Persistência do Canal Arterial (PCA) no bebê recém nascido

A Persistência do Canal Arterial (Ductus Arteriosus ou PCA) ocorre quando o canal arterial do recém-nascido continua aberto, pode acarretar sérios problemas à pessoa: inclusive a morte prematura

O canal arterial é um pequeno vaso que liga a artéria pulmonar a aorta, durante a vida fetal. Como na fase fetal a pequena circulação está praticamente estacionada, as velas e artérias dos pulmões mio estio em pleno funcionamento.

O sangue não precisa passar pelos pulmões porque o feto recebe oxigênio através da placenta. O canal arterial funciona como um desvio, que envia a maior parte do sangue da artéria pulmonar para a aorta. Algumas vezes o canal arterial mio se fecha com o nascimento, e continua fazendo a ligação entre a artéria pulmonar e a aorta.

Tal ligação, que era vital para o feto, passa a ser uma sobrecarga para o organismo da criança. Caso não seja corrigida a tempo, essa anomalia poderá acarretar inclusive a morte.

Persistência do Canal Arterial

 

Persistência do Canal Arterial e o Coração inflamado

A complicação mais freqüente nos casos de persistência do canal arterial (PCA) é a inflamação do endocárdio, a membrana que forra o coração. O endocárdio fica bastante alterado, o que facilita a formação de coágulos de sangue em sua superfície.

Esses coágulos fragmentam-se e podem dar origem a embolias (entupimento de vasos sanguíneos pela presença de pequenos coágulos de sangue na circulação). O paciente pode ter febre, sensação de fraqueza, coração acelerado e anemia. Pode também ocorrer um enfarte pulmonar (morte tos tecidos dos pulmões por falta de Irrigação). Quando aumenta, a inflamação do endocárdio estende-se aos vasos vizinhos e as condições do paciente pioram muito.

A intervenção cirúrgica torna-se mais difícil, surgindo o risco de ruptura dos vasos, muito frágeis em conseqüência da inflamação. Atualmente, com o emprego de antibióticos, as perspectivas de sucesso aumentaram consideravelmente. Se o canal arterial se romper, há um extravasamento de sangue, o qual pode acarretar morte súbita.

Um aumento de calibre, ou dilatação do canal, pode tomar suas paredes mais fracas, determinando o rompimento. A PCA (Persistência do Canal Arterial) pode provocar, ainda, uma insuficiência cardíaca, a qual aparece em qualquer idade e apresenta evolução muito rápida. Essa insuficiência cardíaca é muito resistente ao tratamento e depois de algum tempo mostra-se refratária aos medicamentos.

 

A PRESSÃO SE INVERTE

Normalmente, a pequena circulação apresenta pressão do sangue mais baixa do que a grande circulação. A pequena circulação é feita através da artéria, das veias e dos capilares pulmonares. A grande circulação, que leva o sangue a todo corpo, é iniciada pela aorta.

A pressão na artéria pulmonar é multo mais baixa do que na aorta. Quando o canal arterial não se oblitera, a tendência é aumentar a pressão nos vasos pulmonares (pequena circulação), podendo esta tornar-se maior do que a pressão aórtica.

Como em hidráulica, predomina a pressão maior. No momento em que a pressão pulmonar se torna mais forte do que a aórtica, o sangue vai sair da artéria pulmonar e, pelo canal arterial, Invadirá a aorta. Isso provoca a mistura do sangue venoso da artéria pulmonar com o arterial que a aorta leva para todo o corpo. Como resultado, ocorre oxigenação deficiente no organismo.

Um dos sinais dessa alteração é o aparecimento de cianose, coloração azulada da pele e das mucosas. Alguns casos de persistência do canal arterial são tolerados durante muito tempo, havendo registro de paciente que viveu até os 73 anos com essa anomalia. Mas, de modo geral, a doença é muito grave e constitui ameaça constante. A vida média, nesse caso, é de 39 anos, no sexo masculino, e 35, no sexo feminino.

Persistência do Canal Arterial

Sopro cardíaco

O sopro cardíaco que é ouvido abaixo da clavícula esquerda é o sinal mais característico da PCA(Persistência do Canal Arterial). Radiografias, eletrocardiogramas e outros exames fornecem informações seguras sobre a existência ou não de canal arterial aberto.

Apesar de o quadro de sintomas, na maioria dos casos, ser bastante claro, existem alguns em que o diagnóstico se complica, confundindo a anomalia com outras. Nesses casos, faz-se o diagnóstico diferencial. para detectar a causa dos sintomas.

Tratamento e cirurgia da Persistência do Canal Arterial

O tratamento é clínico e cirúrgico. O primeiro, representado em geral pela administração de antibióticos ou tônicos cardíacos, visa a controlar as complicações provocadas pela PCA (Persistência do Canal Arterial).

A única forma de correção, porém, é a cirurgia. Ela apresenta melhores resultados se for efetuada nos primeiros anos de vida do paciente, porque ainda não surgiram as complicações provocadas pela anomalia. Em princípio, a operação deve ser feita sempre o mais cedo possível.

Contudo, os médicos preferem esperar que se complete o primeiro ano de que durante esse tempo é possível que o canal se feche naturalmente. Mas, se surgirem sinais de insuficiência cardíaca antes do primeiro ano de vida, a operação será realizada. A operação não oferece maiores dificuldades durante a primeira infância, porque não há lesões nos tecidos próximos ao canal arterial e os vasos apresentam boa elasticidade.

Inicialmente a operação da PCA (Persistência do Canal Arterial) não passava de uma simples ligadura “amarrando” e estrangulando o canal com um fio especial. Esse sistema foi logo em seguida substituído pela remoção do canal arterial, com fechamento cirúrgico dos orifícios na parede das artérias pulmonar e aorta.

Para efetuar a operação, o cirurgião abre a cavidade torácica à esquerda, com uma incisão na altura da quarta costela, chega à pleura e a abre, expondo o coração e os grandes vasos. São isoladas a aorta e a artéria pulmonar, de maneira a tornar-se visível o canal arterial.

Este é fechado nas duas extremidades por pinças hemostáticas (que interrompem a circulação local) e seccionado no espaço situado entre as pinças. A seguir, as duas extremidades do canal são suturadas. Conforme o estado dos vasos, há possibilidade de os pontos escaparem, ou também pode ocorrer ruptura devido à pequena elasticidade das artérias.



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