A moléstia ocorre geralmen­te como resultado de contato com indivíduo tuberculoso.

No iní­cio do processo infeccioso surgem pápulas de cor amarelada que gradualmente crescem e acabam por confluir, formando extensas Placas deformantes.

O diagnóstico pode ser estabelecido quando são achados bacilos nas lesões, o que nem sempre é fácil. É necessário excluir várias doenças como sífilis, lepra, blastomicose sul-americana e câncer da pele.

Pode ocorrer também a tuberculose orificial, que se manifesta na cavidade bucal, anal, ou em torno dos órgãos genitais. Consiste em ulceração, decorrente da disseminação de foco de tuberculose pulmonar, intestinal ou geniturinário.

Acontece, ainda, a cervicite (inflamação do colo do útero) tuberculosa, muito semelhante à cervicite por sífilis secundária.

Era comum encontrar-se esse tipo de tuberculose em indivíduos portadores da doença em fase avançada, mas atualmente a ocorrência é rara.

Em formas agudas da tuberculose pulmonar ou meníngea, no caso de crianças debilitadas, pode ocorrer a disseminação dos ba­cilos de Koch através da corrente sanguínea; essa forma é denominada tuberculose miliar da pele. Surgem pequenas manchas eleva­das, recobertas de pus, que se espalham pela pele.

A reação à tuberculina em geral apresenta-se negativa, em virtude das baixas condições orgânicas do doente, embora os bacilos sejam encontrados em grande quantidade nas lesões, agravando a tuberculose cutânea.

ERUPÇÕES DA TUBERCULOSE CUTÂNEA

Já as erupções cutâneas que ocorrem em indivíduos com alta imunidade e hipersensibilidade aos bacilos de Koch são denominadas tubercúlides. Nesses casos, os bacilos são dificilmente en­contrados nas lesões.

No entanto, a existência do foco tuberculoso e o aspecto das alterações provocadas nos tecidos atingidos e a reação à tuberculina, sempre positiva, possibilitam com freqüência o diagnóstico preciso.

Além dessas formas cutâneas de tuberculose, existem outras. Uma delas caracteriza-se por apresentar lesões disseminadas que se cobrem depus (tubercúlide papulonecrótica). Já o líquen escro­fuloso, que determina uma lesão semelhante às manchas de bolor nas paredes, afeta geralmente as crianças.

Quaisquer que sejam os aspectos determinados pela tuberculose quando afeta a superfície  da pele, o diagnóstico é sempre facultado pela raridade da afecção entre nós.

Somente um dermatologista tem condições ideais para estabelecer o diagnóstico preciso e orien­tar adequadamente o tratamento.

Neste artigo falamos sobre Tuberculose Cutânea – Mata? O que é? É perigoso? Tem tratamento?

Imagem- saude.abril.com.br

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