Gonadotrofinas – O que são? Qual a relação com a Fertilização?

Em fins do século XIX começou-se a estudar a inter-relação entre as glândulas sexuais de secreção interna e a hipófise, “comandante” das glândulas endócrinas. Atualmente já se sabe que a relação hipófise—gônadas não é unilateral, mas uma interação funcional e recíproca.

A rigor, a inter-relação fisiológica envolve mais uma estrutura: o hipotálamo, formação neuroglandular existente na base do cérebro, onde fica a hipófise. O sistema nervoso central, portanto, interfere no processo através do hipotálamo, comandando as relações entre a hipófise e a gônada.

Os Estímulos excitadores ou inibidores

Para que determinado hormônio seja lançado na corrente sanguínea, o organismo recorre a um dispositivo semi instantâneo. Os estímulos, excitadores ou inibidores, recebidos ou elaborados pelo sistema nervoso central, atuam sobre o hipotálamo e provocam a liberação de substâncias neurossecretoras – verdadeiros “hormônios cerebrais” de curto raio de ação, que não chegam a alcançar a corrente sanguínea.

Ao atingirem o lobo anterior da hipófise, essas substâncias neurossecretoras provocam a liberação ou supressão de determinados hormônios. O lobo posterior da hipófise, por seu turno, nada mais é do que um reservatório de substâncias segregadas pelo hipotálamo.

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Gonadotrofinas

Ficou demonstrado numa pesquisa que a cegueira tem influência sobre a primeira menstruação: meninas totalmente cegas tendem a apresentar a menarca antes da época. Daí se conclui que os estímulos visuais desempenham certo papel no processo de maturação.

Várias experiências efetuadas isoladamente demonstraram que três tipos principais de estímulos exercem influência sobre a ovulação: estímulos sensoriais (destes quatro sentidos: visão, olfato, tato e audição), emocionais ou químicos.

Emocionais são os estímulos provocados por agentes adrenérgicos e colinérgicos liberados durante a tensão emocional. Essas substâncias parecem-se com a adrenalina e a acetilcolina, agentes encarregados de transmitir, sob forma química, os impulsos nervosos de uma célula nervosa a outra. Os estímulos químicos são os hormônios do ovário – estrógeno e progesterona – e medicamentos compostos desses hormônios.

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Após ficar inativo durante os primeiros dez anos de vida, o sistema hipofisário-ovariano começa a funcionar ativamente. É essa atividade que propicia as mudanças características da adolescência – período da vida compreendido entre as primeiras mudanças pré-puberais e a maturação. Na mulher, o período prolonga-se por oito a dez anos, e no homem durante seis a oito. Aparecem nesse período, em ambos os sexos, mudanças hormonais, somáticas, sexuais e psicológicas.

A VEZ DOS HORMÔNIOS

O hormônio folículo-estimulante promove na mulher a estimulação dos folículos ováricos até seu amadurecimento- O hormônio luteotrófico – também chamado proiactina ou luteotrofina – ativa a secreção láctea das mamas após o parto.

O hormônio luteinizante estimula a secreção de estrógeno e progesterona pelo corpo lúteo, que se forma quando o óvulo se desprende do folículo. Num ciclo de cerca de 28 dias o organismo feminino se prepara para receber o óvulo fecundado – que se chamará então ovo ou zigoto.

Caso não haja fertilização, o óvulo se desprende juntamente com as camadas do útero que se haviam preparado para receber o novo ser. Esses três hormônios – folículo-estimulante (FSH), luteinizante (LH) e luteotrófico (LTH) – são também conhecidos como gonadotrofina A, gonadotrofina B e gonadotrofina C. respectivamente.

Inducao-de-Ovulacao-para-FIV-Gonadotrofinas

 

CONTROLE

No equilíbrio das atividades das glândulas endócrinas, a porção anterior da hipófise – a adenoipófise – desempenha papel preponderante.

Pode-se dizer que a adenoipófise é uma espécie de “gerente” e as outras glândulas endócrinas, suas subordinadas.

Regularmente elas prestam contas – por meio das secreções hormonais – de suas atividades à gerente. Esta, por sua vez, por meio de seus hormônios tróficos, controla a estrutura e a função de suas subordinadas.

Se certa glândula deixa de trabalhar ou se diminui seu rendimento, a adenoipófise a estimula por meio de um hormônio trófico específico A baixa quantidade de determinado hormônio na corrente sanguínea é imediatamente detectada pelo “serviço de análises” da gerente.

De fato, as células que constituem o lobo anterior da hipófise estão constantemente analisando a taxa de cada hormônio que circula pelo sangue.

Quando, ao contrário, determinada glândula aumenta sua produção, a adenoipófise, sempre vigilante, diminui a “entrega” do hormônio trófico especifico daquela glândula hipersecretora. Com a diminuição do estímulo, a glândula volta à produção normal. Restabelece-se assim o equilíbrio endócrino do organismo.

Após trabalhar toda a vida, desde os dez anos, a adenoipófise – ainda não se sabe bem por que – como que se aposenta. Cessam as funções ovarianas e surge a menopausa: é o ocaso da capacidade geradora da mulher. No homem, algo semelhante ocorre, surgindo, na idade madura, a progressiva redução das funções genésicas, sem que ocorra necessariamente a impotência.

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